{"id":1834,"date":"2009-01-10T00:00:03","date_gmt":"2009-01-09T23:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1834"},"modified":"2009-09-04T14:56:17","modified_gmt":"2009-09-04T13:56:17","slug":"do-outro-lado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/do-outro-lado\/","title":{"rendered":"Do outro lado"},"content":{"rendered":"<p>Durante anos me interroguei acerca da origem de alguns nomes com que cresci. Tinham sonoridades estranhas e significados desconhecidos.<\/p>\n<p>Percebo hoje que as refer\u00eancias a \u00c1frica, sobretudo a Angola, est\u00e3o um pouco por toda a parte. N\u00e3o sei se a saudade angolana \u00e9 maior que a mo\u00e7ambicana ou guineense, mas o certo \u00e9 que Angola est\u00e1 presente nos sonhos de muitos portugueses. A Angola colonial, isto \u00e9.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-053.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_053\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nNa Avenida de Roma, em Lisboa<\/p>\n<p>Perto da casa onde cresci existiu um restaurante chamado Kalunga. Contaram-me ter sido aberto por retornados. Infelizmente acabou por fechar. As crises que se seguiram ao fim da era colonial n\u00e3o deixavam muitos clientes aos restaurantes. Sei agora que vieram de Angola e que o nome da casa era po\u00e9tico. Kalunga \u00e9 <del datetime=\"2009-01-11T11:24:21+00:00\">a deusa do Mar. Ter\u00e1 sido ela quem protegeu as fr\u00e1geis caravelas em costas africanas?<\/del> o Mar, aquele que as caravelas percorreram.<\/p>\n<p>(<em>Nota: Fui devidamente corrigido pelo coment\u00e1rio deixado por <\/em>Denudado<em> e pelo seu excelente artigo n&#8217;<\/em><a href=\"http:\/\/amateriadotempo.blogspot.com\/2006\/03\/kianda.html\">A Mat\u00e9ria do Tempo<\/a>)<\/p>\n<p>Na pra\u00e7a onde se cruzam as Avenidas de Roma e dos Estados Unidos da Am\u00e9rica erguem-se os edif\u00edcios que simbolizam a arquitectura portuguesa em \u00c1frica. Olhar para eles e n\u00e3o pensar em terras distantes \u00e9 imposs\u00edvel. No r\u00e9s-do-ch\u00e3o de um h\u00e1 uma pastelaria famosa. Chama-se Luanda. Em Luanda h\u00e1 uma pastelaria chamada Lisboa&#8230;<\/p>\n<p>Quando era pequeno, uma loja de m\u00f3veis tinha um nome complicado. N\u00e3o o conseguia pronunciar devidamente e tampouco perceber o seu significado. Ainda hoje l\u00e1 est\u00e1 o letreiro, marcando o regresso de algu\u00e9m \u00e0 metr\u00f3pole.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-055.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_055\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nTanta confus\u00e3o me fez este nome<\/p>\n<p>Os m\u00f3veis Hu\u00edla poderiam parecer apenas um acaso, uma maneira de perpetuar a mem\u00f3ria da terra deixada, mas afinal h\u00e1 mais exemplos. Em Lisboa encontramos uma loja de autom\u00f3veis cujo nome tamb\u00e9m simboliza essa saudade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-052.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_052\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nEspero que n\u00e3o venda carros importados de Angola<\/p>\n<p>Alguns neg\u00f3cios correram mal, como \u00e9 o caso do Kalunga, mas outros singraram e ainda hoje se podem ver os letreiros alusivos a esta terra.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-054.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_054\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nNa Agualva<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a topon\u00edmia angolana que \u00e9 homenageada, \u00e0s vezes s\u00e3o as coisas mais pequenas que marcaram quem veio, por vezes com o desejo de regressar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-056.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_056\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 cajueiros em Portugal<\/p>\n<p>Ap\u00f3s alguns meses de Angola, come\u00e7o a perceber o que motivou os angolanos e portugueses a perpetuar a mem\u00f3ria da terra que os viu partir.<\/p>\n<p>Apercebo-me que a eterna Saudade, aquela que \u00e9 imposs\u00edvel explicar a quem n\u00e3o \u00e9 Portugu\u00eas, est\u00e1 viva e de boa sa\u00fade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 nos poemas de Fernando Pessoa e no Fado que se mostra, \u00e9 tamb\u00e9m em coisas t\u00e3o inocentes como o nome que se d\u00e1 ao neg\u00f3cio que servir\u00e1 de alicerce ao futuro.<\/p>\n<p>Que eu saiba, apenas um av\u00f4 meu esteve em Angola, cumprindo o servi\u00e7o militar durante a long\u00ednqua Grande Guerra. Morreu muito antes de eu nascer e n\u00e3o me deixou mem\u00f3rias para al\u00e9m de alguns factos isolados contados em terceira m\u00e3o. Mais nenhum familiar meu esteve em terras africanas; no entanto, tamb\u00e9m eu sinto essa Saudade de Angola. \u00c9 inexplic\u00e1vel, mas agora percebo os retornados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante anos me interroguei acerca da origem de alguns nomes com que cresci. Tinham sonoridades estranhas e significados desconhecidos. Percebo hoje que as refer\u00eancias a \u00c1frica, sobretudo a Angola, est\u00e3o um pouco por toda a parte. 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