{"id":155,"date":"2008-06-22T16:42:44","date_gmt":"2008-06-22T15:42:44","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=155"},"modified":"2009-09-04T14:52:54","modified_gmt":"2009-09-04T13:52:54","slug":"fim-de-semana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/fim-de-semana\/","title":{"rendered":"Fim-de-semana"},"content":{"rendered":"<p>Fez ontem uma semana que cheguei a Luanda. Deveria ser a altura de fazer um balan\u00e7o, mas n\u00e3o sei se o consigo fazer.<\/p>\n<p>Dizem que no dia em que se chega a um pa\u00eds sabemos o suficiente para poder escrever um livro, mas que ao fim de um m\u00eas o conhecimento s\u00f3 enche uma p\u00e1gina e ao fim de um ano escrevemos uma linha.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana1.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA origem das \u00e1guas das <em>valas<\/em><\/p>\n<p>\u00c0 medida que fui vendo mais do que contava num t\u00e3o curto espa\u00e7o de tempo, fiquei a conhecer aquilo que s\u00f3 deveria ter presenciado num ano e n\u00e3o me sinto capaz de fazer um balan\u00e7o decente. N\u00e3o sei se o mais importante de Angola \u00e9 a Luanda que me envolve, ou se s\u00e3o os p\u00f4res-do-Sol que ainda n\u00e3o pude apreciar. Sinto que \u00e9 uma experi\u00eancia enriquecedora do ponto de vista humano. Conhecer como \u00e9 a vida <em>do outro lado<\/em> ajuda-nos a p\u00f4r em perspectiva muitas coisas que damos como adquiridas. Ainda n\u00e3o consigo imaginar como ser\u00e1 um dia que seja de um <em>Kaluanda<\/em> do musseque, muito menos uma vida inteira. As minhas necessidades b\u00e1sicas s\u00e3o muito diferentes. Pequenas coisas para mim, s\u00e3o enormidades para quase todas as pessoas com quem me cruzo na rua. A falta a \u00e1gua \u00e9 um aborrecimento, mas queixo-me porque n\u00e3o tenho \u00e1gua na <strong>torneira<\/strong>! H\u00e1 quem n\u00e3o tenha \u00e1gua corrente no <strong>bairro<\/strong>! N\u00e3o h\u00e1 electricidade? Liga-se o gerador\u2026 N\u00e3o h\u00e1 comida em casa, almo\u00e7a-se fora\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana2.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nEu abro a torneira\u2026<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a escala monet\u00e1ria com que trabalhamos \u00e9 completamente diferente. H\u00e1 umas semanas o R. achava que as notas de Kwanza tinha valores muito baixos, porque est\u00e1 habituado a come\u00e7ar os pagamentos com 100 Kz. Tenho assistido a conversas ao final do dia em que se discutem lucros di\u00e1rios na ordem dos 70 Kz, que s\u00e3o um pouco menos de 0.70\u20ac! Uma lata de atum custa 153 Kz\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana3.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nUma grade custa 600 Kz. Cada garrafa \u00e9 vendida a 50 Kz. Lucro por grade 100 Kz. Peso da grade 18 Kg.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana4.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nTudo se transporta \u00e0 cabe\u00e7a<\/p>\n<p>A falta de condi\u00e7\u00f5es e a dificuldade em sobreviver fazem com que as mais variadas igrejas evang\u00e9licas v\u00e3o despontando por todo o lado. Algumas foram proibidas, como a Man\u00e1, mas sobram mais umas centenas cuja principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 encolher os j\u00e1 magros recursos dos angolanos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Quiosque Multiperfil Evang\u00e9lico da Igreja Evang\u00e9lica do Poder de Deus em Angola?!?!?<\/p>\n<p>Mas ontem foi dia de esquecer os problemas dos angolanos. A bem da sanidade \u00e9 preciso focarmo-nos nos nossos. Fomos ao Jumbo comprar mantimentos. Aproveitei para tirar mais algumas fotografias que ilustram os aspectos da vida em Luanda.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana6.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nO lixo v\u00ea-se sempre<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana7.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nE as obras est\u00e3o por todo o lado<\/p>\n<p>Tal como a rela\u00e7\u00e3o com o lixo, a rela\u00e7\u00e3o dos africanos com a constru\u00e7\u00e3o civil tamb\u00e9m \u00e9 muito diferente da ocidental. As fachadas dos edif\u00edcios de Luanda apresentam-se sempre muito heterog\u00e9neas. Desde 1975 que t\u00eam vindo a sofrer altera\u00e7\u00f5es ditadas quer pelo gosto, quer pela necessidade de quem l\u00e1 mora: janelas de tamanhos v\u00e1rios e cada uma alinhada com elementos diferentes, com portadas coloridas ou enferrujadas, portas com ou sem grades, varandas fechadas a tijolo ou madeira. Sempre que h\u00e1 a necessidade de se fazer uma altera\u00e7\u00e3o na casa, faz-se. Mesmo os edif\u00edcios da d\u00e9cada de 1980 j\u00e1 mostram sinais de altera\u00e7\u00f5es profundas. Onde se nota uma maior liberdade construtiva \u00e9 na instala\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas de ar condicionado. As fachadas v\u00e3o sendo esburacadas n\u00e3o interessa muito bem onde. O buraco \u00e0 volta do aparelho depois \u00e9 enchido com qualquer coisa.