{"id":2038,"date":"2009-02-20T00:00:00","date_gmt":"2009-02-19T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2038"},"modified":"2009-07-16T22:33:47","modified_gmt":"2009-07-16T21:33:47","slug":"trnsito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/trnsito\/","title":{"rendered":"Tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"<p>Em Luanda o tr\u00e2nsito \u00e9 ca\u00f3tico, e poucos respeitam o c\u00f3digo, no entanto, os sem\u00e1foros s\u00e3o sagrados e parece que os sinais para abrandar ou parar com a m\u00e3o tamb\u00e9m, ao contr\u00e1rio das l\u00e2mpadas de <em>STOP<\/em>. Passadeiras s\u00e3o apenas decora\u00e7\u00e3o, excepto quando algu\u00e9m p\u00e1ra com os quatro piscas, para uma crian\u00e7a atravessar.<\/p>\n<p>Um pol\u00edcia comanda o tr\u00e2nsito de um lado da avenida e manda os carros avan\u00e7ar no preciso momento em que os do outro lado t\u00eam o sem\u00e1foro verde. Como os segundos n\u00e3o conseguem ver o sinaleiro, gera-se o caos. Pelo meio costura um candongueiro, imune \u00e0 confus\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"blog_050\" style=\"border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px\" height=\"328\" alt=\"blog_050\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-050.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>Pode ser que se desviem<\/p>\n<p>Na rotunda, quem vira \u00e0 esquerda encosta-se \u00e0 direita, para ultrapassar os que se encostaram \u00e0 esquerda e pretendem virar \u00e0 direita. Os motociclos e ciclomotores circulam em todos os sentidos, inclu\u00edndo os diagonais, s\u00f3 na roda traseira e com irritantes trav\u00f5es chiadores. Pelo meio h\u00e1 pe\u00f5es, que se v\u00e3o abrigando destes <em>kamikazes<\/em> de duas rodas entre os p\u00e1ra-choques dos carros que avan\u00e7am metro a metro.<\/p>\n<p>Um buraco mais fundo embara\u00e7a o tr\u00e2nsito nos dois sentidos. O que apanha o buraco e o que apanha os carros que dele se desviam.<\/p>\n<p>Nos cruzamentos nunca se deixa um espacinho para os que cruzam a estrada. Se o fazem, \u00e9 certo e sabido que depois ningu\u00e9m deixa entrar. Lixo-te antes que me lixes a mim. Lei da selva.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um acidente, pequeno ou grande, todo o quarteir\u00e3o p\u00e1ra. Dezenas de pessoas gritam, exaltadas. \u00c0 volta do acidente, todos saem dos carros. Fazem um coro e acusam um e outro condutores de ser aselhas, assassinos e filhos de empres\u00e1rias em nome individual. Prometem-se pagamentos de arranjos, enxertos de porrada, feiti\u00e7os de queda de cabelo ou impot\u00eancia. Depois descobre-se que, afinal, n\u00e3o h\u00e1 danos. Seguem todos a sua vida, como se nada se tivesse passado. O coro de buzinas que j\u00e1 enchia mais o ar que os gases de escape dos carros que n\u00e3o desligaram o motor (quase todos) vai esmorecendo \u00e0 medida que se come\u00e7a a andar.<\/p>\n<p>A buzina \u00e9 usada quase como comprovativo de funcionamento do motor. Se est\u00e1 a andar, tem de buzinar. \u00c9 assim que se distingue os carros apodrecidos que andam dos apodrecidos que j\u00e1 n\u00e3o andam.<\/p>\n<p>Meia-hora depois, chego ao escrit\u00f3rio\u2026 Tive sorte. Podiam ter sido duas horas. \u00c0 tarde tenho uma outra dose pela frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Luanda o tr\u00e2nsito \u00e9 ca\u00f3tico, e poucos respeitam o c\u00f3digo, no entanto, os sem\u00e1foros s\u00e3o sagrados e parece que os sinais para abrandar ou parar com a m\u00e3o tamb\u00e9m, ao contr\u00e1rio das l\u00e2mpadas de STOP. 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