{"id":2427,"date":"2009-05-07T00:00:00","date_gmt":"2009-05-06T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2427"},"modified":"2009-09-19T15:16:17","modified_gmt":"2009-09-19T14:16:17","slug":"dilema-do-morto-e-do-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/dilema-do-morto-e-do-vivo\/","title":{"rendered":"Dilema do Morto e do Vivo"},"content":{"rendered":"<p>Por esse mundo fora tenho reparado na rela\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam com o dinheiro. Com as notas, especialmente. A maioria costuma ordenar as notas na carteira por valores ou tamanhos. D\u00e1 jeito para se procurar a nota certa. Quem n\u00e3o usa carteira adopta outros sistemas. Em Fran\u00e7a costumavam-se dobrar ao meio e espetar-lhes um alfinete. Mesmo nos dias que correm, n\u00e3o \u00e9 invulgar encontrar notas de euro com uns quanto furinhos a indicar a sua proveni\u00eancia. Em Angola, como as notas t\u00eam valores desajustados \u00e0 maioria das transac\u00e7\u00f5es, opta-se por fazer molhos de <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=292\" target=\"_blank\">notas embrulhados nelas pr\u00f3prias<\/a>.<\/p>\n<p>Outro h\u00e1bito que as pessoas t\u00eam quando est\u00e3o a organizar o dinheiro, \u00e9 de orientar as notas todas para o mesmo lado. Pessoalmente, gosto de virar a faixa do holograma para cima quando estou a juntar notas de euro. Quase sempre de cinco, infelizmente.<\/p>\n<p>Em Angola, porque as pessoas n\u00e3o s\u00e3o diferentes das demais, tamb\u00e9m se orientam os Kwanzas todos da mesma maneira. O Morto e o Vivo ficam sempre do mesmo lado. H\u00e1 quem chame \u00e0s notas de Kwanza as notas do Morto e do Vivo, em alus\u00e3o \u00e0s ef\u00edgies dos dois Presidentes da Rep\u00fablica desde a independ\u00eancia, Agostinho Neto, o Morto e Z\u00e9 D\u00fa, o Vivo.<\/p>\n<p>O dilema vem a seguir. Toda a gente dobra os ma\u00e7os de notas a meio, porque circula mais dinheiro nos bolsos e nas pontas dos panos do que nas carteiras. Mas para que lado dobrar? Para dentro, tentando asfixiar o <em>Mais-Velho<\/em> da na\u00e7\u00e3o, como se se quisesse fazer uma nota com dois Mortos, ou para fora, expondo os Chefes de Estado \u00e0 indignidade de serem esfregados entre as mamas das zungueiras?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; border-left: 0px; border-bottom: 0px\" title=\"IMG_3517\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/img-3517.jpg\" border=\"0\" alt=\"IMG_3517\" width=\"378\" height=\"600\" \/><br \/>\nE agora, para dentro ou para fora?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por esse mundo fora tenho reparado na rela\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam com o dinheiro. Com as notas, especialmente. A maioria costuma ordenar as notas na carteira por valores ou tamanhos. D\u00e1 jeito para se procurar a nota certa. Quem n\u00e3o usa carteira adopta outros sistemas. Em Fran\u00e7a costumavam-se dobrar ao meio e espetar-lhes um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[36,16,120],"class_list":["post-2427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","tag-divagacoes","tag-kwanzas","tag-notas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2427"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2427\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3554,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2427\/revisions\/3554"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}