<\/p>\n<p>Se durante a semana o tr\u00e2nsito de Luanda \u00e9 ca\u00f3tico, ao fim-de-semana \u00e9 um caos mais fluido. H\u00e1 menos tr\u00e2nsito, mas subsistem os engarrafamentos nos pontos cr\u00edticos. A fu\u00e7anguice dos candongueiros piora as coisas. Como h\u00e1 menos clientes, a competi\u00e7\u00e3o \u00e9 feroz. Na \u00e2nsia de chegar primeiro, circula-se pela direita para virar \u00e0 esquerda, contornando todos os que se colocaram na faixa devida. Mais \u00e0 frente ningu\u00e9m os deixa entrar e entopem o cruzamento todo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana8.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAs frotas t\u00eam sempre nomes sonantes<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana9.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nOu que demonstram orgulho<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana10.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nOu usam chav\u00f5es<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana11.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nOu s\u00e3o incompreens\u00edveis<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana12.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nOu s\u00e3o s\u00f3 parvos<\/p>\n<p>Infelizmente os candongueiros s\u00e3o necess\u00e1rios. Os pouco autocarros que vi circular eram mesmo muito poucos e s\u00f3 fazem servi\u00e7o urbano. Os musseques n\u00e3o t\u00eam sequer ruas capazes de aceitar ve\u00edculos daquelas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana13.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nO estado de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 famoso<\/p>\n<p>Ao longo desta semana tenho assistido \u00e0 condu\u00e7\u00e3o mais agressiva do mundo, no entanto, n\u00e3o posso dizer que tenha visto muitos exemplos de <em>road rage<\/em>. \u00c9 assim que toda a gente conduz e n\u00e3o \u00e9 por tentar matar o outro condutor que se vai l\u00e1 chegar primeiro. J\u00e1 vi alguns acidentes graves. Carros completamente desfeitos na berma da estrada ou num separador central. Geralmente acontecem por imper\u00edcia do condutor e n\u00e3o envolvem mais do que um carro. \u00c9 t\u00e3o raro n\u00e3o estar no engarrafamento que, \u00e0 m\u00ednima nesga de estrada livre, se vai de prego a fundo. Apesar de os autom\u00f3veis andarem todos batidos e riscados, os acidentes com outros carros s\u00e3o raros. O ocasional toque acontece, claro. Ontem vi um. Um candongueiro for\u00e7ou demais e acabou por encostar ao carro de uma senhora. Ela n\u00e3o esteve com meias medidas, saiu do carro, deu a volta \u00e0 Toyota Hiace, abriu a porta do passageiro e tentou dar um par de estalos ao condutor. Ele n\u00e3o replicou. As angolanas t\u00eam a m\u00e3o pesada e eles n\u00e3o se atrevem a bater numa mulher.<\/p>\n<p>As mulheres s\u00e3o o motor da economia angolana. Elas t\u00eam os trabalhos. Os homens querem empregos. Vemos milhares de condutores, seguran\u00e7as e <em>controladores<\/em>. H\u00e1 muitos vendedores de bugigangas na rua e muitos carregadores <em>ao alto<\/em>. Elas passam o dia inteiro com a loja a cabe\u00e7a, muitas vezes com um filho \u00e0s costas e outro na barriga. N\u00e3o digo que seja sempre assim, porque j\u00e1 vi muitas excep\u00e7\u00f5es, mas por vezes penso se n\u00e3o era mais acertado insistir nos programas em que se entrega a gest\u00e3o de recursos \u00e0 matriarca\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana14.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nVendedora de fruta<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana15.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nVendedora de chinelos, com mais um filho a caminho<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana16.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nVendedora de bananas, com mais um filho a caminho. Ter\u00e1 14 anos?<\/p>\n<p>J\u00e1 referi que nas ruas se compra e vende tudo. As coisas mais inusitadas aparecem nas esquinas. Mas reparei que todas partilham uma caracter\u00edstica. S\u00e3o objectos \u00fateis, t\u00eam um fim objectivo, satisfazem necessidades pr\u00e1ticas. Vende-se comida, bebida, mob\u00edlia, acess\u00f3rios para autom\u00f3veis, pe\u00e7as usadas, electrodom\u00e9sticos, roupa e cosm\u00e9ticos. Como Luanda \u00e9 uma cidade cheia de surpresas, ontem vi \u00e0 venda uma coisa que diria ser imposs\u00edvel vender-se numa esquina de Luanda. Peixinhos dourados! Na Maianga estava um sujeito com dois sacos de pl\u00e1stico com \u00e1gua e meia-d\u00fazia de peixinhos. Tr\u00eas pretos e tr\u00eas dourados. Fiquei perplexo. Quem \u00e9 que, no seu perfeito ju\u00edzo, vende peixinhos dourados em Luanda? Suponho at\u00e9 que a pequena fatia da popula\u00e7\u00e3o de Luanda que se pode dar ao luxo de ter aqu\u00e1rios em casa n\u00e3o precise de comprar peixes na esquina\u2026 Que mais haver\u00e1 \u00e0 venda nesta terra?