{"id":1603,"date":"2008-12-02T00:00:27","date_gmt":"2008-12-01T23:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1603"},"modified":"2008-11-21T02:11:29","modified_gmt":"2008-11-21T01:11:29","slug":"electricidade-cinderela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/electricidade-cinderela\/","title":{"rendered":"Cinderela el\u00e9ctrica"},"content":{"rendered":"<p>Ao fim de algumas semanas de relativa estabilidade no fornecimento el\u00e9ctrico, a luz voltou a faltar. Era S\u00e1bado de manh\u00e3, como de costume. Voltou l\u00e1 para a noitinha, como de costume.<\/p>\n<p>Como s\u00f3 tem faltado quando estamos a trabalhar, apenas os mostradores dos aparelhos a piscar denunciam a sua falta de compar\u00eancia durante as horas de expediente. Temos tido uns ser\u00f5es confort\u00e1veis, com computadores e m\u00e1quinas de ar condicionado a funcionar em sintonia com o frigor\u00edfico.<\/p>\n<p>Tudo parecia correr bem, at\u00e9 ao fat\u00eddico S\u00e1bado. J\u00e1 habituados a n\u00e3o ligar o gerador s\u00f3 porque sim, que a luz volta daqui a uns minutos. Desta vez n\u00e3o voltou t\u00e3o depressa. Passada a hora do pequeno-almo\u00e7o, resolvemos ir dar ao bot\u00e3o para ligar o gerador. O micro-ondas precisava de trabalhar.<\/p>\n<p>Accionamos o circuito de socorro e baixamos a pequena alavanca que faz acordar o gerador. Uns segundos depois, o testemunho de tens\u00e3o na rede deveria ter-se acendido com um ligeiro tremeluzir. N\u00e3o acendeu, ou ent\u00e3o o tremeluzir era uma esp\u00e9cie de tremescurecer.<\/p>\n<p>Toca a descer as escadas, abrir a jaula do animal feroz que \u00e9 o gerador. Est\u00e1 sempre de asas abertas, amea\u00e7ador. Na verdade, a gaiola onde est\u00e1 enfiado \u00e9 demasiado pequena para que se consigam abrir as portas de acesso ao motor e foi l\u00e1 instalado com ambas abertas para se encher tudo de p\u00f3.<\/p>\n<p>Levanto a cobertura do painel e tento o arranque manual. Nada. Fa\u00e7o o pr\u00e9-aquecimento das velas. A luz vermelha acende, mas vai esmorecendo. Carrego outra vez no arranque. Nada. Passo os dedos nos instrumentos, abrindo uns sulcos fundos na camada de p\u00f3 que os esconde. Encontro o volt\u00edmetro que mede a tens\u00e3o da bateria de arranque. Ligo-o. Menos de oito volts. Mau sinal. O gerador n\u00e3o arranca sozinho. Procuro um eventual arranque manual, mas sem grande esperan\u00e7a. Ao fim de duas voltas \u00e0 m\u00e1quina, concluo que n\u00e3o existe nenhum. Temos de esperar que volte a electricidade.<\/p>\n<p>Fomos t\u00e3o poupadinhos com o gerador que acabou por ficar com a bateria descarregada&#8230; Quer-me parecer que o desperd\u00edcio de recursos \u00e9 a lei nesta terra. Mesmo que n\u00e3o precises, liga a porcaria do gerador!<\/p>\n<p>Umas noites depois, descobri que a electricidade de Luanda \u00e0s vezes faz de Gata Borralheira. Exactamente ao bater da meia-noite a luz falhou. N\u00e3o chegou a ir-se completamente, mas foi o suficiente para que a maioria dos aparelhos se desligassem. Uma subtens\u00e3o que desligou as l\u00e2mpadas fluorescentes, o modem e o ar condicionado. Uma l\u00e2mpada de halog\u00e9neo manteve-se, heroicamente, a iluminar o escrit\u00f3rio. A sua luz alaranjada, pr\u00f3xima da cor das ab\u00f3boras, quebrava o breu. \u00abVirou ab\u00f3bora\u00bb, pensei.<\/p>\n<p>Alguns minutos depois, algu\u00e9m achou o p\u00e9 para o sapatinho perdido. A electricidade voltou!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao fim de algumas semanas de relativa estabilidade no fornecimento el\u00e9ctrico, a luz voltou a faltar. Era S\u00e1bado de manh\u00e3, como de costume. Voltou l\u00e1 para a noitinha, como de costume. 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