{"id":2056,"date":"2009-02-28T00:00:00","date_gmt":"2009-02-27T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2056"},"modified":"2009-09-04T14:44:16","modified_gmt":"2009-09-04T13:44:16","slug":"tempos-e-mundos-paralelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/tempos-e-mundos-paralelos\/","title":{"rendered":"Tempos e mundos paralelos"},"content":{"rendered":"<p>Nos meus passeios pelos recantos de Angola tenho encontrado s\u00edtios que nos fazem pensar na evolu\u00e7\u00e3o das sociedades, nos modos de vida ancestrais e modernos, no futuro e no passado deste pa\u00eds.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" title=\"blog_013\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-013.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_013\" width=\"400\" height=\"288\" \/><br \/>\nParedes de lama e telhado de paus<\/p>\n<p>Nas estradas menos concorridas, h\u00e1 pequenas povoa\u00e7\u00f5es que parecem n\u00e3o ter sa\u00eddo dos prim\u00f3rdios dos tempos, onde as casas ainda n\u00e3o t\u00eam telhados de zinco e a luz el\u00e9ctrica \u00e9 apenas uma miragem distante. A vida \u00e9 igual \u00e0 dos seus av\u00f3s, com as mulheres a secarem a fuba nas pedras e com os homens a lavrar os campos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" title=\"blog_12_05_04\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-12-05-04.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_12_05_04\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nHomenagem \u00e0s mulheres, que transportam a \u00e1gua<\/p>\n<p>Mais perto dos centros urbanos, as motorizadas e os autom\u00f3veis v\u00e3o substituindo os pe\u00f5es e at\u00e9 as constru\u00e7\u00f5es passam a usar materiais mais modernos. Aqui e ali vemos as f\u00e1bricas de blocos de constru\u00e7\u00e3o, onde dois ou tr\u00eas homens v\u00e3o enchendo um molde artesanal de cimento e deixando as pe\u00e7as secar ao Sol. As mulheres continuam a trabalhar no campo, mas os homens come\u00e7am a ser taxistas, transportando cargas e passageiros nas motorizadas.<\/p>\n<p>A alguns quil\u00f3metros da capital, a mis\u00e9ria e o lixo s\u00e3o vis\u00f5es raras. Como \u00e9 estranho haver dois mundos t\u00e3o distantes no tempo mas t\u00e3o pr\u00f3ximos no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>No centro de Luanda, terra onde ningu\u00e9m anda a p\u00e9, as torres de a\u00e7o e vidro v\u00e3o ocupando o lugar da alvenaria de pedra. Os t\u00e1xis e as v\u00e1rias vers\u00f5es de motorizadas chinesas circulam por todo o lado com uma agressividade inacredit\u00e1vel. Os sacos de pl\u00e1stico a fugir do vento ocupam o lugar dos p\u00e1ssaros. As buzinas substituem-lhes os cantos e piados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px\" title=\"blog_037\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/blog-037.jpg\" border=\"0\" alt=\"blog_037\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nCentro de Luanda<\/p>\n<p>At\u00e9 os neg\u00f3cios s\u00e3o feitos a correr. No curto espa\u00e7o de tempo que o motorista est\u00e1 parado no sinal, de janela aberta, \u00e9 preciso mostrar a mercadoria, regatear um pouco, avaliar a mercadoria, acertar o pre\u00e7o e fazer o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>L\u00e1 do cimo das torres brilhantes, quem olha para as ruas n\u00e3o v\u00ea os que tentam sobreviver nesta selva. A janela est\u00e1 muito alta e os vidros espelhados tornam invis\u00edveis quem nunca tira os olhos do ch\u00e3o. Como se sentem ignorados l\u00e1 em cima, mandaram instalar rel\u00f3gios e term\u00f3metros no topo da torre ou iluminar as fachadas com desenhos animados. As pessoas c\u00e1 de baixo d\u00e3o uma espreitadela, quase parecendo que miram os que deles se riem, no escrit\u00f3rio com ar condicionado.<\/p>\n<p>Ao fim do dia, descem para o seu carro de vidros escuros, estofos de cabedal e ar condicionado. S\u00f3 param no condom\u00ednio fechado, com mob\u00edlias importadas, relvados vi\u00e7osos e muros altos para esconder os olhos cobi\u00e7osos dos que nada t\u00eam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos meus passeios pelos recantos de Angola tenho encontrado s\u00edtios que nos fazem pensar na evolu\u00e7\u00e3o das sociedades, nos modos de vida ancestrais e modernos, no futuro e no passado deste pa\u00eds. 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