{"id":2444,"date":"2009-05-11T00:00:00","date_gmt":"2009-05-10T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2444"},"modified":"2009-07-16T22:49:36","modified_gmt":"2009-07-16T21:49:36","slug":"histrias-de-telhados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/histrias-de-telhados\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de telhados"},"content":{"rendered":"<p>Uma volta por Luanda, olhando os telhados e o c\u00e9u, \u00e9 uma actividade perigosa. Afastar os olhos do lixo do ch\u00e3o \u00e9 arriscar enfiar a pata numa qualquer po\u00e7a cheia nem queremos saber de qu\u00ea.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 desvantagens. Os telhados das casas tamb\u00e9m contam hist\u00f3rias engra\u00e7adas. Ou, pelo menos, contam como mudou o mundo por estas bandas.<\/p>\n<p>Hoje, cada fachada est\u00e1 salpicada de m\u00e1quinas de ar condicionado, que pingam na rua, ou crivada de buracos e remendos. Cada telhado ostenta a sua d\u00fazia de antenas de todos os feitios, tamanhos e estados de conserva\u00e7\u00e3o. H\u00e1 antenas de ondas curtas tombadas, antenas de televis\u00e3o torcidas e muitas, muitas antenas parab\u00f3licas para captar as transmiss\u00f5es via sat\u00e9lite. Destas \u00faltimas, h\u00e1 milhares fora de servi\u00e7o. Grandes antenas colectivas, quais passadores de lata que avariaram e nunca foram reparados. Muitos outros milhares de pequenas antenas brancas, exclusivas de cada casa, espalham-se por todo o lado. E quando avariam, p\u00f5em-se uma nova. Se a velha incomodar, talvez se retire\u2026<\/p>\n<p>Os telhados de Luanda escondem muito mais que sucata tecnol\u00f3gica e polui\u00e7\u00e3o visual. H\u00e1 tamb\u00e9m as cadeiras velhas, as pedras e os buracos. De vez em quando encontramos umas p\u00e9rolas, sinais de tempos que parecem bem mais long\u00ednquos do que realmente s\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"vento_005\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"vento_005\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/vento-005.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>Desde quando soa esta melodia?<\/p>\n<p>Hoje em dia, quando se v\u00ea um telhado, pensa-se logo na maneira de l\u00e1 instalar a parab\u00f3lica. A atrac\u00e7\u00e3o dos milhares de canais em l\u00ednguas avulsas exerce um fasc\u00ednio semelhante ao da Torre de Babel. Infelizmente, nunca passa nada de jeito.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"vento_001\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"vento_001\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/vento-001.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>Antes das parab\u00f3licas<\/p>\n<p>No antigamente, n\u00e3o havia televis\u00e3o. Mas os telhados existiam e havia quem os julgasse um pouco despidos. Algu\u00e9m se lembrou de usar cata-ventos!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"vento_003\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"vento_003\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/vento-003.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>De sentinela<\/p>\n<p>S\u00e3o instrumentos muito \u00fateis, para quem gosta de saber para onde sopra o vento sem ter de sair de casa e apanhar com ele na cara. Tirando os pescadores, os moleiros e mais um ou outro curioso, n\u00e3o passam de uma solu\u00e7\u00e3o \u00e0 procura de um problema ou de um objecto de decora\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ado de m\u00e1quina \u00fatil.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"vento_004\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"vento_004\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/vento-004.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>Gato em telhado de zinco quente<\/p>\n<p>Suponho que o primeiro tenha sido desenhado por um engenheiro e tenha indicado a direc\u00e7\u00e3o do vento apenas com uma flecha. L\u00e1 pelo meio vieram os artistas e subverteram completamente a coisa. Os cata-ventos deixaram de indicar a direc\u00e7\u00e3o do vento com um boneco engra\u00e7ado, passou a ser um boneco engra\u00e7ado que se move ao sabor do vento. Nalguns casos, ainda sobraram os pontos cardeais. \u00c9 pena que estejam quase sempre a apontar para direc\u00e7\u00f5es esquisitas\u2026<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"vento_002\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"vento_002\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/vento-002.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>Sinais de um vento que j\u00e1 passou<\/p>\n<p>O tempo dos cata-vento j\u00e1 passou. Terminou quando entr\u00e1mos na \u00e9poca <em>DP<\/em> \u2013 Depois de Parab\u00f3lica. J\u00e1 n\u00e3o se querem ornamentos. Quer-se a MTV e a novela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma volta por Luanda, olhando os telhados e o c\u00e9u, \u00e9 uma actividade perigosa. 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