{"id":1951,"date":"2009-01-31T00:00:25","date_gmt":"2009-01-30T23:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1951"},"modified":"2009-09-19T15:17:02","modified_gmt":"2009-09-19T14:17:02","slug":"huambo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/huambo\/","title":{"rendered":"Huambo"},"content":{"rendered":"<p>Cheg\u00e1mos ao Huambo num dia de chuva que descia de um c\u00e9u cinzento-escuro, rasgado aqui e ali por rel\u00e2mpagos brilhantes. Gotas grossas e quentes precipitavam-se com viol\u00eancia, mas com espa\u00e7amento suficiente para conseguirmos distinguir uma por uma a bater na placa do aeroporto.<\/p>\n<p>A chuva molhava e ensopava, tornando transparente a camisa branca e colando as cal\u00e7as \u00e0s pernas. A chuva molhava e escorria pelo corpo, mas n\u00e3o enregelava. A sua temperatura fazia lembrar o suor nos dias quentes e h\u00famidos do Ver\u00e3o de Luanda.<\/p>\n<p>Ainda antes de sair do aeroporto percebemos que n\u00e3o estamos em Luanda. Algu\u00e9m se aproxima e pede licen\u00e7a para passar entre duas pessoas que conversavam.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"400\" alt=\"Huambo_36\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/huambo-36.jpg\" width=\"600\" border=\"0\"><br \/>Outra vez de cara lavada <\/p>\n<p>A breve vis\u00e3o que se tem da cidade enquanto se vai do aeroporto ao hotel \u00e9 a de se ter chegado a um qualquer lugar importante, com as ruas bem organizadas e cheio de potencial. S\u00f3 depois reparamos nos buracos de balas nas fachadas, nas cicatrizes deixadas pelas granadas nos edif\u00edcios, nas constru\u00e7\u00f5es inacabadas h\u00e1 d\u00e9cadas, nas f\u00e1bricas esventradas&#8230;<\/p>\n<p>Tal como no resto de Angola, s\u00f3 se v\u00eaem mulheres a trabalhar. Os homens esperam nas filas para a gasolina, procurando abastecer o seu t\u00e1xi de duas ou quatro rodas com que passeiam pela cidade. Mas estes cumprem o c\u00f3digo. Param nas passadeiras e respeitam os sem\u00e1foros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"400\" alt=\"Huambo_8\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/huambo-8.jpg\" width=\"600\" border=\"0\"><br \/>Taxista em servi\u00e7o, taxistas abastecendo <\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que acontece em quase todo o pa\u00eds, os jardins p\u00fablicos est\u00e3o cuidados. A relva \u00e9 aparada e propagada para talh\u00f5es novos folha a folha. N\u00e3o h\u00e1 jardineiros, s\u00f3 jardineiras&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"400\" alt=\"Huambo_35\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/huambo-35.jpg\" width=\"600\" border=\"0\"><br \/>Jardineiras <\/p>\n<p>Muitas das ruas n\u00e3o chegaram a perder o seu antigo nome, at\u00e9 mesmo aqueles que teriam sido mudados com a queda do regime fascista. Na verdade, as ruas mudaram de nome, mas tiveram o bom senso de manter todas as placas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"400\" alt=\"Huambo_18\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/huambo-18.jpg\" width=\"600\" border=\"0\"><br \/>Avenida da Independ\u00eancia <\/p>\n<p>Se, em Luanda, os empreendimentos procuram ter um nome patri\u00f3tico, no Huambo t\u00eam nomes familiares para os que deixaram esta terra em 1975. O empreendimento Norton de Matos, em constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 um bom exemplo.<\/p>\n<p>A pra\u00e7a central do Huambo, s\u00f3 por si um monumento \u00e0 arquitectura do Estado Novo, foi recuperada. Mudou de nome, homenageando o primeiro Presidente Angolano, no entanto, as placas topon\u00edmicas homenagenado o primeiro Presidente Portugu\u00eas ainda l\u00e1 est\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"400\" alt=\"Huambo_34\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/huambo-34.jpg\" width=\"600\" border=\"0\"><br \/>Agostinho Neto, na sua pra\u00e7a, antiga Pra\u00e7a Manuel de Arriaga <\/p>\n<p>Os edif\u00edcios dos minist\u00e9rios viram as suas feridas saradas e at\u00e9 o Pal\u00e1cio do Governador, que ficou em muito mau estado durante a guerra civil, parece novo.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 preciso esperar que deixe de chover, para ir conhecer as ruas e as pessoas do Huambo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cheg\u00e1mos ao Huambo num dia de chuva que descia de um c\u00e9u cinzento-escuro, rasgado aqui e ali por rel\u00e2mpagos brilhantes. 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