{"id":2535,"date":"2009-06-07T00:00:00","date_gmt":"2009-06-06T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2535"},"modified":"2009-07-16T22:51:12","modified_gmt":"2009-07-16T21:51:12","slug":"cumprindo-o-provrbio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/cumprindo-o-provrbio\/","title":{"rendered":"Cumprindo o prov\u00e9rbio"},"content":{"rendered":"<p>Costuma-se dizer que a sabedoria popular, quase sempre transmitida sob a forma de prov\u00e9rbios, \u00e9 fruto da observa\u00e7\u00e3o directa de fen\u00f3menos ou situa\u00e7\u00f5es. A previs\u00e3o do estado do tempo \u00e9 um bom exemplo, porque h\u00e1 dezenas de ditos, prov\u00e9rbios e reparos emp\u00edricos acerca do tema.<\/p>\n<p>Angola n\u00e3o \u00e9 uma terra diferente das demais neste aspecto. Os prov\u00e9rbios nascem da mesma maneira. Ser\u00e3o, talvez, a primeira forma de Hist\u00f3ria inventada. S\u00e3o f\u00e1ceis de decorar e transmitem sempre algo de \u00fatil, mesmo que n\u00e3o pare\u00e7a.<\/p>\n<p>Em Luanda, na \u00faltima grande chuvada do Ver\u00e3o que terminou, assisti a um epis\u00f3dio que me lembrou um <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2470\" target=\"_blank\">prov\u00e9rbio angolano<\/a>.<\/p>\n<p>A meio da tarde cinzenta, umas gotas t\u00edmidas come\u00e7aram a pintalgar os passeios, fazendo assentar o p\u00f3. Uns minutos mais tarde, os preg\u00f5es das zungueiras deixaram de se ouvir, enquanto procuravam um toldo para se abrigarem. A chuva come\u00e7ou a cair com mais insist\u00eancia e as ruas esvaziaram-se. Tirando o ocasional carro a passar, s\u00f3 o choro das crian\u00e7as, prontamente interrompido com uma mama na boca, perturbava o barulho da chuva quente a cair com for\u00e7a.<\/p>\n<p>Num instante, as ruas secas transformaram-se em rios caudalosos, fazendo lembrar os rios tempor\u00e1rios que se enchem subitamente de \u00e1gua castanha e lixo flutuante. Debaixo das varandas e dos toldos, as zungueiras velavam pelos alguidares ainda cheios, mostrando um dia fraco, com os clientes tamb\u00e9m fugidos da chuva.<\/p>\n<p>Durante esta espera aborrecida, uma das mulheres come\u00e7ou a despir a filha. Pendurada por um bra\u00e7o, a menina n\u00e3o reclamava enquanto a m\u00e3e lhe puxava a roupa e a deixava nua. Entalava a roupa no pano que h\u00e1 pouco lhe segurava a filha e depois, sem grandes contempla\u00e7\u00f5es, deitou-a de costas na valeta, onde corria a \u00e1gua da chuva. Com uma m\u00e3o segurava-lhe as costas e com a outra dava-lhe banho. A menina continuava imp\u00e1vida. Secou-a numa das pontas do pano, vestiu-a e p\u00f4-la \u00e0s costas.<\/p>\n<p>\u00ab<em>A mulher asseada v\u00ea-se no Cacimbo<\/em>\u00bb, lembrei-me.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Costuma-se dizer que a sabedoria popular, quase sempre transmitida sob a forma de prov\u00e9rbios, \u00e9 fruto da observa\u00e7\u00e3o directa de fen\u00f3menos ou situa\u00e7\u00f5es. A previs\u00e3o do estado do tempo \u00e9 um bom exemplo, porque h\u00e1 dezenas de ditos, prov\u00e9rbios e reparos emp\u00edricos acerca do tema. Angola n\u00e3o \u00e9 uma terra diferente das demais neste aspecto. 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