{"id":2144,"date":"2009-03-06T00:00:00","date_gmt":"2009-03-05T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2144"},"modified":"2009-09-05T23:27:27","modified_gmt":"2009-09-05T22:27:27","slug":"caligrafia-dos-meandros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/caligrafia-dos-meandros\/","title":{"rendered":"Caligrafia dos Meandros"},"content":{"rendered":"<p>Para quem gosta de imaginar a Hist\u00f3ria das coisas que nos rodeiam, nada melhor que ver o curso de um rio.<\/p>\n<p>Perto da nascente, qual adolescentes irrequietos, muitos r\u00e1pidos e quedas violentas. Cheios de \u00edmpeto, correm para as plan\u00edcies, levando tudo o que puderam \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Alguns morrem em estu\u00e1rios calmos, como os velhos que adormecem uma \u00faltima vez. Outros saltam para as \u00e1guas do mar de supet\u00e3o, como que apanhados de surpresa pela morte, num qualquer acidente ou doen\u00e7a s\u00fabita. Outros, poucos, perdem-se nas areias do deserto, sonhando com uma foz no mar\u2026<\/p>\n<p>Pelo caminho, atravessam as crises existenciais, dos <em>\u2018intas<\/em>, dos <em>\u2018entas<\/em>, da meia-idade. Indecis\u00f5es sobre o rumo a tomar, que as curvas fazer ou at\u00e9 se vale a pena continuar a correr.<\/p>\n<p>Nas zonas mais planas, os rios come\u00e7am a fazer curvas. A f\u00edsica diz que a velocidade da \u00e1gua do lado de fora da curva \u00e9 maior que do lado de dentro e, por isso, as curvas v\u00e3o ficando mais apertadas. A seguir \u00e0 curva, a corrente encarrega-se de inflectir o curso das \u00e1guas para a direc\u00e7\u00e3o oposta e a linha tra\u00e7ada pelo rio na sua inf\u00e2ncia come\u00e7a a meandrizar, contorcendo-se como uma serpente gigante.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes acontece que uma sucess\u00e3o de curvas aperta tanto que as margens se tocam e desaparecem. O bra\u00e7o de rio acaba por ficar desligado do curso principal, que agora galga aquela praia entre as margens. Nas \u00e1guas com menos corrente \u00e9 frequente encontrar-se os nadadores-salvadores rasteirinhos da <em>Lacoste<\/em>.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, o rio sem corrente acaba mesmo por ficar desligado do rio, formando um charco em forma de ferradura. O resto do rio continuar\u00e1 a contorce-se, podendo voltar a interceptar estes vest\u00edgios de \u00e9pocas passadas.<\/p>\n<p>Vistos do c\u00e9u, os rios parecem escrever a sua Hist\u00f3ria com uma caligrafia muito especial, ditada pela for\u00e7a das \u00e1guas e adornada com vegeta\u00e7\u00e3o luxuriante.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px\" title=\"Huambo_20090202-120902-S12-16364_E015-60960_06\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/huambo-20090202120902s1216364-e01560960-06.jpg\" border=\"0\" alt=\"Huambo_20090202-120902-S12-16364_E015-60960_06\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nContando a sua Hist\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem gosta de imaginar a Hist\u00f3ria das coisas que nos rodeiam, nada melhor que ver o curso de um rio. 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