{"id":2604,"date":"2009-06-26T00:00:00","date_gmt":"2009-06-25T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2604"},"modified":"2009-06-27T00:04:42","modified_gmt":"2009-06-26T23:04:42","slug":"jornais-velhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/jornais-velhos\/","title":{"rendered":"Jornais velhos"},"content":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 coisa que gosto de fazer \u00e9 de ler jornais velhos. As not\u00edcias desactualizadas, que perderam a import\u00e2ncia relativa da \u00e9poca ficam com um sabor especial. \u00c9 um processo curioso retirar as v\u00e1rias camadas de interpreta\u00e7\u00f5es e correntes vigentes na altura em que a not\u00edcia foi escrita e tentar chegar ao facto que lhe deu origem. Acabamos por o interpretar de uma forma diferente, por vezes mais desprendida.<\/p>\n<p>As previs\u00f5es mais ou menos imprecisas, quando comparadas com o que aconteceu realmente s\u00e3o motivo de divers\u00e3o e, por vezes, medita\u00e7\u00e3o. Apercebemo-nos que, nas \u00e9pocas mais optimistas, as previs\u00f5es costumam apontar para um mundo fant\u00e1stico, onde o \u00fanico limite \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o. Nos per\u00edodos de crise, projecta-se o caos, tumultos e mais des\u00e2nimo. S\u00e3o raras as previs\u00f5es que contradizem o esp\u00edrito da \u00e9poca, como que tentanto assegurar que o mundo \u00e9 mais est\u00e1tico do que realmente \u00e9. Teme-se a mudan\u00e7a, porque isso ter\u00e1 consequ\u00eancias directas nos nossos h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>Em Angola n\u00e3o me costumo cruzar muitas vezes com jornais velhos e este pequeno prazer \u00e9 adiado por uns meses de cada vez, no entanto, descobri um suced\u00e2neo muito pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Ler o <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1504\" target=\"_blank\">Jornal de Angola<\/a>, com as suas not\u00edcias sempre boas, quase a ro\u00e7ar o surrealismo, que relatam conquistas do Governo e da Na\u00e7\u00e3o, que afagam o orgulho angolano e refor\u00e7am as maravilhas do melhor pa\u00eds do mundo. Lemos as not\u00edcias, mas n\u00e3o conseguimos esconder a impress\u00e3o de que algo n\u00e3o bate certo; sentimos o mesmo deprendimento que experimentamos ao ler um jornal velho. Os temas do dia s\u00e3o aqueles, mas n\u00e3o se ajustam exactamente \u00e0 realidade. \u00c9 como ler um artigo acerca da crise do petr\u00f3leo dos anos setenta reciclado para a crise de 2008, mas em tom optimista, claro.<\/p>\n<p>Seriam assim os jornais do Estado Novo?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Jornais_velhos\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/jornais-velhos.jpg\" border=\"0\" alt=\"Jornais_velhos\" width=\"600\" height=\"400\" \/><br \/>\nEstilo Jornal de Angola<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 coisa que gosto de fazer \u00e9 de ler jornais velhos. 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