{"id":2499,"date":"2009-05-25T00:00:00","date_gmt":"2009-05-24T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2499"},"modified":"2009-07-25T12:52:12","modified_gmt":"2009-07-25T11:52:12","slug":"candongueiros-e-autocarros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/candongueiros-e-autocarros\/","title":{"rendered":"Candongueiros e autocarros"},"content":{"rendered":"<p>A primeira imagem que tive de Luanda foi a existirem milhares de carrinhas azuis e brancas a circular em todas as direc\u00e7\u00f5es. Na falta de t\u00e1xis ou autocarros, o problema dos transportes p\u00fablicos tinha-se resolvido por si. Alguns <em>t\u00e1xis<\/em>, como lhes chamam por aqui, embora prestem servi\u00e7o de autocarro, s\u00e3o legais. T\u00eam licen\u00e7a de transporte de passageiros e motoristas com carta profissional, mas a grande maioria circula de forma ilegal, donde vem o nome mais popular de <em>candongueiro<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 um neg\u00f3cio fabuloso, onde o dono da viatura apenas tem lucro. Todo o risco e despesa fica por conta da tripula\u00e7\u00e3o: motorista e cobrador. Ao final do dia t\u00eam de entregar uma quantia fixa, que ronda os 10\u2019000 Kz, o dep\u00f3sito cheio e a carrinha lavada.<\/p>\n<p>Outra coisa que salta \u00e0 vista, \u00e9 a decora\u00e7\u00e3o dos vidros traseiros. Cada carrinha tem o seu letreiro, para se distinguir das outras frotas. Se tivermos sorte, algumas alinham-se e formam frases curiosas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"trasnportes_publicos_4\" border=\"0\" alt=\"trasnportes_publicos_4\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/trasnportes-publicos-4.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>De Pasta &#8211; Do mais alto n\u00edvel &#8211; Vapor da Per\u00edcia<\/p>\n<p>Em certos locais estrat\u00e9gicos, a confus\u00e3o de preg\u00f5es anunciando o destino do t\u00e1xi e a anarquia com que estacionam, tentando cortar a sa\u00edda aos demais sem ser bloqueado por outro, gera um espect\u00e1culo engra\u00e7ado. Mas s\u00f3 para quem v\u00ea, claro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"trasnportes_publicos_2\" border=\"0\" alt=\"trasnportes_publicos_2\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/trasnportes-publicos-2.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Candongueiro famoso<\/p>\n<p>Com a aplica\u00e7\u00e3o mais rigorosa no novo C\u00f3digo de Estrada, os candongueiros come\u00e7aram a desaparecer. Alguns foram apreendidos, outros encostados a um canto, esperando dias melhores. Entretanto, come\u00e7aram a circular autocarros. Poucos, muito poucos. E n\u00e3o chegam onde as carrinhas de nove lugares oficiais e dezasseis oficiosos chegam.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"trasnportes_publicos_1\" border=\"0\" alt=\"trasnportes_publicos_1\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/trasnportes-publicos-1.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Parlamento nocturno<\/p>\n<p>Os autocarros n\u00e3o fazem servi\u00e7o nocturno, ao contr\u00e1rio dos t\u00e1xis, que circulam at\u00e9 que se consiga perfazer a quantia a entregar ao patr\u00e3o, nem t\u00eam as qualidades de todo-o-terreno das <em>i\u00e1ces<\/em>, indispens\u00e1veis numa cidade cheia de buracos trai\u00e7oeiros e estradas enlameadas.<\/p>\n<p>Nos dias de chuva, os candongueiros serpenteiam entre as po\u00e7as de lama e as armadilhas na estrada, furando pelo meio do tr\u00e2nsito, nas suas habituais <em>m\u2019baias<\/em>. Os autocarros, menos \u00e1geis, acabam por n\u00e3o resistir.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"trasnportes_publicos_3\" border=\"0\" alt=\"trasnportes_publicos_3\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/trasnportes-publicos-3.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Atolado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira imagem que tive de Luanda foi a existirem milhares de carrinhas azuis e brancas a circular em todas as direc\u00e7\u00f5es. Na falta de t\u00e1xis ou autocarros, o problema dos transportes p\u00fablicos tinha-se resolvido por si. Alguns t\u00e1xis, como lhes chamam por aqui, embora prestem servi\u00e7o de autocarro, s\u00e3o legais. 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