Aerograma

Isento de Porte e de Sobretaxa Aérea

29  09 2011

Generalizações

Quando se fala no Alentejo, a maioria das pessoas dá por si a pensar nas planícies ondulantes a perder de vista ou nas searas do celeiro de Portugal dos livros escolares de outrora. Poucos se lembram imediatamente do montado ou dos campos em pousio cheios de papoilas.

Se restringirmos um pouco mais a região a Barrancos ou a Alter do Chão é certo que o porco preto e os cavalos depressa entram no discurso, mas é um pouco como dizer que no Porto se comem tripas todos os dias ou que a população de Belém se alimenta exclusivamente de pastéis de Belém.

Vacas em Alter do Chão
Gado bovino de Alter do Chão

À entrada de Alter do Chão está uma excelente estátua de bronze dedicada ao cavalo lusitano, tendo como modelo «Oheide», um dos próprios cavalos da coudelaria mais famosa de Portugal. Esta é tradição antiga, já que o modelo usado para a estátua equestre de D. José no Terreiro do Paço também era daqui originário, de seu nome «Gentil». Como curiosidade, a primeira letra do nome de cada cavalo depende do seu ano de nascimento, o que permite saber a idade dos cavalos sem ter de consultar linhagens.

Alter do Chão deve a sua fama aos cavalos e orgulha-se disso, mas basta percorrer sem rumo definido as estradas secundárias e rapidamente nos apercebemos que há mais para além de cavalos. Cada curva da estrada nos abre o horizonte para explorações agrícolas e pecuárias eclipsadas pelos cavalos. De certo modo, são mais importantes estas últimas que os próprios cavalos.

Acerca do autor

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Nascido no século passado com alma de engenheiro, partiu para Angola, de onde envia pequenos aerogramas.

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