{"id":1627,"date":"2008-12-05T00:00:16","date_gmt":"2008-12-04T23:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1627"},"modified":"2009-07-18T13:31:38","modified_gmt":"2009-07-18T12:31:38","slug":"luanda-dos-pssaros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/luanda-dos-pssaros\/","title":{"rendered":"Luanda dos p\u00e1ssaros"},"content":{"rendered":"<p>Luanda \u00e9 uma cidade quase plana e em nenhuma altura conseguimos abarcar a sua imensid\u00e3o. Cinco milh\u00f5es de pessoas t\u00eam de se acomodar em algum lugar e, mesmo com as densidades populacionais africanas, \u00e9 preciso muito espa\u00e7o para tanta gente.<\/p>\n<p>A desorganiza\u00e7\u00e3o das ruas dos musseques tamb\u00e9m dificulta as coisas, com muitos becos sem sa\u00edda ou ruas que aparecem e desaparecem consoante as casas crescem ou caem.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-0181.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_018\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nA famosa <em>vala<\/em> com lixo multicolor<\/p>\n<p>Vista do ar, ganha uma dimens\u00e3o surpreendente. At\u00e9 onde a neblina come\u00e7a a esbater o horizonte vemos casas cinzentas com telhados de chapa seguros por pedras. Ruas tortuosas que desembocam em estradas retorcidas v\u00e3o ligando bairros iguais uns aos outros. L\u00e1 pelo meio vemos mercados mais ou menos concorridos e, serpenteando por entre isto tudo, as <em>valas<\/em>, por onde escorrem os esgotos e os sacos de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-0191.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_019\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nTelhados de chapa e o p\u00f3 da cidade<\/p>\n<p>Ao circular nas ruas de Luanda, temos a impress\u00e3o de que h\u00e1 muitos t\u00e1xis. L\u00e1 de cima temos a certeza. S\u00e3o demasiados. Em cada quatro ve\u00edculos a circular, dois deles est\u00e3o pintados de azul e branco. O terceiro tamb\u00e9m faz servi\u00e7o de t\u00e1xi, mas de forma ilegal. N\u00e3o que os outros estejam legais, mas estes s\u00e3o mais ilegais. O quarto est\u00e1 l\u00e1 por engano.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-184.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_184\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nMercado concorrido<\/p>\n<p>A desorganiza\u00e7\u00e3o organizada da cidade de telhados de chapa come\u00e7a a fazer sentido, \u00e0 sua maneira, claro. Os pontos nevr\u00e1lgicos surgem onde se espera. Os mercados concentram-se nos cruzamentos das estradas mais concorridas, por onde vemos escorrer um fluxo azul e branco.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-185.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_185\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nPra\u00e7a de t\u00e1xis do Rocha Pinto<\/p>\n<p>O lixo continua a colorir a cidade ba\u00e7a do p\u00f3. S\u00f3 a maior altitude \u00e9 que passa despercebido. At\u00e9 as <em>valas<\/em>, que, de perto, n\u00e3o escondem a sua origem, passam a ser assinaladas por manchas verde-escuro. As \u00e1rvores v\u00e3o crescendo e escondendo o lixo e o esgoto. L\u00e1 de cima parecem s\u00f3 bordejar um rio&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-0051.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_005\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nCinco milh\u00f5es de pessoas&#8230;<\/p>\n<p>Ao olhar para o horizonte, n\u00e3o podemos deixar de nos perguntar se alguma vez se conseguir\u00e1 resolver o n\u00f3 g\u00f3rdio em que Luanda se transformou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luanda \u00e9 uma cidade quase plana e em nenhuma altura conseguimos abarcar a sua imensid\u00e3o. Cinco milh\u00f5es de pessoas t\u00eam de se acomodar em algum lugar e, mesmo com as densidades populacionais africanas, \u00e9 preciso muito espa\u00e7o para tanta gente. 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