{"id":1738,"date":"2008-12-22T00:00:26","date_gmt":"2008-12-21T23:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1738"},"modified":"2009-08-08T21:39:00","modified_gmt":"2009-08-08T20:39:00","slug":"horizontes-largos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/horizontes-largos\/","title":{"rendered":"Horizontes largos"},"content":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que a paisagem molda o esp\u00edrito das gentes? Nunca tinha pensado seriamente no assunto, at\u00e9 ao dia em dei por mim no meio de \u00c1frica, admirando um horizonte infinito, com p\u00e1ssaros a fazer a banda sonora.<\/p>\n<p>Portugal \u00e9 um pa\u00eds pequeno. Muito variado, \u00e9 certo; mas acima de tudo, \u00e9 pequeno. No horizonte est\u00e1 sempre \u00e0 espreita uma povoa\u00e7\u00e3o qualquer, uma marca de civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica, at\u00e9 bem para l\u00e1 do horizonte s\u00f3 h\u00e1 mais \u00c1frica. Muito, muito longe, encontramos uma povoa\u00e7\u00e3o. Se tivermos sorte, haver\u00e1 uma estrada que nos leva de volta \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o de que dependemos para sobreviver.<\/p>\n<p>Come\u00e7o agora a compreender o esp\u00edrito empreendedor dos retornados, que tomavam cada obst\u00e1culo como mais uma oportunidade. L\u00e1 em \u00c1frica (no tempo deles) e c\u00e1 em \u00c1frica (no meu tempo), as coisas que damos por certas em Portugal, n\u00e3o existem. Se se quer alguma coisa \u00e9 preciso faz\u00ea-la, ser auto-suficiente, lutar.<\/p>\n<p>\u00c9 que, l\u00e1 no meio de \u00c1frica, temos a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o podemos depender de mais ningu\u00e9m para al\u00e9m de n\u00f3s mesmos. Todas aquelas pequenas coisas que achamos significarem civiliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o ausentes. \u00c1gua, electricidade, comida, tudo s\u00e3o desafios.<\/p>\n<p>Em Portugal, tamb\u00e9m devido ao seu tamanho, as pessoas s\u00e3o mais reservadas. H\u00e1 sempre algu\u00e9m por perto, observando o que fazemos ou deixamos de fazer. Na imensid\u00e3o de \u00c1frica, as gentes s\u00e3o poucas e o espa\u00e7o \u00e9 mais que muito para dar largas at\u00e9 \u00e0s emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No cimo de um monte, tendo o Kwanza a inspirar-me l\u00e1 em baixo, enchi os pulm\u00f5es com cantos de p\u00e1ssaros e os olhos com os verdes que n\u00e3o acabam. Pensei na magn\u00edfica sensa\u00e7\u00e3o de liberdade que me invadia e senti o esp\u00edrito a crescer. Maravilha!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"197\" alt=\"\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/blog-12-10-01.jpg\" width=\"600\" border=\"0\"><br \/>A fotografia n\u00e3o lhe faz jus <\/p>\n<p>Quem aqui cresceu tem de ser diferente!<\/p>\n<p>Imaginei o que seria poder percorrer as matas que me rodeavam. Depois lembrei-me dos paus vermelhos e brancos que tinha visto umas horas atr\u00e1s. Voltei a contemplar o que me rodeava e tentei imaginar quantas minas ainda se escondiam por ali&#8230; a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade foi-se. Ficou apenas um amargo de boca. Olhava o fruto proibido&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser\u00e1 que a paisagem molda o esp\u00edrito das gentes? Nunca tinha pensado seriamente no assunto, at\u00e9 ao dia em dei por mim no meio de \u00c1frica, admirando um horizonte infinito, com p\u00e1ssaros a fazer a banda sonora. Portugal \u00e9 um pa\u00eds pequeno. Muito variado, \u00e9 certo; mas acima de tudo, \u00e9 pequeno. No horizonte est\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,37,361,90],"tags":[17,504,34,508,509],"class_list":["post-1738","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","category-massangano","category-provincia-do-kwanza-norte","category-rio-kwanza","tag-marcas-de-guerra","tag-minas","tag-natureza","tag-paisagens","tag-retornados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1738"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3211,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1738\/revisions\/3211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}