{"id":2462,"date":"2009-05-15T00:00:00","date_gmt":"2009-05-14T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2462"},"modified":"2009-07-19T13:17:15","modified_gmt":"2009-07-19T12:17:15","slug":"a-piada-do-herege","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/a-piada-do-herege\/","title":{"rendered":"A piada do herege"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de agn\u00f3stico convicto, o que por si j\u00e1 \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o das grandes, por vezes ponho-me a pensar no que \u00e9 a religi\u00e3o e na necessidade que temos de acreditar em algo mais para al\u00e9m do que somos e sentimos.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga que a magia da vida se resume ao facto de um dia acabar. Talvez por isso procuremos dar um significado ao que experimentamos e tenhamos a necessidade de acreditar que h\u00e1 algo mais, que este caminho n\u00e3o foi em v\u00e3o. No fundo, n\u00e3o \u00e9 o medo da morte, mas sim o medo da insignific\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o deve ter nascido desta crise existencial, procurando respostas para o receio de n\u00e3o sermos assim t\u00e3o especiais como nos julgamos. Acreditar que algo mais para al\u00e9m da morte existiria foi apenas um pequeno passo.<\/p>\n<p>Se come\u00e7armos a analisar as v\u00e1rias religi\u00f5es do mundo, percebemos que t\u00eam mais em comum do que os crentes de cada uma querem admitir. No fundo, s\u00e3o apenas vers\u00f5es e subdivis\u00f5es de cren\u00e7as mais antigas. O islamismo vai buscar muito ao cristianismo e ao juda\u00edsmo que, por sua vez, v\u00e3o buscar muito ao hindu\u00edsmo ou outras religi\u00f5es mais antigas. At\u00e9 mesmo o sinal da cruz, com que os crist\u00e3os se benzem, pode ser comparado com a posi\u00e7\u00e3o de alguns <em>chakras<\/em> hindu.<\/p>\n<p>Cren\u00e7a comum a quase todas as religi\u00f5es \u00e9 a exist\u00eancia de vida ap\u00f3s a morte. Umas dizem que a vida passa a ser imaterial, num qualquer para\u00edso ou inferno idealizado pelos te\u00f3logos.<\/p>\n<p>Os que acreditam na roda da vida perceberam que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio inventar infernos ou para\u00edsos para castigar ou premiar os comportamentos tidos em vida, face \u00e0 moralidade vigente. A qualquer momento podemos desejar ocupar o lugar de outr\u00e9m ou de n\u00e3o invejar a sorte alheia. O inferno e o para\u00edso existem \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p>Se te portares mal, renasces para uma vida pior. Se te portares bem, subir\u00e1s de escal\u00e3o. At\u00e9 \u00e9 uma teoria interessante e evita ter de puxar demasiado pela imagina\u00e7\u00e3o ao tentar idealizar o que acontece depois da morte, que desconfio ser absolutamente nada.<\/p>\n<p>Acreditando na reencarna\u00e7\u00e3o nos moldes do hindu\u00edsmo, podemos voltar \u00e0 vida sob as mais variadas formas. Nesta vida sou gente, na pr\u00f3xima posso ser um jacar\u00e9 angolano ou at\u00e9 mesmo uma pequena bact\u00e9ria que nunca se afastar\u00e1 muito do charco onde surgiu. Se me portar mal, pode ser que regresse na forma de v\u00edrus da gripe\u2026 Ser\u00e1 que a consci\u00eancia que tenho agora se manifestar\u00e1 quando noutra forma? Ser\u00e1 que os jacar\u00e9s acreditam na vida depois da morte?<\/p>\n<p>Todo este paleio foi desencadeado por ver um c\u00e3o correr na praia, ou n\u00e3o fosse eu ir buscar inspira\u00e7\u00e3o aos s\u00edtios mais estranhos. O sol na moleirinha tamb\u00e9m \u00e9 capaz de ter ajudado. O certo \u00e9 que vi o c\u00e3o a correr no refluxo das ondas e pensei que seria feliz.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Stitched Panorama\" border=\"0\" alt=\"Stitched Panorama\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/jccanino.jpg\" width=\"600\" height=\"167\" \/>    <br \/>C\u00e3o ledo no cabo Ledo<\/p>\n<p>Mais tarde, ao ver as fotografias, reparei num pequeno pormenor que me intrigou. O c\u00e3o n\u00e3o tocava com as patas no ch\u00e3o. Fiz umas piadas f\u00e1ceis acerca do caminhar sobre as \u00e1guas, o c\u00e3o e o JC, que fez uma proeza semelhante l\u00e1 para o Rio Jord\u00e3o, mas depois pus-me a pensar nestas coisas da religi\u00e3o. Por momentos, a Roda da Vida n\u00e3o me pareceu uma ideia assim t\u00e3o descabida. Usufruir da experi\u00eancia de reencarna\u00e7\u00f5es anteriores at\u00e9 seria algo de interessante e a prova de que n\u00e3o estamos c\u00e1 em v\u00e3o e caminhamos todos para a perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"caodojc_01\" border=\"0\" alt=\"caodojc_01\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/caodojc-01.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>T\u00e3o feliz que flutua<\/p>\n<p>A piada her\u00e9tica que contei, deixo-a \u00e0 vossa imagina\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de agn\u00f3stico convicto, o que por si j\u00e1 \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o das grandes, por vezes ponho-me a pensar no que \u00e9 a religi\u00e3o e na necessidade que temos de acreditar em algo mais para al\u00e9m do que somos e sentimos. 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