{"id":3115,"date":"2009-08-12T00:00:00","date_gmt":"2009-08-11T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3115"},"modified":"2009-07-30T23:55:34","modified_gmt":"2009-07-30T22:55:34","slug":"viajando-pelas-lnguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/viajando-pelas-lnguas\/","title":{"rendered":"Navegando noutras \u00e1guas"},"content":{"rendered":"<p>Um grande dilema da vida em Luanda \u00e9 o de como ocupar os tempos livres. Para al\u00e9m do trabalho, como passar o tempo? \u00c9 certo que a Ilha do Cabo promete divertimento, mas, como nunca fui muito de discotecas ou bares, a vida nocturna de Luanda diz-me tanto como a da Mong\u00f3lia ou outro s\u00edtio qualquer. Ali\u00e1s, para discotecas, basta-me as festas de terra\u00e7o que n\u00e3o me deixam dormir.<\/p>\n<p>Mesmo no trabalho, h\u00e1 alturas em que a rotina se torna dif\u00edcil de suportar e nos sentimos a ficar est\u00fapidos. \u00c9 preciso exercitar o c\u00e9rebro, sob pena de emperrar de vez. Precisava de encontrar uma actividade que me fizesse pensar a s\u00e9rio e que me fizesse sentir que aprendia algo de verdadeiramente novo.<\/p>\n<p>Ora, como estou em Angola, resolvi aprender\u2026 Japon\u00eas!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Num mar de letras\" border=\"0\" alt=\"Num mar de letras\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/LINGUAS.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Navegando nas palavras <\/p>\n<p>Utilidade pr\u00e1tica, para j\u00e1, n\u00e3o lhe antevejo nenhuma, al\u00e9m de perceber um pouco o que se diz nos filmes l\u00e1 da terra do Sol Nascente. Ser\u00e1 que todo o conhecimento tem de ter uma aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica imediata? Pelo menos n\u00e3o ocupa lugar, como diz o prov\u00e9rbio. Mesmo assim, espero que tire mais partido do japon\u00eas que do am\u00e1rico aprendido h\u00e1 uma d\u00e9cada\u2026<\/p>\n<p>O facto de ser uma coisa completamente diferente prometia ser um bom exerc\u00edcio. A verdade \u00e9 que aprendo muito mais acerca da minha pr\u00f3pria l\u00edngua do que esperava e suspeito que passe a pronunciar a ementa dos restaurantes japoneses com muito mais convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, o tempo que se perde no tr\u00e2nsito deixou de ser desaproveitado. Meia-hora de engarrafamento corresponde a uma unidade inteira de conversa\u00e7\u00e3o. Chega mesmo a ser aborrecido ter semanas em que a viagem dura vinte e cinco minutos para cada lado e estou sempre a repetir a mesma li\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Ao fim de oito meses de dedica\u00e7\u00e3o, estou a aproximar-se do fim do curso. Come\u00e7o a perceber e dizer coisas mais complicadas. Posso afirmar, com alguma confian\u00e7a, que j\u00e1 n\u00e3o me sentiria completamente desamparado se me largassem no meio do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 dizia Goethe que aprender uma outra l\u00edngua \u00e9 ver nascer uma alma nova. Subscrevo sem reservas. \u00c9 espantoso o mundo que se abre de repente, quando partilhamos os pensamentos de outros povos. As particularidades de cada l\u00edngua moldam os mecanismos mentais das pessoas e perceber a l\u00edngua \u00e9 o primeiro passo para as compreender melhor.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9, seguramente, aprender a ler alguma coisa. Mas os japoneses, que gostam de complicar, acharam que a l\u00edngua falada n\u00e3o era suficientemente dif\u00edcil e resolveram usar tr\u00eas alfabetos. Um, muito bonito, n\u00e3o usam para quase nada, mas tem de se saber. Outro, \u00e9 usado para palavras estrangeiras e letreiros (\u00fatil, portanto). E depois, quando querem realmente escrever qualquer coisa, voltam-se para os ideogramas\u2026 pesadelo!<\/p>\n<p>Para j\u00e1, vou aprendendo Hiragana, o tal bonito e in\u00fatil\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grande dilema da vida em Luanda \u00e9 o de como ocupar os tempos livres. 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