{"id":2383,"date":"2009-04-25T00:00:00","date_gmt":"2009-04-24T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2383"},"modified":"2009-09-19T15:16:32","modified_gmt":"2009-09-19T14:16:32","slug":"no-fim-s-pode-haver-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/no-fim-s-pode-haver-um\/","title":{"rendered":"No fim, s\u00f3 pode haver um"},"content":{"rendered":"<p>Em meados da d\u00e9cada de 1980 foi feito um filme que contava a hist\u00f3ria de um grupo de homens especiais. Viviam sem medo da morte ou da doen\u00e7a e at\u00e9 mesmo as feridas mais graves lhes eram indiferentes.<\/p>\n<p>O seu \u00fanico receio era que lhes separassem a cabe\u00e7a do resto do corpo. Nessa altura morriam, finalmente. Os <em>Imortais<\/em>, como lhes chamavam, por vezes lutavam entre si. Sabiam que o \u00faltimo sobrevivente destes duelos conseguiria poderes e conhecimentos extraordin\u00e1rios.<\/p>\n<p>O <em>Imortal<\/em> mais famoso \u00e9, concerteza, Duncan MacLeod, mais conhecido por <em>Highlander<\/em>, uma vez que nasceu nas terras altas da Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>A maioria dos imortais passava despercebida. Viviam como pessoas normais, tinham empregos, amores e dissabores. A hist\u00f3ria contada pelos filmes diz que no fim sobrou apenas um, mas quem vive em Luanda sabe bem que isso n\u00e3o \u00e9 verdade. E sabe tamb\u00e9m que aquilo que se acreditava serem personagens de fic\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas a realidade. Os <em>Imortais<\/em> existem. E est\u00e3o todos em Luanda.<\/p>\n<p>A esposa de um amigo, esp\u00edrita encartada e capaz de descobrir estas coisas facilmente, reconheceu-os logo nos primeiros dias na capital angolana.<\/p>\n<p>Deslocam-se a alta velocidade, equilibrados em min\u00fasculos <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=317\" target=\"_blank\">ciclomotores<\/a> ruidosos e irritantes, fazendo razias, tangentes e at\u00e9 secantes a tudo quanto circula na estrada. Por vezes s\u00e3o comparados, em temeridade, aos motoristas dos candongueiros, mas o sorriso com que encaram a morte certa mil vezes por dia, coloca-os numa classe \u00e0 parte. Com o total desrespeito que t\u00eam pela vida s\u00f3 podemos concluir que n\u00e3o temam a morte, que sejam imortais, os verdadeiros <em>Imortais<\/em>!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-316\" title=\"Imortal\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/072408-0646-kasucutas1.jpg\" alt=\"Imortal\" width=\"600\" height=\"330\" \/><br \/>\nImortal!<\/p>\n<p>Agora, sempre que um <em>kazucuta<\/em> passa na estrada a fazer malabarismos na roda traseira ou a buzinar furiosamente enquanto passa, em contra-m\u00e3o, entre duas filas do engarrafamento perp\u00e9tuo de Luanda, s\u00f3 me ocorre dizer \u00abL\u00e1 vai um <em>Highlander<\/em>!\u00bb<\/p>\n<p>\u00c9 pena que estes n\u00e3o estejam informados acerca das tradi\u00e7\u00f5es dos <em>Imortais<\/em>. Se desatassem a cortar as cabe\u00e7as uns aos outros, no fim sobrava s\u00f3 um e esse incomodaria muito menos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meados da d\u00e9cada de 1980 foi feito um filme que contava a hist\u00f3ria de um grupo de homens especiais. Viviam sem medo da morte ou da doen\u00e7a e at\u00e9 mesmo as feridas mais graves lhes eram indiferentes. O seu \u00fanico receio era que lhes separassem a cabe\u00e7a do resto do corpo. 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