{"id":1985,"date":"2009-02-03T00:00:52","date_gmt":"2009-02-02T23:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1985"},"modified":"2009-09-18T22:01:49","modified_gmt":"2009-09-18T21:01:49","slug":"cascas-vazias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/cascas-vazias\/","title":{"rendered":"Cascas vazias"},"content":{"rendered":"<p>Quando falamos das v\u00e1rias ru\u00ednas com que nos cruzamos em Angola, quer sejam casas do tempo colonial, quer sejam tra\u00e7ados de ruas que recordam outrras paragens, ou at\u00e9 mesmo os navios encalhados na Praia de S\u00e3o Tiago ou as locomotivas abandonadas em Catete ou Huambo, na verdade, estamos s\u00f3 a falar de cascas vazias. Tentamos imaginar o conte\u00fado destes recept\u00e1culos de mem\u00f3rias, sabemos que j\u00e1 houve uns an\u00f3nimos que as fruiram, mas somos incapazes de os sentir.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/catete-20081209-102047-s09-09206-e013-69247-05.jpg\" border=\"0\" alt=\"Catete_20081209-102047-S09-09206_E013-69247_05\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nCatete<\/p>\n<p>De vez em quando recebo coment\u00e1rios \u00e0s fotografias que publico ou \u00e0s hist\u00f3rias que conto, que enriquecem a minha experi\u00eancia de Angola. Passam a dar-me outra perspectiva daquilo que vi e senti. D\u00e3o-me outros olhos com os quais posso ver as cascas que se me depararam vazias. Encho-as um pouco, digamos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/luanda-20090105-162256-s08-82140-e013-23391-10.jpg\" border=\"0\" alt=\"Luanda_20090105-162256-S08-82140_E013-23391_10\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nLiceu Salvador Correia<\/p>\n<p>Mesmo os edif\u00edcios que v\u00e3o sendo recuperados, s\u00e3o agora marcas do tempo presente e n\u00e3o da altura em que foram constru\u00eddos. O pa\u00eds mudou demasiado para que o sejam. N\u00e3o digo que tenha mudado para melhor ou pior. Mudou, apenas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/huambo-19.jpg\" border=\"0\" alt=\"Huambo_19\" width=\"400\" height=\"600\" \/><br \/>\nCinema Ruacan\u00e1, Huambo<\/p>\n<p>Quando escrevi o artigo acerca dos navios enferrujados que foram encalhados na <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1587\" target=\"_blank\">Praia de S\u00e3o Tiago<\/a>, tratei-os como cascas vazias, dizendo que o seu nome j\u00e1 n\u00e3o interessava. Preocupei-me com a hist\u00f3ria deles como um todo e n\u00e3o com as hist\u00f3rias vividas em cada um. Que foi feito dos marinheiros que os manobraram e que, durante meses a fio, os chamaram de casa?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/blog-111.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" \/><br \/>\nCargueiro Joaquim Kapango, em segundo plano<\/p>\n<p>Afinal, parece que os nomes n\u00e3o eram assim t\u00e3o irrelevantes. Um dos dois navios que se amparavam na velhice chamou-se Joaquim Kapango, facto que continuaria a n\u00e3o me dizer nada, n\u00e3o fosse ter descoberto <a href=\"http:\/\/sol.sapo.pt\/blogs\/dsilva\/archive\/2008\/08\/30\/A-nau-de-Baco_2620_.aspx\" target=\"_blank\">hist\u00f3rias vividas a bordo dele<\/a>, contadas na primeira pessoa.<\/p>\n<p>\u00c9 engra\u00e7ado como, a pouco e pouco, vamos conhecendo mais um pedacinho do mundo e colorindo uma imagem com os tons que os outros nos emprestam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando falamos das v\u00e1rias ru\u00ednas com que nos cruzamos em Angola, quer sejam casas do tempo colonial, quer sejam tra\u00e7ados de ruas que recordam outrras paragens, ou at\u00e9 mesmo os navios encalhados na Praia de S\u00e3o Tiago ou as locomotivas abandonadas em Catete ou Huambo, na verdade, estamos s\u00f3 a falar de cascas vazias. 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