{"id":1561,"date":"2008-11-21T00:00:23","date_gmt":"2008-11-20T23:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1561"},"modified":"2009-07-19T13:56:46","modified_gmt":"2009-07-19T12:56:46","slug":"o-drama-a-tragdia-o-horror","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/o-drama-a-tragdia-o-horror\/","title":{"rendered":"O drama, a trag\u00e9dia, o horror!"},"content":{"rendered":"<p>Quando n\u00e3o se sabe muito bem o que fazer para o jantar \u00e9 preciso recorrer \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o e inventar qualquer coisa com o que se encontra nos arm\u00e1rios e no frigor\u00edfico.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 tinha descongelado um peito de frango brasileiro (<em>halal<\/em>, por sinal), pensei que um arroz de carne n\u00e3o fosse m\u00e1 ideia. No entanto, s\u00f3 no final \u00e9 que teria a certeza do que resultaria.<\/p>\n<p>Ainda antes de saber o que vai sair, come\u00e7amos por p\u00f4r um pouco de azeite num tacho para fazer um refogado, a base da culin\u00e1ria portuguesa!<\/p>\n<p>A seguir pica-se uma cebola. Se a encontrarmos&#8230; O drama! A trag\u00e9dia! O horror! N\u00e3o h\u00e1 cebolas! E agora? Como se faz um refogado sem cebola?<\/p>\n<p>Quando fomos ao Jumbo n\u00e3o trouxemos cebolas. As que l\u00e1 tinham estavam t\u00e3o podres que at\u00e9 cheiravam mal. Fui \u00e0 mercearia da esquina. \u00c0 noite, todos olhavam para mim e pensavam no mesmo que eu: <em>\u00abHaver\u00e1 alguma coisa mais deprimente que um branco de cal\u00e7\u00f5es?\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Tinham sete batatas, um abacaxi, alguns p\u00eassegos com bolor e bananas com aspecto de terem sido atropeladas por um candongueiro. Nada de cebolas.<\/p>\n<p>Estava-me a parecer que um refogado decente se mostrava cada vez mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o tem c\u00e3o, ca\u00e7a com gato. E quem n\u00e3o tem cebola, refoga com&#8230; alho? E porque n\u00e3o? Logo se ver\u00e1 como sai.<\/p>\n<p>Alho picado para o azeite. Deixa-se ganhar cor. Junta-se o tomate. Foge-se do <em>PSHHH<\/em> e dos salpicos. Junta-se o sumo do tomate. Juntam-se alguns condimentos.<\/p>\n<p>O frango brasileiro vai para o tacho cortado aos cubos. Junta-se pouco de \u00e1gua quente e deixa-se apurar. Uma ch\u00e1vena de arroz basmati acaba l\u00e1 dentro. Juntam-se vinte minutos de lume brando.<\/p>\n<p>Ponho-me a pensar no frango <em>halal<\/em>. \u00c9 morto \u00e0 m\u00e3o por causa do preceito Isl\u00e2mico ou porque as m\u00e1quinas s\u00e3o caras? Lembro-me da comunidade judaica em Lisboa que, \u00e0 falta de talho <em>kosher<\/em>, se abastece no talho <em>halal<\/em>. O talhante mu\u00e7ulmano agradece a freguesia. Se em Lisboa s\u00e3o bons vizinhos, porque n\u00e3o o conseguem ser l\u00e1 na ponta do Mediterr\u00e2neo?<\/p>\n<p>O cron\u00f3metro come\u00e7a aos saltos no arm\u00e1rio e desperta-me dos pensamentos de judeus, mu\u00e7ulmanos, brasileiros e frangos. Est\u00e1 pronto. Tudo para a mesa!<\/p>\n<p>At\u00e9 nem correu mal. Deixa c\u00e1 provar. Bolas, esqueci-me do sal!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando n\u00e3o se sabe muito bem o que fazer para o jantar \u00e9 preciso recorrer \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o e inventar qualquer coisa com o que se encontra nos arm\u00e1rios e no frigor\u00edfico. Como j\u00e1 tinha descongelado um peito de frango brasileiro (halal, por sinal), pensei que um arroz de carne n\u00e3o fosse m\u00e1 ideia. 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