{"id":2615,"date":"2009-06-30T00:00:00","date_gmt":"2009-06-29T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2615"},"modified":"2009-09-18T21:58:16","modified_gmt":"2009-09-18T20:58:16","slug":"crnica-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/crnica-de-guerra\/","title":{"rendered":"Cr\u00f3nica de guerra"},"content":{"rendered":"<p>A varanda da Aerogare do Huambo \u00e9 um local fant\u00e1stico para se conhecer mais um pouco da Hist\u00f3ria de Angola, nem que seja atrav\u00e9s dos pequenos epis\u00f3dios que nunca chegam aos livros.<\/p>\n<p>No intervalo entre os avi\u00f5es que chegam e partem, pouco mais h\u00e1 para fazer que olhar para o c\u00e9u e, indecentemente, escutar fragmentos de conversas que o vento traz.<\/p>\n<p>Desta feita, quatro militares sentaram-se na mesa ao lado, partilhavam mem\u00f3rias do tempo da guerra, que uns tinham vivido e outros j\u00e1 s\u00f3 tinham ouvido contar, por serem demasiado novos.<\/p>\n<p>O mais velho, da For\u00e7a A\u00e9rea, puxou do tema do \u00faltimo ataque ao aeroporto do Huambo, por parte das for\u00e7as da Unita. N\u00e3o mostrava saudades da batalha, mas agora sentia-se demasiado relaxado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Casa de Jonas Savimbi destru\u00edda\" border=\"0\" alt=\"Casa de Jonas Savimbi destru\u00edda\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/huambo-13.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>     <br \/><em>Chez<\/em> Savimbi<\/p>\n<p>Um oficial bem mais novo contou a sua vers\u00e3o do que se passou nessa manh\u00e3, pelo ponto de vista de quem se tinha visto no meio de uma guerra sem saber bem como.<\/p>\n<p>\u00ab<em>No dia em que a guerra come\u00e7ou, no dia 9, eu ainda nem sabia disparar a arma. Meti a cartucheira e depois foi o Kota Jamaica que me mostrou como se fazia.<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Outro atalhou: \u00ab<em>O Jamaica correu por ali e s\u00f3 parou l\u00e1 no fundo. Nunca tinha medo. Deu bw\u00e9 de tiros.<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>O mais velho acrescentou \u00ab<em>\u00c9, ele safou muitos aqui\u2026<\/em>\u00bb<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"Prumo met\u00e1lico crivado de buracos de balas\" border=\"0\" alt=\"Prumo met\u00e1lico crivado de buracos de balas\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/huambo-20.jpg\" width=\"400\" height=\"600\" \/>     <br \/>Viol\u00eancia<\/p>\n<p>Temores e aventuras passados entre os abrigos de terra que protegiam os avi\u00f5es e os soldados foram pintando uma hist\u00f3ria de bravura e improvisa\u00e7\u00e3o numa batalha confusa. Mais umas cervejas e o assunto foi mudando para coisas mais mundanas: as namoradas, o carro novo, quem pagava a rodada seguinte.<\/p>\n<p>Foram interrompidos pelo Capit\u00e3o, que tinha chegado \u00e0 esplanada. Em jeito de in\u00edcio de conversa, avisou o oficial mais novo: \u00ab<em>Se n\u00e3o me d\u00e1s saldo, nunca mais chegas a segundo tenente!<\/em>\u00bb. Deixei de prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 conversa. O novo assunto tinha menos interesse que o jacto que acabara de aterrar e se dirigia \u00e0 placa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A varanda da Aerogare do Huambo \u00e9 um local fant\u00e1stico para se conhecer mais um pouco da Hist\u00f3ria de Angola, nem que seja atrav\u00e9s dos pequenos epis\u00f3dios que nunca chegam aos livros. 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