{"id":2586,"date":"2009-06-22T00:00:00","date_gmt":"2009-06-21T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2586"},"modified":"2009-08-08T21:34:46","modified_gmt":"2009-08-08T20:34:46","slug":"prola-do-musseque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/prola-do-musseque\/","title":{"rendered":"P\u00e9rola do Musseque"},"content":{"rendered":"<p>Luanda, a cidade dos contrastes, tem uma rela\u00e7\u00e3o muito estranha com o seu patrim\u00f3nio. N\u00e3o sei se \u00e9 a Luanda cidade ou a Luanda gente que o causa, mas desconfio que ambas tenham influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Em Luanda, todos os edif\u00edcios que se atravessam no caminho do <em>progresso<\/em> t\u00eam o destino tra\u00e7ado com uma m\u00e1quina de rastos. N\u00e3o interessa se s\u00e3o importantes ou n\u00e3o para a Hist\u00f3ria. Se ocupam terreno valioso, v\u00eam abaixo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"p\u00e9rola_3\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/prola-3.jpg\" border=\"0\" alt=\"p\u00e9rola_3\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nFalta pouco<\/p>\n<p>No meio de tanto edif\u00edcio derrubado, h\u00e1 dias em que perdemos a esperan\u00e7a de que a cidade seja capaz de conservar a sua Mem\u00f3ria ou a sua identidade. S\u00f3 que, \u00e0s vezes, somos surpreendidos com fabulosos peda\u00e7os de Mem\u00f3ria nos s\u00edtios mais inusitados, que resistem inexplicavelmente.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por haver quem as defenda, porque esse \u00e9 o primeiro passo para que algu\u00e9m repare no local e comece a pensar no que poderia ali construir. Mais tarde ou mais cedo ser\u00e1 escolhido para albergar as funda\u00e7\u00f5es de uma nova torre reluzente. As coisas resistem devido a um completo desinteresse. Mesmo que sejam monumentos importantes, s\u00e3o indiferentes. N\u00e3o h\u00e1 interesse em preservar ou destruir e v\u00e3o ficando, como os letreiros dos neg\u00f3cios do tempo do colono.<\/p>\n<p>No musseque do Prenda, pelo meio das casas com telhados de chapa e paredes tortas, encontra-se uma destas surpresas. Consegue-se ver do viaduto na estrada da Samba, quase \u00e0 sombra do Mausol\u00e9u inacabado. Ficou mais vis\u00edvel desde que demoliram uma casa. Passei a chamar-lhe <em>A P\u00e9rola do Musseque<\/em>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Maianga do Prenda\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/prola-1.jpg\" border=\"0\" alt=\"Maianga do Prenda\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nA P\u00e9rola do Musseque<\/p>\n<p>Um chafariz de meados do s\u00e9c. XIX \u00e9 sempre algo que chama a nossa aten\u00e7\u00e3o, mas quando o encontramos no meio de um bairro como o Prenda e pintado de novo, \u00e9 caso para acreditar em milagres.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"P\u00e9rola_2\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/prola-2.jpg\" border=\"0\" alt=\"P\u00e9rola_2\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nMaianga reedificada em 1849<\/p>\n<p>A parte melhor desta hist\u00f3ria \u00e9 que aprendi o significado da palavra Maianga e voltei a ter esperan\u00e7a no futuro do Passado da cidade.<\/p>\n<p>Agora s\u00f3 tenho de arranjar coragem para ir l\u00e1 fotografar o chafariz de perto, em vez de ficar na jaula com rodas a usar a tele-objectiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luanda, a cidade dos contrastes, tem uma rela\u00e7\u00e3o muito estranha com o seu patrim\u00f3nio. 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