{"id":2329,"date":"2009-04-11T00:00:00","date_gmt":"2009-04-10T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2329"},"modified":"2009-07-16T22:52:59","modified_gmt":"2009-07-16T21:52:59","slug":"regresso-a-luanda-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/regresso-a-luanda-2\/","title":{"rendered":"Regresso a Luanda"},"content":{"rendered":"<p>Depois de uns meses em Luanda, o caminho entre as capitais Portuguesa e Angolana j\u00e1 come\u00e7a a ser rotina. A indiferen\u00e7a quanto \u00e0 companhia a\u00e9rea em que viajava foi substitu\u00edda pela escolha da que me oferece os melhores hor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Agora escolho sempre o voo da noite para o regresso. Por pouco que durma, sempre chego mais descansado e menos aborrecido a Luanda.<\/p>\n<p>No fim do Ver\u00e3o Austral, quando as nuvens descarregam as \u00faltimas gotas grossas sobre \u00c1frica, h\u00e1 pouca turbul\u00eancia nas altitudes a que circulam os jactos. Nestas condi\u00e7\u00f5es, viajar de avi\u00e3o ou dormir numa cadeira em casa \u00e9 quase o mesmo.<\/p>\n<p>Pela primeira vez escolhi um lugar na coxia. O meu objectivo n\u00e3o era ver a paisagem, porque era de noite. Queria mesmo descansar e poder esticar as pernas de vez em quando. \u00c0 janela temos sempre de incomodar o vizinho\u2026<\/p>\n<p>No embarque em Lisboa achei estranho n\u00e3o haver um mar de gente a acotovelar-se na sala de espera. Estranhei n\u00e3o haver fila para o controlo de passaportes. Estranhei que se embarcasse em menos de dez minutos. Estava tudo demasiado calmo. Tenho de vir mais vezes nos voos a meio da semana.<\/p>\n<p>Dois ou tr\u00eas autocarros chegaram para levar toda a gente ao avi\u00e3o que nos esperava no outro lado do aeroporto. Muitos lugares estavam vazios, principalmente na fila central. Alguns sortudos tiveram direito a uma cama ao longo do voo todo. Bastou-lhe levantar os bra\u00e7os das cadeiras.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px\" title=\"Lua sobre a asa\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/img-3003.jpg\" border=\"0\" alt=\"Lua sobre a asa\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nA Lua Cheia que vimos juntos em Lisboa<\/p>\n<p>A rotina a bordo \u00e9 sempre a mesma. Resume-se a ler, comer, ler, dormir, ler, dormir, comer e pensar em quanto tempo falta. Um pouco antes de nos servirem o pequeno-almo\u00e7o espreita-se pela janela e vemos uma fabulosa Lua Cheia sobre a asa. Como um pouco de trabalho consigo fazer uma fotografia menos m\u00e1. Registei mais um momento especial.<\/p>\n<p>Perto das cinco da manh\u00e3, o Sol come\u00e7ava a colorir o c\u00e9u com manchas de laranja e amarelo. Pouco depois, com o avi\u00e3o a descer para o aeroporto de Luanda, come\u00e7aram a avistar-se as luzes dos barcos e das casas da periferia. Mais um pouco e aterr\u00e1vamos. O c\u00e9u estava mais claro, mas os tr\u00f3picos enganam e, quando sa\u00edmos do avi\u00e3o, o Sol j\u00e1 tinha nascido. Nunca me habituarei a mudan\u00e7a repentina do dia para a noite.<\/p>\n<p>Pouco antes da aterragem, fomos informados que a temperatura em Luanda era j\u00e1 de 25\u00ba. Dentro do avi\u00e3o, como de costume, estava g\u00e9lido. \u00c9 uma boa maneira de fazer as pessoas dormir. Mal nos aproximamos da porta sentimos o calor de uma atmosfera densa e h\u00famida a bater-nos na cara. O cheiro a chuva vem logo a seguir.<\/p>\n<p>Na gare, temos as formalidades do costume, desta vez com uma inova\u00e7\u00e3o. Duas funcion\u00e1rias experimentavam o sistema novo. Olhei para elas e s\u00f3 pensei em Bucha e Estica. N\u00e3o s\u00f3 pela sua apar\u00eancia, porque uma fazia quatro da outra, mas tamb\u00e9m pela maneira como se comportavam. Uma dizia para experimentar assim e depois rodar o passaporte. A outra dizia que ela \u00e9 que sabia. Mas nenhuma sabia bem o que fazer. Depois ao contr\u00e1rio. Outra vez da primeira maneira. O computador mudou alguma coisa e iniciou-se a discuss\u00e3o para saber o que se fazia a seguir. Acabadas as verifica\u00e7\u00f5es, foi necess\u00e1rio levar o meu passaporte para outro balc\u00e3o, porque ali n\u00e3o tinham carimbo\u2026 Escusado ser\u00e1 dizer que fui o \u00faltimo a sair daquela sala.<\/p>\n<p>A grande surpresa foi a sala das malas. Esperava a confus\u00e3o do costume, mas encontrei a minha mala carregada de livros \u00e0 espera, solit\u00e1ria, ao lado da esteira. Desta vez ainda passei pela alf\u00e2ndega, onde me abriram a mala sem grande convic\u00e7\u00e3o e mandaram seguir.<\/p>\n<p>O motorista j\u00e1 me esperava l\u00e1 fora e levou-me direitinho para o escrit\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de uns meses em Luanda, o caminho entre as capitais Portuguesa e Angolana j\u00e1 come\u00e7a a ser rotina. A indiferen\u00e7a quanto \u00e0 companhia a\u00e9rea em que viajava foi substitu\u00edda pela escolha da que me oferece os melhores hor\u00e1rios. Agora escolho sempre o voo da noite para o regresso. 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