{"id":1218,"date":"2008-10-09T00:00:53","date_gmt":"2008-10-08T23:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1218"},"modified":"2009-06-21T19:37:43","modified_gmt":"2009-06-21T18:37:43","slug":"jantes-cromadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/jantes-cromadas\/","title":{"rendered":"Jantes cromadas"},"content":{"rendered":"<p>Luanda, terra dos buracos e da lama, \u00e9 tamb\u00e9m a terra dos todo-o-terreno. \u00c9 compreens\u00edvel. Um todo-o-terreno comporta-se melhor nos buracos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o carro preferido dos luandenses seja o Toyota Rav 4. \u00c9 aqui que acaba o bom-senso. \u00c9 que esta \u00e9 tamb\u00e9m a terra das jantes especiais, de prefer\u00eancia cromadas, daquelas que se deformam e partem quando entram num buraco mais fundo.<\/p>\n<p>Luanda, terra em que se circula sempre em primeira velocidade ou n\u00e3o se circula de todo, \u00e9 tamb\u00e9m a terra dos motores V6 a gasolina, com muitos litros de cilindrada. J\u00e1 que n\u00e3o se vai a lado nenhum, ao menos que se v\u00e1 com estilo. \u00c9 tamb\u00e9m a terra dos pneus de baixo perfil, concebidos para andar depressa ou, no caso de Luanda, para melhor real\u00e7ar a jante cromada que se acabou de amolgar no buraco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/091008-0000-jantescromadas22.jpg\"  \/><br \/>\nA cinco quil\u00f3metros por hora&#8230;<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, carro de angolano que n\u00e3o tenha cromados, nem sequer pode ser considerado carro. Ser\u00e1 talvez uma carro\u00e7a, com um burro l\u00e1 dentro, na melhor das hip\u00f3teses. O carro de sonho do luandense tem jantes cromadas, espelhos cromados, grelhas cromadas nos far\u00f3is, frisos cromados, vidros fumados com autocolantes cromados e aplica\u00e7\u00f5es cromadas no interior. \u00c9 o fen\u00f3meno <em>bling-bling<\/em>, importado dos <em>videoclips<\/em> da MTV. Se os candongueiros n\u00e3o tivessem de andar de azul e branco, aposto que j\u00e1 havia uma frota de <em>i\u00e1ces<\/em> pretas e cromadas com jantes de raios de 18&#8243; e pneus mais largos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por nada, mas continuo a sentir-me arrepiado quando vejo um Range Rover com pneus de baixo perfil e jantes cromadas de 24&#8243;. Serve para qu\u00ea? Contornar delicadamente todas as irregularidades da estrada? No entanto, por estes lados, a qualidade de um carro \u00e9 proporcional ao tamanho das jantes, cromadas, claro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/09\/091008-0000-jantescromadas23.jpg\"  \/><br \/>\nContra-senso<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luanda, terra dos buracos e da lama, \u00e9 tamb\u00e9m a terra dos todo-o-terreno. \u00c9 compreens\u00edvel. Um todo-o-terreno comporta-se melhor nos buracos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o carro preferido dos luandenses seja o Toyota Rav 4. \u00c9 aqui que acaba o bom-senso. \u00c9 que esta \u00e9 tamb\u00e9m a terra das jantes especiais, de prefer\u00eancia cromadas, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[15,263,262],"class_list":["post-1218","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-luanda","tag-candongueiros","tag-jantes","tag-vaidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1218"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1218\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1228,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1218\/revisions\/1228"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}