{"id":2487,"date":"2009-05-23T00:00:00","date_gmt":"2009-05-22T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2487"},"modified":"2009-09-18T21:59:22","modified_gmt":"2009-09-18T20:59:22","slug":"beto-o-maluco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/beto-o-maluco\/","title":{"rendered":"Beto, o maluco"},"content":{"rendered":"<p>Para que n\u00e3o se pense que todos os angolanos batem nos c\u00e3es e apenas os usam para treinar a pontaria com a <em>\u00ed\u00e1ce<\/em>, procurei algu\u00e9m que fugisse \u00e0 regra. A demanda foi longa e penosa, mas consegui.Chama-se Beto e esta \u00e9 a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Foi na Maria Teresa, terra onde se pode almo\u00e7ar por um pre\u00e7o civilizado e ainda se tem direito a anima\u00e7\u00e3o. Tal como em muitas outras comunidades \u00e0 beira da estrada, aqui vive-se de alimentar os que passam. H\u00e1 sempre c\u00e3es a rondar os restos. Ao contr\u00e1rio dos de Luanda, n\u00e3o s\u00e3o escorra\u00e7ados \u00e0 pedrada. Mas isso n\u00e3o quer dizer que sejam bem tratados.<\/p>\n<p>Enquanto almo\u00e7\u00e1vamos, repar\u00e1mos no Beto, que por ali andava, ostentando um magn\u00edfico sorriso de orelha a orelha. Tinha todo o ar de quem queria pedir uma <em>gasosa<\/em> ou dizer que guardaria o carro, mas n\u00e3o o fez. Apreciou o teatro que se desenrolava \u00e0 nossa volta. A conversa entre dois estava t\u00e3o animada que nos fazia rir. O Beto n\u00e3o dizia nada, sorria apenas.<\/p>\n<p>Nisto, uma rafeira aproxima-se dele. Ele baixa-se, com uma m\u00e3o esticada e aproxima-a da cabe\u00e7a da cadela. Ela encolhe-se e espera. O Beto come\u00e7a a dar-lhe pancadinhas na cabe\u00e7a. A cadela senta-se e estica o pesco\u00e7o. As pancadinhas continuam. Depois p\u00e1ra e a cadela encosta-se-lhe \u00e0s pernas. Desconfio que sorriam os dois.<\/p>\n<p>A conversa muda de assunto por uns instantes.<\/p>\n<p>\u00ab<em>J\u00e1 reparaste, os c\u00e3es todos gostam do Beto.<\/em>\u00bb<br \/>\n\u00ab<em>At\u00e9 a Branquinha\u2026<\/em>\u00bb<br \/>\n\u00ab<em>\u00c9, reconhecem os malucos!<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Muitas risadas e mais uma cerveja a cada um. O Beto sorria e a Branquinha veio ver se encontrava uns ossos velhos para roer.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Beto\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/beto.jpg\" border=\"0\" alt=\"Beto\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nOs mimos<\/p>\n<p>Em Angola, deve ter sido o primeiro adulto que vi fazer festas a um c\u00e3o. Ainda h\u00e1 esperan\u00e7a!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para que n\u00e3o se pense que todos os angolanos batem nos c\u00e3es e apenas os usam para treinar a pontaria com a \u00ed\u00e1ce, procurei algu\u00e9m que fugisse \u00e0 regra. A demanda foi longa e penosa, mas consegui.Chama-se Beto e esta \u00e9 a sua hist\u00f3ria. Foi na Maria Teresa, terra onde se pode almo\u00e7ar por um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1,140,70],"tags":[139,73,376],"class_list":["post-2487","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-angola","category-maria-teresa","category-provincia-do-bengo","tag-beto","tag-caes","tag-maluco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2487","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2487"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2487\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3534,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2487\/revisions\/3534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}