{"id":2468,"date":"2009-05-17T00:00:00","date_gmt":"2009-05-16T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2468"},"modified":"2009-07-19T13:21:51","modified_gmt":"2009-07-19T12:21:51","slug":"futuro-desfocado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/futuro-desfocado\/","title":{"rendered":"Futuro desfocado"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos presos entre o passado e o futuro, num instante a que chamamos presente. Tudo quanto est\u00e1 para tr\u00e1s pode ser interpretado e avaliado at\u00e9 que comece a fazer algum sentido. O futuro \u00e9 intuido com base na experi\u00eancia. Umas vezes adivinhas-se, outras n\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 alturas em que fazemos planos e seguimos uma linha de rumo n\u00edtida. Sabemos para onde queremos ir, como l\u00e1 chegar e conhecemos todos os pontos de passagem de antem\u00e3o.<\/p>\n<p>Noutros momentos, a imagem que temos do porvir perde a nitidez. O que nos pareceu ser uma viagem tranquila come\u00e7a a ter os seus contornos esbatidos e a transformar-se num borr\u00e3o escuro. Receamos ter feito planos com base em premissas erradas. Duvidamos de tudo e refazemos as contas. As somas n\u00e3o batem certas. As subtrac\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o. N\u00e3o encontramos o erro, mas o Futuro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que sonh\u00e1mos.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m os momentos em que a viagem corre de acordo com o planeado, mas come\u00e7amos a suspeitar que ainda n\u00e3o nos apercebemos de perigos importantes. Tememos que a Lei de Murphy ataque em for\u00e7a, sem d\u00f3 nem piedade.<\/p>\n<p>A minha condi\u00e7\u00e3o de expatriado em Luanda deve-se, sobretudo, aos planos de um futuro melhor, de uma vida a dois sem tantos sobressaltos, de conseguir a estabilidade que a tantos falta. Mas a capital angolana tem o cond\u00e3o de nos fazer sentir impotentes. Atropela sonhos, destr\u00f3i mem\u00f3rias e abafa sentimentos. A pouco e pouco, a linha de rumo que se parecia com um fio de prumo come\u00e7a a contorcer-se, tentando fugir a esta teia. Novos planos se tra\u00e7am sobre os antigos, sempre com o mesmo objectivo. Come\u00e7amos a perceber que teremos de os ajustar um pouco mais \u00e0 frente. As coisas nunca s\u00e3o assim t\u00e3o simples\u2026<\/p>\n<p>Os dias como os primeiros, de olhos esbugalhados, come\u00e7am a alternar com os dias em que apetece mandar tudo \u00e0s urtigas, de chamar os bois pelos nomes, de dizer palavr\u00f5es. Pensamos no rumo e tentamos ajustar tudo outra vez. Sonhamos com o fim-de-semana, em que se foge da cidade e se pode arrumar a cabe\u00e7a, esquecer os dias maus e lembrar que h\u00e1 um objectivo a atingir.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"dondo09\" border=\"0\" alt=\"dondo09\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/dondo09.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>O Futuro nem sempre \u00e9 n\u00edtido<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos presos entre o passado e o futuro, num instante a que chamamos presente. Tudo quanto est\u00e1 para tr\u00e1s pode ser interpretado e avaliado at\u00e9 que comece a fazer algum sentido. O futuro \u00e9 intuido com base na experi\u00eancia. Umas vezes adivinhas-se, outras n\u00e3o. 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