{"id":2831,"date":"2009-07-27T00:00:00","date_gmt":"2009-07-26T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=2831"},"modified":"2009-07-12T20:30:08","modified_gmt":"2009-07-12T19:30:08","slug":"lasquinhas-coloridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/lasquinhas-coloridas\/","title":{"rendered":"Lasquinhas coloridas"},"content":{"rendered":"<p>Lembro-me de, nos anos oitenta, ver \u00e0 venda prensas para restos de sabonete, instrumentos que permitiam aproveitar todos aqueles pedacinhos de sabonete t\u00e3o pequenos que j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o jeito, mas que n\u00e3o deitamos fora porque somos <a href=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=1097\" target=\"_blank\">unhas-de-fome<\/a>.<\/p>\n<p>Anunciava o fabricante que, juntando um n\u00famero suficientemente grande de peda\u00e7os de sabonete, e pressionando com vigor, se obtinha um nov\u00edssimo sabonete colorido em forma de bolacha.<\/p>\n<p>A \u00fanica falha do plano era mesmo ter de coleccionar todos aquelas lascas at\u00e9 ter uma quantidade suficiente para fazer um sabonete pequenino. Todos sabemos que, ao fim de umas semanas, o sabonete est\u00e1 t\u00e3o ressequido que \u00e9 imposs\u00edvel fazer alguma coisa dele e acabamos por v\u00ea-lo aguentar, estoicamente, sobre o lavat\u00f3rio at\u00e9 ao dia em que se desfaz por completo e n\u00e3o nos deixa solu\u00e7\u00e3o sen\u00e3o empurrar as migalhas pelo ralo abaixo. Mas os senhores venderam a prensa!<\/p>\n<p>Poder\u00e3o perguntar-se o que recorda\u00e7\u00f5es obscuras da d\u00e9cada de oitenta t\u00eam a ver com a vida em Luanda, mas a verdade \u00e9 que s\u00e3o os pequenos pormenores que acabam por ter import\u00e2ncia. Tenhamos paci\u00eancia, que o mist\u00e9rio ser\u00e1 revelado um pouco mais \u00e0 frente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"sabonete\" border=\"0\" alt=\"sabonete\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/sabonete.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Lava, lava, lava. Esfrega, esfrega, esfrega. Hmmm\u2026 que cheirinho a lim\u00e3o!<\/p>\n<p>O abastecimento de g\u00e9neros em Angola \u00e9 algo demasiado complexo para que o comum dos mortais compreenda verdadeiramente a sua din\u00e2mica. Todos os produtos importados sofrem do fen\u00f3meno a que chamam \u00ab<em>Porto de Luanda<\/em>\u00bb, um misterioso buraco negro da log\u00edstica que nos obriga a nunca usar a mesma marca de sabonete no decurso da estadia.<\/p>\n<p>Cada sabonete que se compra tem uma cor ligeiramente diferente do anterior, quando n\u00e3o \u00e9 mesmo altamente contrastante. O seu destino \u00e9 sempre o mesmo. V\u00e3o minguando at\u00e9 se tornarem in\u00fateis e serem despromovidos com a chegada de um sabonete novo. As lasquinhas coloridas acumulam-se no fundo da saboneteira, por causa daquela mania de n\u00e3o deitar nada fora. Ao fim de umas semanas, come\u00e7o a suspirar pela tal prensa de sabonetes da inf\u00e2ncia\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembro-me de, nos anos oitenta, ver \u00e0 venda prensas para restos de sabonete, instrumentos que permitiam aproveitar todos aqueles pedacinhos de sabonete t\u00e3o pequenos que j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o jeito, mas que n\u00e3o deitamos fora porque somos unhas-de-fome. 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