{"id":1519,"date":"2008-11-15T00:00:05","date_gmt":"2008-11-14T23:00:05","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1519"},"modified":"2009-07-19T13:58:57","modified_gmt":"2009-07-19T12:58:57","slug":"os-brancos-no-andam-a-p","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/os-brancos-no-andam-a-p\/","title":{"rendered":"Os brancos n\u00e3o andam a p\u00e9!"},"content":{"rendered":"<p>Com algumas ruas fechadas para obras e um tr\u00e2nsito ainda pior que o do costume, a op\u00e7\u00e3o de ir at\u00e9 \u00e0 alf\u00e2ndega do aeroporto de carro n\u00e3o me parecia a mais acertada. Ainda por cima, como o engarrafamento se restringe a tr\u00eas ruas, na verdade nunca chegamos a parar em lado nenhum e avan\u00e7a-se exclusivamente \u00e0 custa de um longo ponto de embraiagem. Tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 sabido que n\u00e3o h\u00e1 estacionamento perto da alf\u00e2ndega. Ponderei a hip\u00f3tese de deixar para outro dia, mas sabia que n\u00e3o podia.<\/p>\n<p>A meia-d\u00fazia de quarteir\u00f5es para cada lado ajudou-me a decidir. Era bem mais r\u00e1pido ir a p\u00e9. Isso implicava violar uma regra fundamental, que eu desconfio estar escrita a tinta invis\u00edvel na legisla\u00e7\u00e3o angolana. Os brancos n\u00e3o andam a p\u00e9!<\/p>\n<p>De facto, bastou chegar ao final do primeiro quarteir\u00e3o para reparar nas cabe\u00e7as que se viravam. Ainda pensei que tinha a braguilha aberta, mas n\u00e3o, era mesmo a cor da pele. No final do segundo quarteir\u00e3o, os cobradores dos t\u00e1xis paravam os seus preg\u00f5es a meio quando me viam. Uma <em>mais-velha<\/em> perguntou-me se eu tinha prefer\u00eancia em andar a p\u00e9&#8230;<\/p>\n<p>Em cerca de meia-hora de caminho, n\u00e3o vi mais nenhum branco nas ruas. O primeiro que vi, estava j\u00e1 no aeroporto. Trazia um papel na m\u00e3o e era seguido por um negro que trazia um monte de caixotes. Come\u00e7o a pensar se a imagem mental que os pretos fazem dos brancos n\u00e3o ser\u00e1 um bicho amorfo, sem pernas ou bra\u00e7os, incapaz das coisas mais simples&#8230;<\/p>\n<p>Tratei dos assuntos pendentes e regressei. Desta vez vim pelas ruas secund\u00e1rias, onde tive de contornar buracos e charcos de lama, como os locais. Passava por entre os carros que se engalfinhavam uns nos outros. Buzinadelas impacientes e bra\u00e7os a gesticular mostravam que algu\u00e9m tinha fechado o cruzamento. Se tivesse vindo de carro, estaria por aqui, a tentar decidir se valia a pena desligar o motor ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Quem zungava tamb\u00e9m virava a cabe\u00e7a. Habitualmente v\u00eaem os brancos sentados no carro. <em>\u00abOlha, afinal tamb\u00e9m sabem andar a p\u00e9&#8230;\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Mas acho que j\u00e1 sei porque raz\u00e3o os brancos est\u00e3o proibidos de andar a p\u00e9. Podem provocar uma epidemia de torcicolos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com algumas ruas fechadas para obras e um tr\u00e2nsito ainda pior que o do costume, a op\u00e7\u00e3o de ir at\u00e9 \u00e0 alf\u00e2ndega do aeroporto de carro n\u00e3o me parecia a mais acertada. 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