{"id":2491,"date":"2009-05-24T00:00:00","date_gmt":"2009-05-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2491"},"modified":"2009-09-18T21:59:30","modified_gmt":"2009-09-18T20:59:30","slug":"aconchego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/aconchego\/","title":{"rendered":"Aconchego"},"content":{"rendered":"<p>A monotonia meteorol\u00f3gica angolana deixa-me um pouco atordoado. N\u00e3o consigo medir a passagem do tempo sem recorrer ao calend\u00e1rio.<\/p>\n<p>Habituadinho \u00e0s quatro esta\u00e7\u00f5es bem marcadas da zona temperada, aqui n\u00e3o me apercebo das folhas vermelhas do Outono, porque n\u00e3o as h\u00e1, nem me apercebo muito bem quando chega a primavera.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"chuvas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/chuvas.jpg\" border=\"0\" alt=\"chuvas\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nEsta\u00e7\u00e3o das chuvas<\/p>\n<p>Os embondeiros ajudam um pouco, passando o Cacimbo de <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=187\" target=\"_blank\">ramos nus<\/a> e o Ver\u00e3o com uma saud\u00e1vel cabeleira. J\u00e1 percebi que na esta\u00e7\u00e3o das chuvas o capim cresce imitando arranha-c\u00e9us verdes e que no resto do ano quase desaparece.<\/p>\n<p>Apesar de me dizerem que o Cacimbo \u00e9 frio e de ver muita gente agasalhada, em Luanda posso dizer que os dias mais g\u00e9lidos s\u00e3o semelhantes aos dias do final da Primavera de Lisboa. Os angolanos que cresceram nas terras altas dizem, a luandenses arrepiados de frio, que no Inverno de Luanda se pode dormir ao relento sem problemas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"chuvas-2\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/chuvas2.jpg\" border=\"0\" alt=\"chuvas-2\" width=\"400\" height=\"600\" \/><br \/>\nEsta\u00e7\u00e3o das chuvas<\/p>\n<p>Nas noites de ins\u00f3nia, um rem\u00e9dio santo \u00e9 enrolar-me num cobertor pesado. Em Angola tenho de passar sem isso. Tenho o len\u00e7ol enrolado aos p\u00e9s da cama, nada mais. Nas noites mais quentes chego mesmo a ligar o ar condicionado, para n\u00e3o acordar alagado em suor.<\/p>\n<p>As saudades que sentimos da nossa terra revelam-se nas pequenas coisas. H\u00e1 umas noites, dei por mim a enrolar-me no len\u00e7ol, quase como quem espera fechar os olhos e acordar em casa. Adormeci naquele aconchego, mas acordei desapontado. Ainda estava em Luanda e alagado em suor\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A monotonia meteorol\u00f3gica angolana deixa-me um pouco atordoado. N\u00e3o consigo medir a passagem do tempo sem recorrer ao calend\u00e1rio. Habituadinho \u00e0s quatro esta\u00e7\u00f5es bem marcadas da zona temperada, aqui n\u00e3o me apercebo das folhas vermelhas do Outono, porque n\u00e3o as h\u00e1, nem me apercebo muito bem quando chega a primavera. 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