{"id":1740,"date":"2008-12-27T00:00:15","date_gmt":"2008-12-26T23:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1740"},"modified":"2009-09-04T14:30:06","modified_gmt":"2009-09-04T13:30:06","slug":"meto-me-nojo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/meto-me-nojo\/","title":{"rendered":"Meto-me nojo"},"content":{"rendered":"<p>O Ver\u00e3o tropical n\u00e3o \u00e9 particularmente quente. A avaliar pelas temperaturas m\u00ednimas e m\u00e1ximas, apenas a sua extraordin\u00e1ria monotonia se destaca. Trinta graus de m\u00e1xima, vinte e cinco de m\u00ednima. \u00c9 quente, mas nada de inusitado.<\/p>\n<p>Aquilo que mais difere dos Ver\u00f5es temperados \u00e9 a humidade no ar. O ar saturado, com o vapor de \u00e1gua a condensar aos 24\u00ba, torna a atmosfera pesada e pastosa. E isso \u00e9 uma coisa que os term\u00f3metros n\u00e3o explicam.<\/p>\n<p>O ar denso cola-se \u00e0 pele e aos cabelos. Inspirar passa a dar trabalho porque o g\u00e1s a que estamos acostumados \u00e9 agora um fluido parecido com o mela\u00e7o que n\u00e3o quer passar pelas narinas e se acumula no fundo dos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>Com esta humidade toda, o suor n\u00e3o evapora e os 30\u00ba do term\u00f3metro parecem muito mais. Tal como o vento aumenta a sensa\u00e7\u00e3o de frio, a humidade exagerada aumenta a sensa\u00e7\u00e3o de calor.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou o maior f\u00e3 de ar condicionado do mundo, mas dou por mim a ansiar o pequeno bot\u00e3o com a luz verde que diz <em>A\/C<\/em>. Na maior parte das vezes at\u00e9 acho desagrad\u00e1vel ter uma corrente de ar frio no meio de uma atmosfera t\u00e3o opressiva, mas, assim que o desligo e come\u00e7o a suar em bica, mudo logo de ideias.<\/p>\n<p>No escrit\u00f3rio c\u00e1 de casa costumamos ter o aparelho de ar condicionado ligado, tentando manter uma temperatura civilizada entre os 24\u00ba e os 26\u00ba e sem muita humidade. Com os computadores ligados \u00e9 essencial. Acontece que a purga entupiu e, at\u00e9 se resolver o problema, n\u00e3o o podemos ligar. Se o fizermos podemos assistir a um espect\u00e1culo de \u00e1guas vivas a salpicar do ventilador at\u00e9 ao ch\u00e3o. Agora est\u00e1 desligado, mas vou-lhe deitando o rabinho do olho na secreta esperan\u00e7a de que tenha pena de mim e comece a trabalhar.<\/p>\n<p>E com tanto suor que n\u00e3o evapora, andamos sempre com a roupa colada ao corpo, envolvidos num banho maria de \u00e1gua salgada. O cabelo empapa suor, a roupa empapa suor, as meias empapam suor e at\u00e9 as notas de Kwanza nos bolsos ficam h\u00famidas e peganhentas.<\/p>\n<p>Os p\u00ealos do corpo habitualmente permitem dar conta dos mosquitos indesejados ainda mesmo antes de terem tempo de nos provarem o sangue. Agora, todos colados \u00e0 pele, obrigam-nos a estar mais atentos aos bichos voadores.<\/p>\n<p>No final do dia, a roupa tem um cheiro adocicado misturado com o p\u00f3 de Luanda. Dou por mim agoniado com este meu cheiro a catinga e sensa\u00e7\u00e3o de sujo. Passo as m\u00e3os na cara e no cabelo. Est\u00e3o h\u00famidos e peganhentos. A pele est\u00e1 reluzente, gordurosa. Meto-me nojo!<\/p>\n<p>Vou para o duche.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ver\u00e3o tropical n\u00e3o \u00e9 particularmente quente. A avaliar pelas temperaturas m\u00ednimas e m\u00e1ximas, apenas a sua extraordin\u00e1ria monotonia se destaca. Trinta graus de m\u00e1xima, vinte e cinco de m\u00ednima. \u00c9 quente, mas nada de inusitado. Aquilo que mais difere dos Ver\u00f5es temperados \u00e9 a humidade no ar. 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