{"id":2520,"date":"2009-05-21T00:00:00","date_gmt":"2009-05-20T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2520"},"modified":"2009-07-19T13:16:52","modified_gmt":"2009-07-19T12:16:52","slug":"cacimbo-blues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/cacimbo-blues\/","title":{"rendered":"Cacimbo Blues"},"content":{"rendered":"<p>A minha chegada a Angola coincidiu com o in\u00edcio da \u00e9poca do cacimbo. Foi uma quase continuidade do final da Primavera meridional. Associado \u00e0 novidade de uma terra desconhecida, nem me apercebi verdadeiramente do c\u00e9u sempre cinzento.<\/p>\n<p>Depois veio o Ver\u00e3o, mais quente e com c\u00e9u limpo. Por vezes at\u00e9 de um azul luminoso indiscrit\u00edvel. Dias em que tudo parece correr bem e s\u00f3 podemos reclamar do calor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Cacimbo_blues02\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/cacimbo-blues02.jpg\" border=\"0\" alt=\"Cacimbo_blues02\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nNo Ver\u00e3o<\/p>\n<p>No in\u00edcio do meu segundo ano em angola, encontrei o Cacimbo pela segunda vez, mas agora n\u00e3o foi t\u00e3o discreto. A transi\u00e7\u00e3o dos dias de Sol para os de luz morti\u00e7a, parecidos com os dias de trovoada que nos fazem doer a cabe\u00e7a, foi demasiado r\u00e1pida. O mau humor instalou-se por todo o lado. Ficamos mais impacientes, com os nervos \u00e0 flor da pele, cheios de vontade de reclamar disto e daquilo. Aos pol\u00edcias acontece o mesmo e descarregam nos outros, o que ainda agrava mais o estado de esp\u00edrito geral.<\/p>\n<p>\u00c0 minha volta vejo sinais evidentes da Depress\u00e3o do Cacimbo, uma coisa que desconfiava n\u00e3o existir, mas que \u00e9 t\u00e3o real como as depress\u00f5es que fazem os suecos suicidar-se aos milhares a meio do Inverno. Nem o <a href=\"http:\/\/diariodaafrica.blogspot.com\/2009\/05\/sera.html\" target=\"_blank\">Di\u00e1rio da \u00c1frica<\/a> escapou! Parece que deix\u00e1mos de ser capazes de ver as coisas boas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"cacimbo_blues01\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/cacimbo-blues01.jpg\" border=\"0\" alt=\"cacimbo_blues01\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nVemos lixo em todo o lado<\/p>\n<p>Agora, que j\u00e1 estava a esfor\u00e7ar-me por combater o que chamo de <em>Cacimbo Blues<\/em>, a EDEL, na sua infinita sabedoria, come\u00e7ou a cortar a electricidade vinte e duas horas por dia. Todos os dias. J\u00e1 n\u00e3o est\u00e1vamos habituados a ter de ligar o gerador e a contorcer-nos para conseguir encher-lhe o dep\u00f3sito. Pelo jornal, fiquei a saber que os cortes durar\u00e3o a semana toda. Com os frigor\u00edficos desligados, come\u00e7o a pensar se ter\u00e1 sido s\u00e1bio ter ido comprar comida no fim-de-semana.<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 uma maneira de encarar isto: adaptar o Indigo Blue do Gilberto Gil e passar os dias a cantar<\/p>\n<p><em>Cacimbo Blue, Cacimbo Blue<br \/>\nCacimbo Bluz\u00e3o!\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A minha chegada a Angola coincidiu com o in\u00edcio da \u00e9poca do cacimbo. Foi uma quase continuidade do final da Primavera meridional. Associado \u00e0 novidade de uma terra desconhecida, nem me apercebi verdadeiramente do c\u00e9u sempre cinzento. Depois veio o Ver\u00e3o, mais quente e com c\u00e9u limpo. Por vezes at\u00e9 de um azul luminoso indiscrit\u00edvel. 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