{"id":3042,"date":"2009-08-07T00:00:00","date_gmt":"2009-08-06T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3042"},"modified":"2009-08-07T00:00:00","modified_gmt":"2009-08-06T23:00:00","slug":"o-fantasma-da-nestl","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/o-fantasma-da-nestl\/","title":{"rendered":"O Fantasma da Nestl&eacute;"},"content":{"rendered":"<p>O abandono do posto de trabalho \u00e9 t\u00e3o frequente em Angola, que quase podemos consider\u00e1-lo uma institui\u00e7\u00e3o. A avaliar pela quantidade de editais publicados nos jornais, quase em n\u00famero superior ao dos an\u00fancios de passaportes chineses extraviados, a assiduidade n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica cultivada.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se ser\u00e1 dos maus sal\u00e1rios ou da desilus\u00e3o com as fun\u00e7\u00f5es desempenhadas, mas o certo \u00e9 que h\u00e1 um dia em que os la\u00e7os que prendem o trabalhador \u00e0 empresa se rompem e ele n\u00e3o aparece mais, sem sequer avisar.<\/p>\n<p>Ao fim de algumas faltas injustificadas, a empresa salvaguarda-se iniciando um processo de despedimento por abandono do emprego. Publica um an\u00fancio no jornal e espera alguns dias at\u00e9 que o trabalhador apare\u00e7a. \u00c9 quase certo que n\u00e3o aparece, at\u00e9 porque com tantas faltas, o vencimento ser\u00e1 ainda mais pequeno que o habitual.<\/p>\n<p>As empresas maiores costumam publicar todas as semanas grandes listas de nomes de empregados faltoso, quase como se este acto extraordin\u00e1rio fizesse parte do procedimento normal.<\/p>\n<p>Quem pensa que este fen\u00f3meno se restringe apenas aos n\u00edveis mais baixos, desengane-se. Por vezes pede-se a compar\u00eancia de directores de casas cambiais ou ag\u00eancias banc\u00e1rias. Nestes casos, suspeito que tenham desaparecido ao mesmo tempo que aquele grande saco de dinheiro.<\/p>\n<p>Mas, \u00e0s vezes, a publica\u00e7\u00e3o do edital quase parece excesso de zelo. A sucursal angolana da Nestl\u00e9 resolveu iniciar o processo de despedimento com justa causa ao seu trabalhador fantasma. Parece que se ausentou duas semanas consecutivas sem avisar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-right-width: 0px; display: inline; border-top-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px\" title=\"fantasma\" border=\"0\" alt=\"fantasma\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/fantasma.jpg\" width=\"437\" height=\"600\" \/>    <br \/><em>in:<\/em> Jornal de Angola<\/p>\n<p>Se calhar, este \u00e9 um edital <em>se-te-serve-a-carapu\u00e7a<\/em>. Os trabalhadores que se revirem no texto preenchem o seu nome no espacinho entre os par\u00e1grafos e remetem para a Nestl\u00e9. Na volta do correio recebem um chocolatinho e ficam com a consci\u00eancia tranquila para procurar o pr\u00f3ximo emprego.<\/p>\n<p>Outra possibilidade \u00e9 que o trabalhador em causa seja precisamente aquele que escreve o nome nestes editais\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abandono do posto de trabalho \u00e9 t\u00e3o frequente em Angola, que quase podemos consider\u00e1-lo uma institui\u00e7\u00e3o. A avaliar pela quantidade de editais publicados nos jornais, quase em n\u00famero superior ao dos an\u00fancios de passaportes chineses extraviados, a assiduidade n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica cultivada. 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