{"id":1265,"date":"2008-10-13T00:00:17","date_gmt":"2008-10-12T23:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1265"},"modified":"2009-09-04T15:12:20","modified_gmt":"2009-09-04T14:12:20","slug":"pensava-eu-que-estava-acabado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/pensava-eu-que-estava-acabado\/","title":{"rendered":"Pensava eu que estava acabado&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Afinal n\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando me mudei para este primeiro andar das Ingombotas, passei algumas noites mal dormidas por causa de umas obras de Santa Engr\u00e1cia debaixo da janela.<\/p>\n<p>Durante umas semanas tive chineses e brasileiros a abrir uma vala de cada lado da rua e a repavimentar as bermas. S\u00f3 trabalhavam de noite, porque de dia o tr\u00e3nsito n\u00e3o podia parar. No final da obra l\u00e1 perceberam que o tr\u00e2nsito tinha mesmo de ser cortado ou ent\u00e3o nunca mais acabavam mas, no entretanto, pegavam perto da meia-noite e largavam um pouco antes das seis, para n\u00e3o serem alvo da ira de gente com olheiras e mau humor.<\/p>\n<p>Lembro-me de ter achado bizarro que se tivesse recuperado uma faixa de um metro de largura de cada lado e que os lancis continuassem partidos. J\u00e1 tinham reabilitado passeios noutras ruas, mas parecia que se tinham esquecido da nossa.<\/p>\n<p>Parecia, porque n\u00e3o esqueceram. Tr\u00eas meses depois, a sinaliza\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria e as proibi\u00e7\u00f5es de estacionamento regressaram. Come\u00e7aram a partir os lancis antigos para dar lugar aos novos. E sim, tal como em Portugal, a primeira coisa que fizeram foi rebentar com a faixa de asfalto nova. J\u00e1 nem pergunto porqu\u00ea. Tal como o sonho, \u00e9 uma das constantes da vida. Asfalto novo implica vala nova!<\/p>\n<p>Mas por falar em constantes da vida. Parece que as constantes da vida s\u00e3o mutuamente exclusivas. N\u00e3o consigo sonhar quando, \u00e0s duas da matina, est\u00e1 um senhor a manobrar, cheio de mesuras, um martelo pneum\u00e1tico. Felizmente que partir o que est\u00e1 feito \u00e9 r\u00e1pido e num \u00e1pice foi incomodar outras janelas.<\/p>\n<p>Suspirei de al\u00edvio e virei-me para o outro lado. Agora podia dormir em paz. O barulho j\u00e1 tinha acabado. Pensava eu.<\/p>\n<p>Nem dez minutos se passaram at\u00e9 chegar um carro com o r\u00e1dio em altos berros. M\u00fasica cheia de batuques e letras de <em>ganst\u00e2 com bw\u00e9 d&#8217;estilo<\/em>. Estacionou no lugar que antes estava ocupado pelo lancil. Os passageiros sa\u00edram e ficaram o resto da noite a beber cervejas em frente ao sal\u00e3o de jogos, o tal que fica debaixo da minha janela, e a ouvir o r\u00e1dio do carro. Como a m\u00fasica estava alta, gritavam uns com os outros. Que mal fiz eu? Foram-se embora \u00e0s cinco e meia. Levantei-me \u00e0s sete&#8230;<\/p>\n<p>Desta vez nem fui capaz de apreciar as propriedades hipn\u00f3ticas do leite em p\u00f3. J\u00e1 o misturo de olhos fechados. Uma colher de a\u00e7\u00facar, duas de caf\u00e9, duas de leite e \u00e1gua q.b. Um minuto no micro-ondas e depois \u00e9 s\u00f3 beber.<\/p>\n<p>Quando sa\u00ed, havia latas de Cuca por todo o lado. Entre a porta do pr\u00e9dio e o carro, que estava mesmo em frente, contei dezasseis! Mais haveria, mas as olheiras n\u00e3o as deixaram ver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afinal n\u00e3o. Quando me mudei para este primeiro andar das Ingombotas, passei algumas noites mal dormidas por causa de umas obras de Santa Engr\u00e1cia debaixo da janela. Durante umas semanas tive chineses e brasileiros a abrir uma vala de cada lado da rua e a repavimentar as bermas. 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