{"id":274,"date":"2008-07-20T00:00:15","date_gmt":"2008-07-19T23:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=274"},"modified":"2009-07-19T13:50:06","modified_gmt":"2009-07-19T12:50:06","slug":"rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/rosa\/","title":{"rendered":"Rosa"},"content":{"rendered":"<p>Por uma raz\u00e3o ou por outra, fiquei uns dias sozinho em casa. Aproveitei para por em dia umas sestas que estavam j\u00e1 dadas como incobr\u00e1veis e para engomar a pilha de roupa que tinha vindo a adiar. As sestas correram muito bem. Superaram mesmo as minhas expectativas. J\u00e1 a parte do ferro de engomar teve uns resultados mistos, para n\u00e3o dizer que n\u00e3o foi mau de todo. A roupa ficou passada, mas h\u00e1 um ou outro vinco que acabou por me derrotar. Com barulho das luzes ningu\u00e9m nota.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071508-2036-rosa1.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nUm Toyota na publicidade<\/p>\n<p>Aproveitei tamb\u00e9m para fazer mais uns passeios higi\u00e9nicos pelo bairro. Voltei a visitar o edif\u00edcio da Assembleia Nacional que no Domingo tinha um sujeito atravessado \u00e0 porta. Nos dias de expediente ganha uma nova dignidade, imposta pelos dois pol\u00edcias. Em frente da escola de condu\u00e7\u00e3o tropical (no Cinema 1\u00ba de Maio) havia uma d\u00fazia de vendedores de estampilhas fiscais e impressos para outra d\u00fazia de candidatos a condutores. Havia tamb\u00e9m uma vendedora de livros. Dei uma espreitadela aos t\u00edtulos e achei piada \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das obras. &#8220;No\u00e7\u00f5es de Mec\u00e2nica&#8221;, &#8220;C\u00f3digo de Estrada&#8221;, &#8220;C\u00f3digo Penal Angolano&#8221;, &#8220;B\u00edblia Sagrada&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071508-2036-rosa21.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nVendedora de \u00e1gua fresca<\/p>\n<p>A venda na rua aparenta ser est\u00e1tica, mas n\u00e3o \u00e9. Os rapazes que vendem entre os carros est\u00e3o sempre a andar. Fazem vinte metros contra o tr\u00e2nsito e depois regressam depressa ao ponto de partida. As vendedoras de fruta est\u00e3o quase sempre sentadas, mas de vez em quando agarram no alguidar, p\u00f5e-no \u00e0 cabe\u00e7a e mudam a loja para uma esquina mais movimentada. \u00c9 um pouco ingrato mirar um abacaxi com bom ar e, quando se regressa, uns minutos depois, o abacaxi foi-se com a vendedora. At\u00e9 mesmo as vendedoras de ovos cozidos, bolos e sandes est\u00e3o sempre em movimento. Param apenas para atender um cliente ou para aproveitar um local concorrido. S\u00f3 mesmo quem depende dos fogareiros para cozinhar \u00e9 que se mant\u00e9m, dia ap\u00f3s dia, no mesmo local.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071508-2036-rosa3.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nPeixaria<\/p>\n<p>O panorama fora do centro da cidade \u00e9 muito diferente. No Morro Bento, l\u00e1 mais a Sul, as bancas de fruta e hortali\u00e7as s\u00e3o imensas. S\u00e3o verdadeiras lojas. As margens de lucro destas vendedoras j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o consumidas pelo t\u00e1xi de volta a casa e a variedade de produtos aumenta muito as vendas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071508-2036-rosa4.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nMercearia<\/p>\n<p>No fim-de-semana fomos dar uma voltinha para fora da cidade. J\u00e1 nos est\u00e1vamos a armar em portugueses t\u00edpicos, que v\u00e3o passar o fim-de-semana ao centro comercial. Apercebem-nos do rid\u00edcula que estava a ser a nossa vida quando demos por n\u00f3s a cumprimentar outros portugueses que s\u00f3 conhecemos de vista do centro comercial.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071508-2036-rosa5.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nVida de c\u00e3o<\/p>\n<p>Soube t\u00e3o bem arejar o esp\u00edrito e ir ver uma Luanda sem casas e sem gente, com o Mussulo a molhar os p\u00e9s ao nosso lado. Mas isto \u00e9 tema para outro dia. Hoje \u00e9 para falar da Rosa.<\/p>\n<p>No regresso a casa t\u00ednhamos de ir \u00e0s compras. Havia j\u00e1 muitas falhas em casa. Como as cebolas do supermercado tinham aspecto de j\u00e1 ter tido uma juventude preenchida algures no s\u00e9culo passado, seria melhor pensar em ir a outro s\u00edtio. Resolvemos parar numa das muitas bancas de verduras. O crit\u00e9rio de escolha foi inexistente. Par\u00e1mos na primeira que n\u00e3o tivesse clientes. Os produtos estavam com muito melhor aspecto. Os tomates vi\u00e7osos, os pimentos brilhantes e as cebolas tinham aspecto de cebola. N\u00e3o eram aquelas coisas moles que vimos l\u00e1 no supermercado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/071508-2036-rosa6.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nCada par de laranjas 50 Kz<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das vendedoras do centro de Luanda, que vendem duas laranjas de cada vez, aqui vende-se em maior quantidade. \u00c0 excep\u00e7\u00e3o dos pimentos, que estavam empilhados quatro a quatro, o resto era vendido a balde. Apesar de n\u00e3o sermos, claramente, angolanos de gema, os pre\u00e7os n\u00e3o reflectiam o <em>imposto de branco<\/em>. O pre\u00e7o que a vendedora nos fez para o balde de tomates foi o mesmo que fez ao cliente anterior.<\/p>\n<p>Um balde de tomates era muito. Somos s\u00f3 tr\u00eas e n\u00e3o gastamos assim tanto. A vendedora bem insistia para que lev\u00e1ssemos um balde inteiro, que n\u00e3o se estragava no frigor\u00edfico, mas era realmente muito tomate. Resolvemos comprar s\u00f3 duas m\u00e3os cheias. O pre\u00e7o foi um pouco regateado, mas depressa se chegou a acordo: 200 Kz por 8 tomates com excelente aspecto. Mais um balde de batatas e outro de cebolas, quatro pimentos (uma pilha) e uma dezena de maracuj\u00e1s. Ficou tudo por 2500 Kz. Pode parecer caro, mas no supermercado s\u00f3 havia coisas podres <strong>ao mesmo pre\u00e7o<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;Se as coisas forem boas, voltamos para comprar mais&#8221; avisou a P..<\/p>\n<p>&#8220;Sim, \u00e9 tudo bom.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Como se chama?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Rosa!&#8221; e brindou-nos com um sorriso.<\/p>\n<p>At\u00e9 \u00e0 pr\u00f3xima!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por uma raz\u00e3o ou por outra, fiquei uns dias sozinho em casa. Aproveitei para por em dia umas sestas que estavam j\u00e1 dadas como incobr\u00e1veis e para engomar a pilha de roupa que tinha vindo a adiar. As sestas correram muito bem. 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