{"id":1646,"date":"2008-12-09T00:00:11","date_gmt":"2008-12-08T23:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1646"},"modified":"2009-08-08T22:21:36","modified_gmt":"2009-08-08T21:21:36","slug":"vendedoras-de-mangas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/vendedoras-de-mangas\/","title":{"rendered":"Vendedoras de mangas"},"content":{"rendered":"<p>Nos finais de Novembro, fomos at\u00e9 \u00e0 Cabala, s\u00f3 mesmo para sair de Luanda. No regresso, par\u00e1mos para comprar mangas, perto do km 40, na estrada de Catete.<\/p>\n<p>As mangueiras \u00e0 beira da estrada est\u00e3o carregadas, mas ainda n\u00e3o t\u00eam os frutos todos maduros. Os que est\u00e3o melhores s\u00e3o vendidos pelas mulheres \u00e0 porta de casa.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes \u00e9 uma banca isolada, mas \u00e9 frequente juntarem-se meia-d\u00fazia de mulheres para irem conversando entre cada cliente.<\/p>\n<p>As mangas eram todas iguais, pelo que a escolha da vendedora tinha de seguir outros crit\u00e9rios que n\u00e3o a qualidade da fruta. Mirei as vendedoras e havia uma que se destacava. Era a <em>mais-velha<\/em>!<\/p>\n<p>Num povo que envelhece devagar e morre cedo, encontrar algu\u00e9m com cabelos brancos \u00e9 dif\u00edcil. Encontrar uma cabe\u00e7a toda branca ainda \u00e9 mais invulgar. Mas encontrar uma mulher de barba branca \u00e9, certamente, raro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-005.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_005\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nA Av\u00f3 Maria<\/p>\n<p>Numa terra onde as mulheres mais velhas s\u00e3o chamadas de <em>M\u00e3e<\/em>, \u00e9 interessante encontrar uma a quem todos chama de <em>Av\u00f3<\/em>. A Av\u00f3 Maria vendia um prato de mangas pequeninas a 100 Kz. \u00c9 um pre\u00e7o que quase merecia ser regateado para cima&#8230;<\/p>\n<p>Achei que n\u00e3o podia de l\u00e1 sair ser fazer um retrato da senhora. Perguntei se podia. Disseram logo que n\u00e3o. Recusaram porque depois eu levava a fotografia para fora do pa\u00eds (o branco a explorar os recursos de Angola, novamente). No fundo, tinha de pagar os direitos de imagem.<\/p>\n<p>Aceitei a recusa e comecei a guardar a m\u00e1quina. Perguntaram quando \u00e9 que trazia as fotos&#8230; e depois perguntaram \u00e0 Av\u00f3 se queria que eu lhe tirasse o retrato&#8230;<\/p>\n<p>A senhora deu um passo atr\u00e1s e fez uma pose militar, muito direita. Escondeu os poucos dentes que ainda tem e esperou. Mostrei-lhe como tinha sa\u00eddo. Sorriu.<\/p>\n<p>A seguir, foi um corropio \u00e0 frente da m\u00e1quina. Todas as que n\u00e3o queriam o retrato tirado se perfilavam em frente \u00e0 m\u00e1quina.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-006.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_006\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nPose militar<\/p>\n<p>A mais nova agarrou numa manga e fez uma pose sensual. Deve querer oferecer a fotografia ao namorado&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-007.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_007\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nA pose sensual<\/p>\n<p>A mais renitente de todas, ao ver o resultado das outras fotos, apareceu a correr. Colocou-se \u00e0 frente das bancas e mostrou como as vendedoras de mangas bebem cerveja.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-008.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_008\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nEu tamb\u00e9m, eu tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Pelo rabinho do olho ia espreitando a m\u00e1quina e sorria.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-009.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_009\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nJ\u00e1 est\u00e1?<\/p>\n<p>Na outra ponta, a senhora mais envergonhada seguia esta agita\u00e7\u00e3o toda. Perguntei se tamb\u00e9m a podia fotografar. Disse que sim. Escondeu o sorriso atr\u00e1s de uma manga e esperou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-010.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_010\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nM\u00e3e Juliana<\/p>\n<p>Ficou prometido deixar l\u00e1 umas fotografias numa das nossas pr\u00f3ximas passagens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos finais de Novembro, fomos at\u00e9 \u00e0 Cabala, s\u00f3 mesmo para sair de Luanda. No regresso, par\u00e1mos para comprar mangas, perto do km 40, na estrada de Catete. As mangueiras \u00e0 beira da estrada est\u00e3o carregadas, mas ainda n\u00e3o t\u00eam os frutos todos maduros. 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