{"id":1837,"date":"2009-01-07T00:00:24","date_gmt":"2009-01-06T23:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1837"},"modified":"2009-07-25T12:21:38","modified_gmt":"2009-07-25T11:21:38","slug":"intolerncias-esteretipos-e-desabafos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/intolerncias-esteretipos-e-desabafos\/","title":{"rendered":"Intoler\u00e2ncias, estere\u00f3tipos e desabafos"},"content":{"rendered":"<p>Aviso desde j\u00e1 que este artigo foge um pouco ao habitual. Se n\u00e3o estiver com pachorra para me aturar, compreendo perfeitamente. Amanh\u00e3 a programa\u00e7\u00e3o volta ao normal.<\/p>\n<p>Desde que comecei a escrever no Aerograma que tenho procurado evitar generaliza\u00e7\u00f5es. Todas s\u00e3o injustas, mesmo as mais bem intencionadas.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que em Angola nem tudo s\u00e3o maravilhas, mas tenho-me esfor\u00e7ado por conseguir ver sempre o lado bom das coisas. Evito classificar os Angolanos nas categorias habituais, porque sei que se h\u00e1 uns que n\u00e3o fogem ao estere\u00f3tipo, muitos outros h\u00e1 que s\u00e3o mil vezes melhores que eu. A grande pena que tenho \u00e9 que apenas os maus exemplos sobressaiam.<\/p>\n<p>Angola \u00e9 um pa\u00eds corrupto? \u00c9, sem d\u00favida. Desde o pol\u00edcia de tr\u00e2nsito ao funcion\u00e1rio p\u00fablico, passando pelos altos cargos, h\u00e1 corruptos em todo o lado. Ser\u00e3o todos? N\u00e3o, obviamente que n\u00e3o. Mas quem de esquemas vive, singra na carreira mais depressa que o honesto. Portugal \u00e9 um pa\u00eds corrupto? Sim, tamb\u00e9m. Tanto como Angola? Talvez, provavelmente n\u00e3o. Ou ent\u00e3o esconde-se melhor. Os compadrios funcionam de igual maneira, mas quer-me parecer que a corrup\u00e7\u00e3o pequena, do pol\u00edcia e do funcion\u00e1rio da reparti\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem v\u00e1 acompanhando o Aerograma. An\u00f3nimos, na sua grande maioria. Alguns s\u00e3o angolanos. N\u00e3o falo apenas dos que deixaram a Angola colonial, mas tamb\u00e9m dos que c\u00e1 vivem e sempre conheceram o pa\u00eds independente. Nem todos aprovar\u00e3o tudo o que escrevo, mas compreendem que apenas expresso a minha opini\u00e3o. Da mesma forma, permito-lhes dizer de sua justi\u00e7a nos coment\u00e1rios que me deixam. Nunca os censurei, nem mesmo os que de mim discordavam.<\/p>\n<p>Por vezes queixo-me dos coment\u00e1rios racistas que oi\u00e7o na rua e da intoler\u00e2ncia que <span style=\"text-decoration: underline;\">alguns<\/span> angolanos t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o aos brancos. Parece que o branco s\u00f3 c\u00e1 vem para explorar o negro, para roubar essa grande na\u00e7\u00e3o que \u00e9 Angola. Os que n\u00e3o pensam desta maneira n\u00e3o se pronunciam e a ideia com que se fica do angolano \u00e9 a de algu\u00e9m muito intolerante, extremamente racista e com o rei na barriga. O sonho deste angolano estereotipado \u00e9 aproveitar as riquezas minerais do pa\u00eds para enriquecer. E, de prefer\u00eancia, que venham chineses para cavar as minas e bombear o petr\u00f3leo. Saem barato e assim n\u00e3o d\u00e1 tanto trabalho. C\u00e1 para mim, o futuro deste angolano \u00e9 ficar sentado \u00e0 beira de uma mina exausta, t\u00e3o pobre como hoje, porque n\u00e3o trabalhou e esperou que algu\u00e9m o fizesse por ele. Mas se lhe disser isto, serei acusado de neo-colonialista, de explorador de negros, de esclavagista, de branco-de-merda&#8230;<\/p>\n<p>Mas agora j\u00e1 nem preciso sair \u00e0 rua para ter de gramar coment\u00e1rios racistas ou intolerantes. Um an\u00f3nimo, porque at\u00e9 teve o trabalho de usar um pseud\u00f3nimo tolo, perdeu tempo a escrever um coment\u00e1rio que s\u00f3 posso classificar de imbecil. Pelo discurso arrogante e inflamado s\u00f3 posso dizer que se enquadra perfeitamente no estere\u00f3tipo do angolano que diz mal do seu pa\u00eds at\u00e9 ao momento em que algu\u00e9m fala dele.<\/p>\n<p>Curiosamente, h\u00e1 v\u00e1rias semanas que n\u00e3o escrevia um artigo mais cr\u00edtico acerca da terra onde agora vivo, e o <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1722\" target=\"_blank\">artigo comentado<\/a> \u00e9 algo de verdadeiramente in\u00f3cuo. N\u00e3o percebo a motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A todos os angolanos que n\u00e3o se rev\u00eaem no estere\u00f3tipo, as minhas mais sinceras desculpas por este desabafo p\u00fablico. Pelo meu contacto com as pessoas desta terra (que \u00e9 fabulosa, digam l\u00e1 o que disserem), sei que os angolanos n\u00e3o s\u00e3o assim. Trabalho com doze angolanos e cruzo-me com largas dezenas todos os dias. \u00c9 tudo gente honesta e trabalhadora.<\/p>\n<p>Aos que o confirmam, v\u00e3o-se lixar (com F mai\u00fasculo)!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aviso desde j\u00e1 que este artigo foge um pouco ao habitual. Se n\u00e3o estiver com pachorra para me aturar, compreendo perfeitamente. Amanh\u00e3 a programa\u00e7\u00e3o volta ao normal. Desde que comecei a escrever no Aerograma que tenho procurado evitar generaliza\u00e7\u00f5es. 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