{"id":1003,"date":"2008-09-20T00:00:13","date_gmt":"2008-09-19T23:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1003"},"modified":"2009-09-05T23:33:55","modified_gmt":"2009-09-05T22:33:55","slug":"outros-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/outros-tempos\/","title":{"rendered":"Outros tempos"},"content":{"rendered":"<p>Passear por Angola \u00e9 como fazer uma visita a um Museu de Hist\u00f3ria Natural. Vemos marcas do passado a cada canto.<\/p>\n<p>S\u00f3 por brincadeira, resolvi mostrar aqui algumas.<\/p>\n<p>Avistei em Benguela uma pe\u00e7a da Hist\u00f3ria Portuguesa, fabricada bem perto de casa, l\u00e1 em terras lusas. Um magn\u00edfico UMM. Verde, como n\u00e3o poderia deixar de ser.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos1.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nInconfund\u00edvel<\/p>\n<p>Na verdade j\u00e1 vi dois UMM parados e em Luanda sei que ainda circula um. Esse foi repintado. Deixou de ser verde militar e passou a ser verde alface.<\/p>\n<p>Outra coisa que se vai mantendo ao longo dos anos s\u00e3o os letreiros dos neg\u00f3cios j\u00e1 desaparecidos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos2.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nHotel Globo, em Luanda<\/p>\n<p>Os monumentos que foram retirados dos seus pedestais e paredes foram encontrando caminho at\u00e9 \u00e0 Fortaleza de Luanda, onde foram amontoados num misto de respeito e desprezo. N\u00e3o foram destru\u00eddos por respeito, mas n\u00e3o foram mantidos por desprezo ao colono.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos7.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nSinos quebrados e placas centen\u00e1rias<\/p>\n<p>A Fortaleza \u00e9 um bom s\u00edtio para ver estas marcas do passado. Est\u00e1 tudo no mesmo s\u00edtio. Vamos l\u00e1 dar mais uma voltinha.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos8.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nO topo de um padr\u00e3o<\/p>\n<p>A colec\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco heterog\u00e9nea. De um lado est\u00e1tuas empilhadas, do outro m\u00e1quinas de guerra.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos10.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nUm despojo de guerra<\/p>\n<p>H\u00e1 est\u00e1tuas que vieram \u00e0s pe\u00e7as. Foram encostadas a um canto e passaram a ver o mundo segundo uma perspectiva diferente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos17.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nUma crise existencial<\/p>\n<p>As ruas mudaram de nome a seguir \u00e0 independ\u00eancia. Muitas continuam a ser chamadas pelo nome colonial porque o nome revolucion\u00e1rio nunca chegou a pegar. As avenidas mais importantes foram as primeiras a ser rebaptizadas. Alguns marcos topon\u00edmicos mais imponentes n\u00e3o podiam ser simplesmente emendados. Foram retirados e deixados algures.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos12.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nOs marcos que assinalavam a Avenida de Lisboa<\/p>\n<p>Nem tudo foi retirado do s\u00edtio. Algumas pe\u00e7as, por fazerem parte da Hist\u00f3ria de Angola, ou por darem mais trabalho para retirar do que simplesmente ignor\u00e1-las, foram ficando e resistem at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos5.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nUm bras\u00e3o esquecido na Fortaleza<\/p>\n<p>A propria Fortaleza de Luanda \u00e9 um resqu\u00edcio do passado. Agora \u00e9 o Museu Militar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos6.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nPintada e recuperada<\/p>\n<p>No meio de tudo isto encontrei um candeeiro que j\u00e1 assistiu a cinco regimes. Nasceu na Monarquia, assistiu \u00e0 Implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, ao aparecimento do Estado Novo, \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos e \u00e0 Independ\u00eancia de Angola.<\/p>\n<p><em><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos4.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\n<em>Mais-velho<\/em><\/em><\/p>\n<p>No meio de muitas est\u00e1tuas n\u00e3o identificadas encontramos algumas que n\u00e3o precisam de legenda nem apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos9.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nVasco da Gama, filho da Vidigueira<\/p>\n<p>S\u00e3o est\u00e1tuas vindas directamente do ideal imperial incutido no Estado Novo, mas n\u00e3o deixam de representar momentos altos da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos11.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAfonso Henriques, pai da Na\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Nos quart\u00e9is \u00e0 volta de Luanda vemos os avi\u00f5es das guerras p\u00f3s-independ\u00eancia, os Mig-25, por exemplo. na fortaleza colonial vemos os avi\u00f5es da guerra contra o colono. Curioso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos13.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nRel\u00edquia voadora<\/p>\n<p>L\u00e1 para os lados da Marginal de Luanda surgem pain\u00e9is de azulejos que marcam bem a \u00e9poca em que foram feitos. Mesmo ap\u00f3s tantos anos de Sol tropical, mant\u00e9m-se como novos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos14.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nMotivos angolanos<\/p>\n<p>Na zona mais fina de Luanda, o bairro do Miramar, o estado de conserva\u00e7\u00e3o das coisas \u00e9 melhor e encontramos coisas diferentes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos15.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nMais publicidade<\/p>\n<p>Antigas estruturas de lazer ainda funcionam, talvez n\u00e3o exactamente como nos seus tempos \u00e1ureos, mas funcionam.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos16.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nCinema Miramar<\/p>\n<p>Filmes j\u00e1 n\u00e3o passam nos cinemas ao ar livre, mas a esplanada continua a servir para manter a conversa em dia.<\/p>\n<p>As marcas do passado n\u00e3o se resumem a edif\u00edcios ou monumentos, h\u00e1 tamb\u00e9m testemunhos vivos de outras eras. No final do outro tempo, angolanos de cora\u00e7\u00e3o, mas com a cor errada tiveram de abandonar a sua p\u00e1tria. Muitos perderam-se nesse mundo, com o rumo das suas vidas encoberto pela saudade. Antes de partir deixaram a sua marca. De vez em quando somos confrontados com um instante que ficou parado no tempo. Cruzamos o olhar com algo que nos transporta para a \u00e9poca em que tudo era poss\u00edvel. Depois percebemos que esse momento singelo n\u00e3o passou de uma despedida. Num at\u00e9 j\u00e1 que se transformou num at\u00e9 sempre.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/130908-0000-outrostempos18.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA despedida &#8211; 1974<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passear por Angola \u00e9 como fazer uma visita a um Museu de Hist\u00f3ria Natural. Vemos marcas do passado a cada canto. S\u00f3 por brincadeira, resolvi mostrar aqui algumas. 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