{"id":2169,"date":"2009-03-17T00:00:00","date_gmt":"2009-03-16T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2169"},"modified":"2009-07-19T13:19:50","modified_gmt":"2009-07-19T12:19:50","slug":"ingenuidade-tricentenria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/ingenuidade-tricentenria\/","title":{"rendered":"Ingenuidade tricenten\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Quando comecei a escrever no Aerograma, poucos meses antes de partir para Angola, a minha vis\u00e3o do mundo era muito diferente. Releio o que escrevi h\u00e1 meses e concluo que era ing\u00e9nuo. Para algumas coisas n\u00e3o deixei de o ser.<\/p>\n<p>As ideias a preto e branco que trazia come\u00e7aram a esbater-se num imenso borr\u00e3o de fronteiras indistintas. Cinzento ou talvez avermelhado, como o p\u00f3 de Luanda.<\/p>\n<p>Descobri que tudo o que sabia de \u00c1frica, dos livros, dos filmes e das hist\u00f3rias \u00e9 verdade, mas, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m \u00e9 tudo mentira. Tudo o que se possa dizer de Angola ter\u00e1 de ser visto e interpretado sob v\u00e1rias luzes. A \u00fanica grande verdade \u00e9 que esta terra n\u00e3o deixa ningu\u00e9m indiferente. <\/p>\n<p>Este artigo \u00e9 o tricent\u00e9simo que publico. Se os primeiros cem me pareceram muitos e os segundos chegaram depressa, a marca dos trezentos surgiu sem que desse conta. Desta vez n\u00e3o quero nem saber quantos milhares de palavras foram publicados. Isso ser\u00e1 trabalho para mais tarde, para o fim do Aerograma. Para as despedidas de Angola. De momento, o que importa \u00e9 o pr\u00f3ximo artigo. Aquele que ainda est\u00e1 por escrever e n\u00e3o h\u00e1 maneira de sair.<\/p>\n<p>Nestes poucos meses de nova vida pude presenciar grandes mudan\u00e7as numa sociedade desconhecida. Ou ent\u00e3o, fui afinando a minha percep\u00e7\u00e3o das coisas e deixei de ver a imagem a preto-e-branco dos primeiros dias.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio que me marcou mais, talvez tenha sido assistir \u00e0s primeiras elei\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds que renasce (as outras n\u00e3o contaram, foram num intervalo da guerra) e \u00e0 alegria dos dedos pintados, que perdurou durante umas semanas.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa a que ainda n\u00e3o me habituei foi ao permanente controlo de estrangeiros ou pessoas que aparentam s\u00ea-lo, isto \u00e9, brancos. A cada esquina h\u00e1 algu\u00e9m a anotar n\u00fameros de passaportes, com aquele ar de pequena omnipot\u00eancia mesquinha que s\u00f3 quem experimenta consegue perceber. Mas isto tamb\u00e9m faz parte da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando comecei a escrever no Aerograma, poucos meses antes de partir para Angola, a minha vis\u00e3o do mundo era muito diferente. Releio o que escrevi h\u00e1 meses e concluo que era ing\u00e9nuo. Para algumas coisas n\u00e3o deixei de o ser. As ideias a preto e branco que trazia come\u00e7aram a esbater-se num imenso borr\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[55,36],"class_list":["post-2169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","tag-centenario","tag-divagacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2169"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2181,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2169\/revisions\/2181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}