{"id":222,"date":"2008-07-09T00:00:26","date_gmt":"2008-07-08T23:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=222"},"modified":"2009-08-08T22:34:10","modified_gmt":"2009-08-08T21:34:10","slug":"contadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/contadores\/","title":{"rendered":"Contadores"},"content":{"rendered":"<p>A quantidade de energia usada em Luanda \u00e9 incr\u00edvel. S\u00e3o cinco milh\u00f5es de pessoas a conviver com energia barata. Para al\u00e9m dos autom\u00f3veis que gastam rios de combust\u00edvel, a electricidade tamb\u00e9m est\u00e1 presente at\u00e9 nos bairros mais pobres.<\/p>\n<p>Os postos de transforma\u00e7\u00e3o, pintados de branco, contrastam com o cinzento das habita\u00e7\u00f5es. O n\u00famero de contrato est\u00e1 escrito a tinta azul nas paredes exteriores das casas. Achei curioso n\u00e3o ver contadores el\u00e9ctricos. Ali\u00e1s, c\u00e1 em casa n\u00e3o temos contador, mas o andar em frente j\u00e1 tem. Parece que os angolanos s\u00e3o h\u00e1beis a fintar os contadores e a fazer puxadas bem escondidas. A empresa que fornece electricidade optou por n\u00e3o tentar combater uma guerra perdida \u00e0 partida. A contagem dos consumos \u00e9 feita por estimativa e em fun\u00e7\u00e3o do n\u00famero de divis\u00f5es da casa. Estamos lixados!<\/p>\n<p>Por outro lado, as instala\u00e7\u00f5es el\u00e9ctricas assim n\u00e3o precisam de ser t\u00e3o artesanais e perigosas como eram. Continuam um pouco art\u00edsticas, com muita fita isoladora a fazer a vez de tampa de quadro e com seis emendas por cada metro de cabo, mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio improvisar tanto s\u00f3 para as esconder.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de electricidade depende quase exclusivamente de centrais termoel\u00e9ctricas. As barragens angolanas s\u00e3o quase todas de eras passadas e duvido que haja alguma a produzir electricidade de forma fi\u00e1vel. Tenho lido not\u00edcias de projectos de recupera\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o de algumas barragens. No entretanto v\u00e3o-se inaugurando novas centrais el\u00e9ctricas \u00e0 volta das capitais de prov\u00edncia. S\u00e3o mais poluentes, mas cumprem o seu prop\u00f3sito bem mais depressa.<\/p>\n<p>O h\u00e1bito de escrever nas paredes est\u00e1 por aqui bem inculcado at\u00e9 nos \u00f3rg\u00e3os oficiais. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a distribuidora de electricidade que escreve o n\u00famero do contrato nas casas, os pr\u00f3prios munic\u00edpios usam este m\u00e9todo para comunicar o embargo de uma obra. No Prenda foi embargada a constru\u00e7\u00e3o de um edif\u00edcio de tr\u00eas andares. Em vez de se embargar a obra e esperar que os trabalhos parem, escreve-se a tinta vermelha e letras garrafais que est\u00e1 embargado pela administra\u00e7\u00e3o municipal. N\u00e3o h\u00e1 maneira de disfar\u00e7ar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quantidade de energia usada em Luanda \u00e9 incr\u00edvel. S\u00e3o cinco milh\u00f5es de pessoas a conviver com energia barata. Para al\u00e9m dos autom\u00f3veis que gastam rios de combust\u00edvel, a electricidade tamb\u00e9m est\u00e1 presente at\u00e9 nos bairros mais pobres. Os postos de transforma\u00e7\u00e3o, pintados de branco, contrastam com o cinzento das habita\u00e7\u00f5es. 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