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana17.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAs omnipresentes galinhas<\/p>\n<p>A recente discuss\u00e3o do novo acordo ortogr\u00e1fico deixou-me cheio de comich\u00f5es. A tentativa de harmonizar a ortografia de duas l\u00ednguas que j\u00e1 n\u00e3o partilham a gram\u00e1tica nem a constru\u00e7\u00e3o fr\u00e1sica parece-me, no m\u00ednimo, in\u00fatil. O argumento de que Angola e outros pa\u00edses africanos j\u00e1 o adoptaram \u00e9 tamb\u00e9m estranho. S\u00e3o poucos os letreiros em que as coisas est\u00e3o bem escritas. Far\u00e1 sentido aplicar um novo acordo ortogr\u00e1fico quando a popula\u00e7\u00e3o nem sabe usar o antigo?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana18.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nOs pintores de letreiros assinam sempre a obra<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana19.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nEm telas de todos os tamanhos<\/p>\n<p>Como o gerador estava sem gas\u00f3leo, fic\u00e1vamos \u00e0s escuras da pr\u00f3xima vez que faltasse a electricidade. Foi preciso ir \u00e0s traseiras do pr\u00e9dio para lhe encher o dep\u00f3sito. Nas traseiras existiu um pequeno p\u00e1tio onde os inquilinos podiam lavar e estender a roupa. Actualmente est\u00e1 ocupado por uma s\u00e9rie de jaulas onde se mant\u00eam em cativeiro diversos geradores. H\u00e1 geradores pequenos e grandes e cada um de sua cor. O nosso \u00e9 azul e estava cheio de sede. O gas\u00f3leo est\u00e1 armazenado em <em>jerrycans<\/em> que se arrumam entre a parede e a m\u00e1quina. Como a jaula \u00e9 apertada e o gerador est\u00e1 mesmo no meio, a posi\u00e7\u00e3o de abastecimento \u00e9 um pouco ingrata e levantar os 20 kg de gas\u00f3leo \u00e0 altura da cintura com os bra\u00e7os esticados e acertar no funil sem levar um banho \u00e9 complicado. L\u00e1 consegui faz\u00ea-lo. Devemos estar descansados nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Tudo o que deixa de servir \u00e9 deitado para a rua. De alguma forma acabar\u00e1 por desaparecer. Com o lixo \u00e9 assim que se processa. Com os carros, \u00e9 o mesmo. Quando se abandona um autom\u00f3vel ele acabar\u00e1 por desaparecer, quer por ser destru\u00eddo por uma obra qualquer, quer por ser desmontado e vendido \u00e0s pe\u00e7as nos mercados. V\u00eaem-se autom\u00f3veis muito recentes abandonados nas bermas. O que me faz confus\u00e3o \u00e9 ver carros blindados abandonados. Em Luanda j\u00e1 vi pelo menos tr\u00eas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana20.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA <em>decomposi\u00e7\u00e3o<\/em> j\u00e1 come\u00e7ou<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana21.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nQuem \u00e9 que abandona um <em>carro<\/em>&#8211;<em>forte<\/em>?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana22.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAt\u00e9 os letreiros que assistiram \u00e0 independ\u00eancia angolana se v\u00e3o sumindo lentamente<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana23.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nTodos os dias se varre o mesmo peda\u00e7o de estrada<\/p>\n<p>Numa sociedade sem direito a luxos, de vez em quando vejo algu\u00e9m a passear um c\u00e3o. \u00c9 algo que me deixa intrigado, especialmente porque os africanos costumam ter medo de c\u00e3es. Mas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 c\u00e3es que se passeiam \u00e0 trela. Ontem vi passear uma cabra\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana24.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAnda <em>Bobby<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Cada vez sei menos de Angola, mas tenho a ideia de que os ideais de Agostinho Neto est\u00e3o de costas voltadas para os angolanos\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062208-1054-fimdesemana25.jpg\" alt=\"\" \/><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Compra laranja doces<br \/>\nCompra-me tamb\u00e9m o amargo<br \/>\nDesta tortura<br \/>\nDa vida sem vida.&#8221;<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size:10pt\"><em>In: Quitandeira<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fez ontem uma semana que cheguei a Luanda. 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