{"id":2344,"date":"2009-04-15T00:00:00","date_gmt":"2009-04-14T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2344"},"modified":"2009-09-19T15:14:32","modified_gmt":"2009-09-19T14:14:32","slug":"boleias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/boleias\/","title":{"rendered":"Boleias"},"content":{"rendered":"<p>Um pouco por todo o mundo ocidental, o gesto universal para pedir boleia consiste em fechar todos os dedos de uma m\u00e3o excepto um, o polegar, e apontar com ele para a direc\u00e7\u00e3o que se quer seguir. A excep\u00e7\u00e3o a este regra \u00e9 a Austr\u00e1lia, onde o mesmo gesto \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o de um outro, tamb\u00e9m universal, que se faz fechando todos os dedos de uma m\u00e3o menos um, que n\u00e3o \u00e9 o polegar. Por isso, para pedir boleia naquelas paragens e evitar o risco de insultar os condutores, \u00e9 melhor usar um cart\u00e3o com o destino escrito em letras grandes.<\/p>\n<p>Em Angola, a boleia \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o. Julgo at\u00e9 que deve merecer um artigo na constitui\u00e7\u00e3o, que garanta a universalidade do direito de dar e receber boleia. Em qualquer estrada por onde se passe, todos os pe\u00f5es com quem nos cruzamos, quer estejam sentados ou a andar, quer se desloquem na nossa direc\u00e7\u00e3o ou noutra qualquer, pedem boleia.<\/p>\n<p>Mas quem espera ver gente de polegar espetado na berma ou de cart\u00e3o em riste, vai ter uma desilus\u00e3o. Em Angola e no resto de \u00c1frica, suponho, pede-se boleia levantando bem alto um bra\u00e7o e agitando a m\u00e3o para cima e para baixo, como se estivessem a dar pancadinhas na cabe\u00e7a de algu\u00e9m muito alto. \u00c9 um gesto que faz lembrar o Benny Hill a bater na careca do velhote baixinho. Por vezes, este gesto \u00e9 acompanhado por uma tradu\u00e7\u00e3o sonora \u00ab<em>B\u00f4l\u00e9ia! B\u00f4l\u00e9ia!<\/em>\u00bb, n\u00e3o v\u00e1 o condutor estar distra\u00eddo e pensar que apenas lhe acenam.<\/p>\n<p>Na prov\u00edncia do Bengo j\u00e1 dei algumas boleias. Da Cassoalala \u00e0 Zenza do Itombe, da Muxima a uma aldeia sem nome, do meio do nada \u00e0 Muxima. De todas as vezes fiquei espantado com as dist\u00e2ncias que as pessoas ainda tinham pela frente, n\u00e3o fosse a boleia providencial. Aqui, as dist\u00e2ncias s\u00e3o medidas um pouco como no Alentejo. \u00c9 tudo j\u00e1 ali.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pouco por todo o mundo ocidental, o gesto universal para pedir boleia consiste em fechar todos os dedos de uma m\u00e3o excepto um, o polegar, e apontar com ele para a direc\u00e7\u00e3o que se quer seguir. A excep\u00e7\u00e3o a este regra \u00e9 a Austr\u00e1lia, onde o mesmo gesto \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o de um outro, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[72,48,28,52],"class_list":["post-2344","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","tag-boleia","tag-cultura","tag-tradicoes","tag-transportes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2344"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3552,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2344\/revisions\/3552"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}