{"id":2254,"date":"2009-03-23T00:00:00","date_gmt":"2009-03-22T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2254"},"modified":"2009-07-25T12:55:42","modified_gmt":"2009-07-25T11:55:42","slug":"a-fora-do-kwanza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/a-fora-do-kwanza\/","title":{"rendered":"A for\u00e7a do Kwanza"},"content":{"rendered":"<p>O angolano tem orgulho do seu pa\u00eds. Orgulho exagerado, <a href=\"http:\/\/juborges.wordpress.com\/2009\/02\/21\/mania-de-grandeza\/\" target=\"_blank\">dir\u00e3o alguns<\/a>. Mas cada povo gosta da sua terra de maneira diferente. <\/p>\n<p>T\u00eam orgulho nas riquezas minerais inexploradas, na quantidade de petr\u00f3leo que o pa\u00eds exporta. Fecham os olhos \u00e0 pobreza end\u00e9mica, \u00e0 riqueza que as reservas minerais n\u00e3o trazem at\u00e9 serem exploradas e \u00e0 riqueza que nunca chega ao povo depois de o serem.<\/p>\n<p>O orgulho nacional estende-se tamb\u00e9m aos seus s\u00edmbolos. As cores nacionais adornam janelas, fachadas, candongueiros e s\u00e3o usadas em bon\u00e9s, camisolas, cachec\u00f3is e cal\u00e7\u00f5es. Da mesma forma se venera a palanca negra gigante e a fenda da Tundavala.<\/p>\n<p>E depois h\u00e1 a moeda, o Kwanza. Ao fim de muitos anos l\u00e1 estabilizou e ganhou a confian\u00e7a dos angolanos. Agora j\u00e1 \u00e9 motivo de orgulho. No entanto, ainda h\u00e1 uma ou outra express\u00e3o que sobrou de tempos mais conturbados.<\/p>\n<p>Durante anos, o d\u00f3lar funcionou como moeda <em>de facto<\/em> e o Kwanza, em perp\u00e9tua desvaloriza\u00e7\u00e3o, apenas para os trocos. Actualmente, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. A moeda oficiosa \u00e9 o d\u00f3lar e a oficial o Kwanza. O Governo esfor\u00e7a-se por diminuir a utiliza\u00e7\u00e3o da moeda americana, mas a excessiva <em>liquidez<\/em> do Kwanza leva a que as pessoas optem por usar os d\u00f3lares como maneira de n\u00e3o gastar os Kwanzas.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 quest\u00e3o do orgulho na moeda. H\u00e1 uns dias assisti a uma cena caricata. No tr\u00e2nsito ca\u00f3tico de Luanda, aconteceu o nada improv\u00e1vel &#8211; um carro avariou, atrapalhando ainda mais a circula\u00e7\u00e3o. O coro de buzinas n\u00e3o se fez esperar e cada condutor que passava pelo carro de cap\u00f4 aberto gritava um improp\u00e9rio qualquer.<\/p>\n<p>Mas houve um em especial que me ficou marcado na mem\u00f3ria. At\u00e9 o dono do carro avariado sorriu quando ouviu um candongueiro gritar-lhe:<\/p>\n<p><em>\u00abCompraste essa merda em Kwanzas?\u00bb<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O angolano tem orgulho do seu pa\u00eds. Orgulho exagerado, dir\u00e3o alguns. Mas cada povo gosta da sua terra de maneira diferente. T\u00eam orgulho nas riquezas minerais inexploradas, na quantidade de petr\u00f3leo que o pa\u00eds exporta. Fecham os olhos \u00e0 pobreza end\u00e9mica, \u00e0 riqueza que as reservas minerais n\u00e3o trazem at\u00e9 serem exploradas e \u00e0 riqueza [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,14,360],"tags":[15,16,26],"class_list":["post-2254","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","category-luanda","category-provincia-de-luanda","tag-candongueiros","tag-kwanzas","tag-transito"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2254"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2254\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2254\/revisions\/3086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}