{"id":202,"date":"2008-06-29T20:28:54","date_gmt":"2008-06-29T19:28:54","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=202"},"modified":"2009-07-18T12:55:22","modified_gmt":"2009-07-18T11:55:22","slug":"criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/criancas\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>Uma vez que ontem terminei com uma crian\u00e7a, hoje \u00e9 justo que fale outra vez delas.<\/p>\n<p>Luanda est\u00e1 cheia de crian\u00e7as. Em qualquer recanto aparecem duas d\u00fazias de crian\u00e7as de todas as idades. Quase todas as vendedoras trazem um b\u00e9b\u00e9 \u00e0s costas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas1.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nNo neg\u00f3cio de fam\u00edlia<\/p>\n<p>Nos musseques, as crian\u00e7as que ainda n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola costumam andar a correr de um lado para o outro s\u00f3 de cuecas. As tais cuecas garridas que contrastam com o castanho ba\u00e7o da paisagem. As que v\u00e3o a escola andam de bata branca. Algumas transportam um banco, porque a sala de aulas s\u00f3 tem ch\u00e3o e quadro. As batas brancas identificam os estudantes at\u00e9 \u00e0 entrada na Universidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas2.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA caminho da escola<\/p>\n<p>Apesar de haver muitas escolas oficiais, h\u00e1 tamb\u00e9m muitos col\u00e9gios privados. Alguns s\u00e3o geridos por congrega\u00e7\u00f5es religiosas, na sua maioria protestantes. Estes oferecem mais condi\u00e7\u00f5es, naturalmente.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho visto muitos brinquedos, nem sequer os feitos pelas pr\u00f3prias crian\u00e7as. Nos bairros com mais lixo, as crian\u00e7as brincam com garrafas e latas. Nos mais afastados da cidade, com menos lixo e mais espa\u00e7o, j\u00e1 vi alguns exemplos dos brinquedos que associamos a \u00c1frica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas3.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA mota e o construtor<\/p>\n<p>Em cada largo h\u00e1 crian\u00e7as a jogar \u00e0 bola. At\u00e9 certa idade, rapazes e raparigas. Quando mais velhos, s\u00f3 rapazes. As raparigas passam a ter de se ocupar de outras coisas. Por vezes dos pr\u00f3prios filhos. A partir de certa idade, acabam-se os jogos e brincadeiras.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas4.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nSaudades de jogar \u00e0 bola<\/p>\n<p>Mesmo com toda a agita\u00e7\u00e3o causada por um jogo de futebol de crian\u00e7as, h\u00e1 quase sempre um c\u00e3o a dormir no meio do campo. O jogo desenrola-se sem o acordar. O her\u00f3i nacional \u00e9 o Pedro Mantorras, que at\u00e9 patrocinou a constru\u00e7\u00e3o de alguns campos com mais condi\u00e7\u00f5es (balizas).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas5.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA bola<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas6.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nAs brincadeiras<\/p>\n<p>Outro tema recorrente associado \u00e0s crian\u00e7as \u00e9 a dan\u00e7a. Desde pequenos que dan\u00e7am. Eles e elas podem ver-se a dan\u00e7ar numa roda, mostrando os passos que viram na televis\u00e3o ou que imitaram de algu\u00e9m que viu, associados aos passos tradicionais. O acompanhamento \u00e9 quase sempre feito com palmas, cantorias e uns imensos sorrisos. O prov\u00e9rbio &#8220;Quem canta seus males espanta&#8221; foi adaptado para um bem angolano &#8220;Quem dan\u00e7a seus males espanta&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas7.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA dan\u00e7a<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas8.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nApanhando gafanhotos<\/p>\n<p>Perto da fortaleza encontrei dois garotos a apanhar gafanhotos. Lembrei-me de quando tamb\u00e9m apanhava gafanhotos. Para as crian\u00e7as n\u00e3o h\u00e1 assim tantas diferen\u00e7as no mundo. Mesmo que a um hemisf\u00e9rio de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas o que mais choca \u00e9 que a necessidade de sustento for\u00e7a os angolanos a trabalhar desde muito cedo. Aqui o sustento \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas9.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nLavadeiras e lavadores de carros<\/p>\n<p>J\u00e1 perdi o conto a quantas crian\u00e7as vi remexer nos montes de lixo, \u00e0 procura de alguma coisa com utilidade ou valor. \u00c9 in\u00fatil. Em Luanda s\u00f3 se deita fora tudo o que j\u00e1 foi espremido at\u00e9 n\u00e3o sobrar nada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas10.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nO sustento<\/p>\n<p>Apetecia-me escrever mais, mas assim que escolhi as fotografias que ilustram este tema fiquei sem vontade de o fazer. As crian\u00e7as angolanas cantam, riem e dan\u00e7am porque n\u00e3o conhecem outro mundo. Os adultos j\u00e1 n\u00e3o o fazem porque sabem que h\u00e1 uma vida diferente \u00e0 qual n\u00e3o t\u00eam acesso. Eu vivo nesse outro mundo e n\u00e3o tenho vontade de sorrir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/06\/062908-1955-crianas11.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>A fugir \u00e0 mis\u00e9ria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez que ontem terminei com uma crian\u00e7a, hoje \u00e9 justo que fale outra vez delas. Luanda est\u00e1 cheia de crian\u00e7as. Em qualquer recanto aparecem duas d\u00fazias de crian\u00e7as de todas as idades. Quase todas as vendedoras trazem um b\u00e9b\u00e9 \u00e0s costas. 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