{"id":2375,"date":"2009-04-24T00:00:00","date_gmt":"2009-04-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2375"},"modified":"2009-04-18T19:51:06","modified_gmt":"2009-04-18T18:51:06","slug":"no-vo-a-cabo-ledo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/no-vo-a-cabo-ledo\/","title":{"rendered":"N&atilde;o v&atilde;o a Cabo Ledo!"},"content":{"rendered":"<p>Se estiverem a pensar em ir a Cabo Ledo nos pr\u00f3ximos tempos, apresento-vos uma s\u00e9rie de boas raz\u00f5es para ficar em casa.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a viagem \u00e9 muito longa. Cento e vinte quil\u00f3metros para cada lado, sendo que os primeiros trinta na ida e os \u00faltimos trinta no regresso s\u00e3o dentro de Luanda e demoram uma eternidade a ser percorridos. O acesso \u00e0 praia \u00e9 feito por uma longa picada enlameada. \u00c9 preciso sair muito cedo ou ent\u00e3o chegamos \u00e0 praia na hora do regresso. Quem quiser evitar cancro de pele e voltar antes das onze, \u00e9 bom que conte com uma viagem de noite, nada recomend\u00e1vel nas estradas angolanas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"IMG_3081\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"IMG_3081\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/img-3081.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>     <br \/>Um por quil\u00f3metro<\/p>\n<p>Depois, cruzamos duas vezes a \u00fanica portagem em Angola. Na Barra do Kwanza aliviam-nos os bolsos de 420 Kwanzas. Nas outras praias n\u00e3o h\u00e1 destas modernices. N\u00e3o contentes com a portagem, ao longo da estrada \u00e9 certo encontrar umas dezenas de pol\u00edcias, sempre prontos a aligeirar os bolsos dos motoristas consoante uma qualquer interpreta\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo de estrada ou do estado do tempo.<\/p>\n<p>Entre a praia e as arribas h\u00e1 f\u00e1bricas de peixe seco, ou melhor, h\u00e1 tabuleiros com peixe a secar e a apodrecer espalhados por todo o lado. Palhotas e cubatas espalham-se no meio do peixe, que enche o ar com um cheiro acre, e pequenos montes de lixo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"IMG_3259\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"IMG_3259\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/img-3259.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>Nas arribas<\/p>\n<p>Os mi\u00fados j\u00e1 perderam a inoc\u00eancia que o seu tamanho faria adivinhar e s\u00f3 sabem dizer \u00ab<em>Amig\u00f4! Amig\u00f4! D\u00e1 gasosa!<\/em>\u00bb. Podem estar a brincar uns com os outros ou a dormitar, mas assim que presentem brancos, come\u00e7am a ladainha.<\/p>\n<p>Quem espera encontrar bares agrad\u00e1veis como os da Ilha do Cabo, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Aqui n\u00e3o h\u00e1 ar condicionado. As motas de \u00e1gua que fazem as del\u00edcias de alguns l\u00e1 no Mussulo tamb\u00e9m est\u00e3o ausentes. Em vez delas, h\u00e1 barcos de pescadores. Alguns a remos.<\/p>\n<p> A \u00e1gua \u00e9 t\u00e3o quente quanto a do Mussulo, mas muito mais agitada. H\u00e1 quem v\u00e1 molhar os p\u00e9s e acabe por voltar todo molhado. Ainda por cima, h\u00e1, que eu vi, uns sujeitos que entram na \u00e1gua at\u00e9 \u00e0 cintura e depois ficam muito quietinhos, antes de fazerem uma cara de al\u00edvio\u2026 J\u00e1 n\u00e3o bastava o fedor do peixe.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"IMG_3193\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"IMG_3193\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/img-3193.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>\u00c9 preciso ter cuidado onde se pisa<\/p>\n<p>H\u00e1 dois ou tr\u00eas s\u00edtios onde comer, mas a ementa \u00e9 s\u00f3 \u00e0 base de grelhados. Se tivermos sorte, podemos comer umas batatas fritas a acompanhar. Os bancos de madeira envernizada da Barra do Dande foram substitu\u00eddos por uns paus grossos que forramos com as toalhas para n\u00e3o aleijar o rabiosque, enquanto comemos. As mesas s\u00e3o velhas bobines de cabos el\u00e9ctricos, cheias de buracos por onde nos pode cair o copo.<\/p>\n<p>A s\u00e9rio, n\u00e3o v\u00e3o l\u00e1. Se come\u00e7a a ir muita gente, estragam aquele pequeno para\u00edso!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Cabo Ledo_20090411-143020-S09-66500_E013-22291_113\" style=\"border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px\" height=\"400\" alt=\"Cabo Ledo_20090411-143020-S09-66500_E013-22291_113\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/caboledo-20090411143020s0966500-e01322291-113.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>\u00c9 aproveitar, antes que se estrague<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se estiverem a pensar em ir a Cabo Ledo nos pr\u00f3ximos tempos, apresento-vos uma s\u00e9rie de boas raz\u00f5es para ficar em casa. Em primeiro lugar, a viagem \u00e9 muito longa. 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