{"id":1806,"date":"2009-01-02T00:00:30","date_gmt":"2009-01-01T23:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1806"},"modified":"2009-01-02T04:20:49","modified_gmt":"2009-01-02T03:20:49","slug":"aan-e-um-haiku","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/aan-e-um-haiku\/","title":{"rendered":"AAN e um haiku"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 muitos anos atr\u00e1s, quando o boletim meteorol\u00f3gico n\u00e3o era apresentado por senhoras escolhidas a dedo pelos seus dotes de fazer boas poses em frente \u00e0 c\u00e2mara, mas sim por uns canastr\u00f5es do Instituto de Meteorologia vestidos para um funeral, havia muito mais a dizer acerca do tempo que faria no dia seguinte.<\/p>\n<p>Hoje em dia sabemos tudo quanto h\u00e1 para saber apenas com meia d\u00fazia de s\u00edmbolos meio infantis. Ora temos um Sol bem amarelinho e cheio de raios, ora temos umas nuvens fofinhas, ora temos uns risquinhos que tentam dizer que vai chover. \u00c0s vezes aparece um borr\u00e3o que indica nevoeiro ou um cristal de neve. Acrescentam a isto, uns n\u00fameros aproximados das temperaturas m\u00e1ximas e m\u00ednimas. Todos sabemos que a m\u00e1xima anunciada nunca \u00e9 t\u00e3o fresca e que a m\u00ednima ser\u00e1 bem mais g\u00e9lida. Temos de tentar adivinhar n\u00f3s como ser\u00e1 o dia seguinte. No fundo, \u00e9 como adivinhar a lotaria apenas com a termina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma coisa de que me lembro muito bem \u00e9 a sigla AAN, que costumava aparecer sobre o mapa do pa\u00eds por alturas do Natal. Deixem l\u00e1 os n\u00fameros e os bonecos, isto sim, descreve bem o tempo. AAN &#8211; Acentuado Arrefecimento Nocturno!<\/p>\n<p>Durante o dia, o frio at\u00e9 se suporta. Olhamos pela janela e vemos os pardais inchados, eri\u00e7ando as penas por causa do frio. Os relvados fumegam e fazem desaparecer o horizonte numa neblina fina, que o Sol baixo n\u00e3o consegue penetrar.<\/p>\n<p>Vemos o nosso bafo e brincamos um bocadinho aos comb\u00f3ios a vapor. Depois cansamo-nos e metemos as m\u00e3os nos bolsos. A hist\u00f3ria do nosso corpo, contada atrav\u00e9s de quedas e entorses, \u00e9-nos relembrada \u00e0 custa de algumas dores aqui e ali. Come\u00e7amos a compreender os mais velhos, que se queixam do tempo a mudar.<\/p>\n<p>Mas chega a noite e o frio come\u00e7a a fazer-se notar. \u00c9 mais um casaco que se veste, \u00e9 a cadeira que se aproxima um pouco da lareira. Come\u00e7amos a desejar ter aproveitado melhor o Sol de Inverno, fraquinho, mas que sabe t\u00e3o bem nas costas. At\u00e9 merece um <em>haiku<\/em>!<\/p>\n<blockquote><p><em>Ouvindo um regato que murmura,<br \/>\nCom o Sol de Inverno nas costas.<br \/>\nPara\u00edso num momento!<br \/>\n<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Chegada a hora de deitar, percebemos o verdadeiro significado do AAN, quando nos despimos e tentamos entrar na cama \u00e0 her\u00f3i. Os len\u00e7\u00f3is, que nunca se queixam do tempo, parecem estar molhados, de t\u00e3o frios que est\u00e3o. A nossa entrada triunfante na cama, com vontade de nos esticarmos, acaba num cobarde tiritar em posi\u00e7\u00e3o fetal. Os bra\u00e7os seguram os joelhos e expiramos para o peito. Teria sido t\u00e3o mais sensato ligar o aquecimento umas horas antes&#8230; agora n\u00e3o vale a pena.<\/p>\n<p>Acabamos por aquecer a cama e, lentamente, vamo-nos esticando at\u00e9 a ocuparmos toda. Adormecemos profundamente. Sonhamos com um AAN que queira dizer Acentuado Aquecimento Nocturno.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 tinha saudades de um friozinho da Zona Temperada Setentrional. O calor dos tr\u00f3picos aborrece-nos com a sua monotonia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muitos anos atr\u00e1s, quando o boletim meteorol\u00f3gico n\u00e3o era apresentado por senhoras escolhidas a dedo pelos seus dotes de fazer boas poses em frente \u00e0 c\u00e2mara, mas sim por uns canastr\u00f5es do Instituto de Meteorologia vestidos para um funeral, havia muito mais a dizer acerca do tempo que faria no dia seguinte. Hoje em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,27,25],"tags":[],"class_list":["post-1806","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","category-lisboa","category-portugal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1806"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1806\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1814,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1806\/revisions\/1814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}