{"id":268,"date":"2008-07-19T00:00:27","date_gmt":"2008-07-18T23:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=268"},"modified":"2009-07-19T13:41:54","modified_gmt":"2009-07-19T12:41:54","slug":"candongueiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/candongueiros\/","title":{"rendered":"Candongueiros"},"content":{"rendered":"<p>Tal como prometi h\u00e1 uns tempos, tinha de publicar mais um artigo dedicado aos mant\u00e9m Luanda a funcionar. Se as ruas e avenidas se podem comparar com art\u00e9rias, os taxistas podem muito bem ser os gl\u00f3bulos vermelhos do sangue da cidade.<\/p>\n<p>Apesar de serem todos azuis e brancos, cada frota procura ser distinta das restantes. N\u00e3o pela qualidade do servi\u00e7o oferecido, mas pelo volume do r\u00e1dio ou pela decora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como uma imagem vale um candongueiro carregado de palavras, aqui ficam alguns exemplos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071408-2136-candongueir1.jpg\" alt=\"\" width=\"463\" height=\"340\" \/><br \/>\nAgradece a Hiace ou a carta? Nenhuma \u00e9 famosa<\/p>\n<p>Logo de manh\u00e3, quem sai do centro da cidade depara-se com o tr\u00e2nsito compacto em sentido contr\u00e1rio, com duas filas a ocupar o espa\u00e7o de uma. \u00c9 vulgar ver uma terceira fila azul e branca a circular bem depressa j\u00e1 para o lado contr\u00e1rio do duplo cont\u00ednuo. Quem vai na sua m\u00e3o, que saia da frente, um candongueiro tem prioridade at\u00e9 sobre as ambul\u00e2ncias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071408-2136-candongueir2.jpg\" alt=\"\" width=\"499\" height=\"346\" \/><br \/>\nExtintores vazios usados como decora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A concorr\u00eancia \u00e9 feroz e h\u00e1 grandes discuss\u00f5es nas pra\u00e7as de t\u00e1xis acerca de quem chegou primeiro. Acaba por ganhar aquele que conseguir enfiar a frente da carrinha de tal maneira que o outro n\u00e3o consiga passar sem bater.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071408-2136-candongueir3.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nVoltamos aos nomes parvos<\/p>\n<p>As rotas seguidas s\u00e3o mais ou menos fixas, admitindo algumas varia\u00e7\u00f5es de percurso consoante o tr\u00e2nsito. N\u00e3o causa espanto a ningu\u00e9m quando um t\u00e1xi destinado \u00e0 Mutamba faz meia-volta no Largo da Maianga (geralmente fazendo invers\u00e3o de marcha sobre um duplo cont\u00ednuo, sem\u00e1foro vermelho, sem piscas e a ocupar quatro faixas).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071408-2136-candongueir4.jpg\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"216\" \/><br \/>\nColhem pe\u00f5es nas passadeiras?<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos passageiros, h\u00e1 tamb\u00e9m lugar para a carga, que \u00e9 sempre variada. Desde molhos de couves at\u00e9 cabras vivas e um caix\u00e3o, j\u00e1 vimos passar de tudo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071408-2136-candongueir5.jpg\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"330\" \/><br \/>\nAinda chegamos l\u00e1 vivos<\/p>\n<p>Algumas frotas insistem em levar umas colunas extremamente potentes, que fazem estremecer os bancos dos carros \u00e0 volta. Tenho a impress\u00e3o de que deve haver enjoos muito frequentes nesses t\u00e1xis.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071408-2136-candongueir6.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nA solu\u00e7\u00e3o pode ser nova, mas a carrinha \u00e9 t\u00e3o antiga quanto o problema<\/p>\n<p>Os consumos destas Toyota s\u00e3o coisas espantosas. H\u00e1 algumas que devem gastar, seguramente, 4 litros por cada 100 km. 4 litros de \u00f3leo, claro. O consumo de combust\u00edvel \u00e9 algo a que nem se olha por estas bandas, mas n\u00e3o deve andar muito longe dos 30 litros. A avaliar pelo fumo negro que a maioria liberta, devem todas trabalhar a ramos verdes\u2026<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071408-2136-candongueir7.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nNem sei que diga<\/p>\n<p>Apesar de serem a melhor maneira de ir de um lado ao outro de Luanda, h\u00e1 alturas em que s\u00e3o (mais) perigosos. Nas \u00e9pocas festivas, \u00e9 vulgar haver taxistas b\u00eabados, a conduzir de forma ainda mais temer\u00e1ria que a do costume. Nestes dias, a frequ\u00eancia de t\u00e1xis tamb\u00e9m diminui e os pre\u00e7os sobem. A assiduidade e pontualidade do proletariado luandense devem decrescer de forma assustadora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071408-2136-candongueir8.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nEste \u00e9 o meu favorito!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tal como prometi h\u00e1 uns tempos, tinha de publicar mais um artigo dedicado aos mant\u00e9m Luanda a funcionar. Se as ruas e avenidas se podem comparar com art\u00e9rias, os taxistas podem muito bem ser os gl\u00f3bulos vermelhos do sangue da cidade. Apesar de serem todos azuis e brancos, cada frota procura ser distinta das restantes. 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