{"id":1470,"date":"2008-11-06T00:00:58","date_gmt":"2008-11-05T23:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1470"},"modified":"2009-08-08T21:22:57","modified_gmt":"2009-08-08T20:22:57","slug":"ex-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/ex-ruas\/","title":{"rendered":"ex-ruas"},"content":{"rendered":"<p>A topon\u00edmia angolana, tal como muitas outras coisas, \u00e9 complicada. N\u00e3o se deve s\u00f3 ao facto de haver milh\u00f5es de pessoas a morar em ruas sem nome, nem \u00e0 falta de oportunidade para conhecer algo mais que o trajecto para o trabalho. \u00c9 tamb\u00e9m a aparente esquizofrenia que reina nos nomes dos arruamentos e n\u00fameros de pol\u00edcia que salpicam as fachadas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a independ\u00eancia angolana, houve a necessidade de alterar nomes de ruas. N\u00e3o interessa muito bem se para fazer esquecer o nome colonial ou se para homenagear alguma figura importante para o novo pa\u00eds. O certo \u00e9 que muitas ruas viram as suas placas topon\u00edmicas emendadas. O grande problema \u00e9 que as pessoas n\u00e3o deixaram de conhecer o nome antigo da rua. E muito menos aprenderam o novo. N\u00e3o foi de um momento para o outro que todos souberam da mudan\u00e7a e houve a necessidade de perpetuar o nome colonial. Este foi o primeiro passo para a confus\u00e3o.<\/p>\n<p>O segundo passo foi dado quando, de duas ruas, se fez apenas uma. A numera\u00e7\u00e3o de cada uma manteve-se, como \u00e9 \u00f3bvio. Agora temos n\u00fameros repetidos ou a crescer em direc\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias a cada quarteir\u00e3o.<\/p>\n<p>Outras vezes, retirou-se a placa e nunca se chegou a colocar a nova. A rua ficou an\u00f3nima. \u00c9 claro que o nome colonial persiste nestes casos, mas habitualmente com a men\u00e7\u00e3o de que \u00e9 a <em>ex-Rua<\/em>.<\/p>\n<p>Por vezes nem sequer h\u00e1 consenso acerca da grafia do novo nome. Perto da Mutamba h\u00e1 uma loja que tem as duas nomenclaturas da morada. Mesmo ao lado est\u00e1 a placa topon\u00edmica. Todas as vers\u00f5es est\u00e3o erradas!<\/p>\n<p>A antiga Avenida de Portugal \u00e9 referida como Rua de Portugal. A Actual Frederich Engels aparece como Frederich Ingl\u00eas no letreiro da loja e como Frederico Engels na placa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/10\/300908-0000-blog1.jpg\"><br \/>Confus\u00e3o<\/p>\n<p>Para complicar mais as coisas, h\u00e1 quem n\u00e3o conhe\u00e7a nenhum dos nomes da rua e se socorra do seu nome popular. Em geral, estes estes nomes identificam pontos de refer\u00eancia (Rua da Total, Rua do Anghotel, Largo do Atl\u00e9tico). H\u00e1 at\u00e9 mesmo empresas que se identificam com tr\u00eas moradas diferentes: a ex-rua colonial, a rua oficial e a rua popular!<\/p>\n<p>Com semelhante confus\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de admirar que os correios n\u00e3o funcionem e que as cartas raramente cheguem ao seu destino. O que \u00e9 de espantar \u00e9 que haja uma empresa que entrega pizzas ao domic\u00edlio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A topon\u00edmia angolana, tal como muitas outras coisas, \u00e9 complicada. 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