{"id":2448,"date":"2009-05-12T00:00:00","date_gmt":"2009-05-11T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2448"},"modified":"2009-05-12T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-11T23:00:00","slug":"comunicando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/comunicando\/","title":{"rendered":"Comunicando"},"content":{"rendered":"<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o em Angola surpreendem-nos todos os dias. Umas vezes \u00e9 pelos seus imensos contrastes, outras vezes \u00e9 com a normalidade com que passamos a encarar certas coisas.<\/p>\n<p>Desde que comecei a escrever regularmente que me tenho sentido um pouco constrangido com a falta de fiabilidade do servi\u00e7o de internet. A princ\u00edpio, o que mais estranhei foi a velocidade de acesso. Aqui ainda se mede a velocidade em kbps. Depressa passamos a rejubilar com este conta-gotas de informa\u00e7\u00e3o porque sempre \u00e9 melhor do que quando as luzes do modem se apagam, numa tentativa de imitar a electricidade e a \u00e1gua de Luanda.<\/p>\n<p>Toda a gente anda de telefone m\u00f3vel. Dois, pelo menos, porque \u00e9 pouco prov\u00e1vel que algu\u00e9m consiga fazer uma chamada \u00e0 primeira para qualquer um deles. H\u00e1 demasiados assinantes para a rede e, como os telefones funcionam mal, as pessoas compram mais telefones, agravando ainda mais as coisas.<\/p>\n<p>Os telefones m\u00f3veis, ou terminais, como s\u00e3o por aqui chamados, s\u00e3o t\u00e3o omnipresentes que poucos se lembram que ainda h\u00e1 alguns telefones fixos a trabalhar no pa\u00eds. S\u00e3o t\u00e3o poucos que temos de os encarar como uma rel\u00edquia e trat\u00e1-los com a rever\u00eancia que uma m\u00e1quina de telex nos mereceria, por exemplo. Olhamos para eles como se algu\u00e9m usasse pombos-correio em vez de mandar mensagens de texto.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para a telefonia celular foi t\u00e3o abrupta que quase acreditamos nunca ter existido um \u00fanico telefone fixo no pa\u00eds. At\u00e9 as empresas importantes quase sempre indicam apenas um n\u00famero m\u00f3vel. \u00c9 quase um sinal de <em>status<\/em> poder entregar um cart\u00e3o de visita com o indicativo de Luanda, o 222. As linhas s\u00e3o ruidosas e, quase sempre, nos apetece ter ligado para o celular\u2026<\/p>\n<p>A confus\u00e3o dos nomes das ruas fez at\u00e9 as transportadoras internacionais mais persistentes desistir da sua miss\u00e3o. Quem espera receber uma encomenda, \u00e9 melhor come\u00e7ar a contar ir levant\u00e1-la aos armaz\u00e9ns da transportadora, que eles n\u00e3o fazem a m\u00ednima ideia de onde fica a morada.<\/p>\n<p>Os Correios de Angola tamb\u00e9m n\u00e3o entregam cartas. N\u00e3o h\u00e1 carteiros e as cinquenta a oito esta\u00e7\u00f5es de correio espalhadas pelo pa\u00eds n\u00e3o garantem uma cobertura eficaz, muito menos quando uma d\u00fazia delas est\u00e1 em Luanda. Os Correios limitam-se a gerir apartados e pouco mais.<\/p>\n<p>O h\u00e1bito de mandar cartas perdeu-se. Hoje em dia, o e-mail faz as vezes de postal ilustrado. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o deselegante e sem charme nenhum, mas foi o melhor que se encontrou resolver o problema. A solu\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ter ido um pouco longe demais, porque se achou que o inverso tamb\u00e9m era verdadeiro. Hoje em dia, em Angola, enviam-se cartas por e-mail e, o que \u00e9 mais curioso ainda, e-mails por carta. Para um apartado, claro!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"e-mail\" style=\"border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px\" height=\"400\" alt=\"e-mail\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/email.jpg\" width=\"600\" border=\"0\" \/>    <br \/>E-mail dos dias em que a net falha\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o em Angola surpreendem-nos todos os dias. Umas vezes \u00e9 pelos seus imensos contrastes, outras vezes \u00e9 com a normalidade com que passamos a encarar certas coisas. Desde que comecei a escrever regularmente que me tenho sentido um pouco constrangido com a falta de fiabilidade do servi\u00e7o de internet. 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