{"id":1998,"date":"2009-02-08T00:00:04","date_gmt":"2009-02-07T23:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1998"},"modified":"2009-09-04T14:34:28","modified_gmt":"2009-09-04T13:34:28","slug":"feiticos-na-ilha-de-luanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/feiticos-na-ilha-de-luanda\/","title":{"rendered":"Feiti\u00e7os na Ilha de Luanda"},"content":{"rendered":"<p>Aquela l\u00edngua de areia que abra\u00e7a Luanda, min\u00fascula, quando comparada com Angola, \u00e9 ber\u00e7o de muitas tradi\u00e7\u00f5es de feiti\u00e7aria e encantamentos. A proximidade do mar e a vida perigosa dos pescadores a isso convida. Conta-se que na Ilha do Cabo h\u00e1 feiticeiros poderosos, capazes de trazer a prosperidade ou a desgra\u00e7a. E, \u00e0s vezes, at\u00e9 mesmo as duas em simult\u00e2neo.<\/p>\n<p>Chamam-lhes os Feiticeiros das Mulembas. Quando o peixe n\u00e3o vem e os pescadores reclamam, executam os seus rituais, enfeiti\u00e7ando as ondas e o mar para que tragam os peixes de volta \u00e0s redes. Mas n\u00e3o\u00a0fazem s\u00f3 o bem. Por vezes, usam as suas magias para virar barcos e afogar os pescadores. S\u00e3o respeitados e temidos pelos poderes que possuem.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m destes feiticeiros, existem tamb\u00e9m as Mam\u00e3s Bessanganas, outras figuras importantes, que s\u00e3o sempre referidas em voz baixa e deferente. Ningu\u00e9m as quer ver ofendidas. Mais vale prevenir. Essas falam directamente com a Kianda, sem precisar de marcar hora. Desgra\u00e7ado do pescador que ofender uma. N\u00e3o volta ao mar. Se o fizer, a Kianda puxa-o do barco e afoga-o. Se n\u00e3o o fizer, morrer\u00e1 com mol\u00e9stias v\u00e1rias e dolorosas.<\/p>\n<p>Distinguem-se pela roupa e pelo len\u00e7o amarrado \u00e0 cabe\u00e7a. Quando pe\u00e7o mais pormenores, dizem-me que as Bahianas se vestem da mesma maneira. O culto a Iemanj\u00e1 nasceu aqui, nas Mam\u00e3s Bessanganas&#8230;<\/p>\n<p>Nos seus rituais, que envolvem sempre muita m\u00fasica e alguma bebida forte, \u00e9 costume que algumas sejam possu\u00eddas pelo esp\u00edrito da Kianda. O mar entra nelas e elas entram no mar. Nessa altura est\u00e3o a xinguilar, agitando-se no ch\u00e3o, revirando os olhos e gritando palavras desconhecidas. L\u00edngua do mar, talvez.<\/p>\n<p>Contaram-me a hist\u00f3ria do taxista que atalhou caminho pela areia, atropelando redes e alguidares de peixe. Conseguiu ultrapassar meia-d\u00fazia de carros, mas teve a pouca sorte de ter afrontado uma das Bessanganas, que logo lhe lan\u00e7ou uma <em>onda<\/em>\u00a0poderosa em jeito de vingan\u00e7a. O rapaz come\u00e7ou a sentir-se mal, a ter dores pelo corpo, a vomitar e a largar cabelo. Poucos minutos depois, morreu. Serviu de exemplo para os que n\u00e3o respeitam as tradi\u00e7\u00f5es da Ilha&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aquela l\u00edngua de areia que abra\u00e7a Luanda, min\u00fascula, quando comparada com Angola, \u00e9 ber\u00e7o de muitas tradi\u00e7\u00f5es de feiti\u00e7aria e encantamentos. A proximidade do mar e a vida perigosa dos pescadores a isso convida. Conta-se que na Ilha do Cabo h\u00e1 feiticeiros poderosos, capazes de trazer a prosperidade ou a desgra\u00e7a. E, \u00e0s vezes, at\u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,83,14,360],"tags":[11,20],"class_list":["post-1998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","category-ilha-do-cabo","category-luanda","category-provincia-de-luanda","tag-feiticeiros","tag-religiao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1998"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1998\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3379,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1998\/revisions\/3379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}