{"id":2019,"date":"2009-02-13T00:00:00","date_gmt":"2009-02-12T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2019"},"modified":"2009-08-08T21:47:35","modified_gmt":"2009-08-08T20:47:35","slug":"os-quilmetros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/os-quilmetros\/","title":{"rendered":"Os quil\u00f3metros&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Quem chega a Angola e come\u00e7a a ouvir os nomes dos locais, \u00e9 capaz de achar que h\u00e1 uma certa histeria colectiva em torno das dist\u00e2ncias quilom\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Quando se fala das praias a sul de Luanda referimo-nos a elas com as do km 55, km 26 ou km 33. Da mesma forma, uma pequena povoa\u00e7\u00e3o a caminho de Catete tem o singelo nome de km 40.<\/p>\n<p>Durante s\u00e9culos aquela povoa\u00e7\u00e3o foi apenas a aldeia que todos conheciam. N\u00e3o precisava ter nome. Cada um sabia que era a sua casa. Noutros lugares, outras aldeias se erguiam e partilhavam o anoniamato oficial. Estavam t\u00e3o isoladas que n\u00e3o precisavam de mais essa complica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apenas os mercados e os grandes centros tinham nome. L\u00e1, onde morava muita gente ou se cruzavam muitos estrangeiros, havia a necessidade de invocar o nome de uma terra que n\u00e3o a sua. De resto, quase todos cresciam, viviam e morriam \u00e0 vista da aldeia onde nasciam. S\u00f3 com a abertura de estradas e a crescente mobilidade das popula\u00e7\u00f5es \u00e9 que passou a ser necess\u00e1rio baptizar cada aldeia e cada lugarejo.<\/p>\n<p>Passou-se a ter uma forma de medir a progress\u00e3o ao longo do caminho. Em vez de se contar o n\u00famero de rios que se cruzava e o n\u00famero de povoa\u00e7\u00f5es onde se parava, \u00e9 muito mais simples memorizar e organizar mentalmente se se derem nomes aos lugares. Cria-se um mapa mais completo com nomes. Ali\u00e1s, um dos prop\u00f3sitos da contru\u00e7\u00e3o de mapas \u00e9 a atribui\u00e7\u00e3o de nomes aos acidentes geogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>Algumas aldeias, por n\u00e3o haver consenso quanto ao seu nome, herdaram a designa\u00e7\u00e3o do marco quilom\u00e9trico mais pr\u00f3ximo. Houve uma invers\u00e3o das hierarquias e a estrada sobrep\u00f4s-se \u00e0 povoa\u00e7\u00e3o. A comunidade do km 44 apenas se chama assim porque a estrada fez aquele exacto n\u00famero de curvas at\u00e9 l\u00e1 chegar&#8230;<\/p>\n<p>Por outro lado, quem sempre morou na aldeia, n\u00e3o se preocupa muito com o seu nome oficial. \u00c9 a aldeia, \u00e9 a sua casa. E, se calhar, at\u00e9 \u00e9 feliz por saber que com aquele nome, todos sabem onde fica.<\/p>\n<p>Este fen\u00f3meno n\u00e3o se restringe s\u00f3 Angola. Por todo o continente africano h\u00e1 milhares de aldeias an\u00f3nimas, cujo nome \u00e9 desconhecido at\u00e9 pelos seus habitantes. Tamb\u00e9m na Guin\u00e9 h\u00e1 muitas <em>tabankas<\/em> que s\u00f3 se chamam <em>tabanka<\/em>. \u00c9 a aldeia e basta. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem chega a Angola e come\u00e7a a ouvir os nomes dos locais, \u00e9 capaz de achar que h\u00e1 uma certa histeria colectiva em torno das dist\u00e2ncias quilom\u00e9tricas. Quando se fala das praias a sul de Luanda referimo-nos a elas com as do km 55, km 26 ou km 33. Da mesma forma, uma pequena povoa\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[9,512,159],"class_list":["post-2019","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","tag-historia","tag-povoacoes","tag-toponimia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2019"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2019\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3215,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2019\/revisions\/3215"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}