{"id":3140,"date":"2009-08-20T00:00:00","date_gmt":"2009-08-19T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/?p=3140"},"modified":"2009-08-20T00:00:00","modified_gmt":"2009-08-19T23:00:00","slug":"o-artigo-perdido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/o-artigo-perdido\/","title":{"rendered":"O artigo perdido"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s vezes fico furioso comigo mesmo por deixar escapar um pensamento. S\u00e3o aquelas ideias geniais que temos e, dois segundos depois, nos esfor\u00e7amos inutilmente por tentar lembrar delas. Somem-se sem deixar rasto. Fica apenas uma sensa\u00e7\u00e3o esquisita de que se perdeu algo. Deixar fugir um pensamento ou ficar com um espirro pendurado s\u00e3o duas coisinhas bem irritantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o no mesmo patamar de aborrecimento, mas l\u00e1 perto, est\u00e1 a incapacidade de perceber a pr\u00f3pria letra. \u00c9 um pensamento que se nos escapa, mas com atraso. Na altura ficamos felizes porque o imortaliz\u00e1mos, mas depois descobrimos que n\u00e3o foi adequadamente conservado e apodreceu como aquele tomate que deixei no frigor\u00edfico a semana passada.<\/p>\n<p>Porque a minha caligrafia tem uma personalidade que quase lhe confere vida pr\u00f3pria, h\u00e1 alturas em que grandes tiradas (ou imensos disparates) se confundem com os rabiscos fren\u00e9ticos que antecedem o uso de uma esferogr\u00e1fica velha e de tinta seca.<\/p>\n<p>Tenho de me conformar. Se at\u00e9 agora n\u00e3o melhorou, n\u00e3o lhe antevejo um futuro diferente ou, pelo menos, mais leg\u00edvel. L\u00e1 diz o ditado que burro velho n\u00e3o aprende l\u00ednguas. Sou tentado a acrescentar que n\u00e3o \u00e9 por ser velho\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 umas semanas atr\u00e1s rabisquei qualquer coisa no verso de um tal\u00e3o de caixa do supermercado. Meia-d\u00fazia de linhas como alinhavo de uma ideia para algo que merecia um artigo no Aerograma. Literalmente em cima do joelho e com o esmero habitual no desenho dos <em>ss<\/em>, dos <em>rr<\/em> e dos <em>mm<\/em>, que agora s\u00f3 consigo adivinhar onde est\u00e3o os <em>tt<\/em> e os <em>ii<\/em>, por causa dos tra\u00e7os e das pintas, claro. Como n\u00e3o me lembro de ter escrito a nota em c\u00f3digo morse, suspeito que s\u00f3 isto n\u00e3o baste.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px\" title=\"Cami\u00e3o abandonado, sem motor\" border=\"0\" alt=\"Cami\u00e3o abandonado, sem motor\" src=\"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/sucata.jpg\" width=\"600\" height=\"400\" \/>    <br \/>Sumiu-se <\/p>\n<p>Agora estou num dilema. Ser\u00e1 que a ideia era boa? Ser\u00e1 que acabaria por se juntar aos rascunhos rejeitados? Pelo sim, pelo n\u00e3o, vou guardar o papelinho mais uns dias na secret\u00e1ria. Pode ser que me inspire.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s vezes fico furioso comigo mesmo por deixar escapar um pensamento. S\u00e3o aquelas ideias geniais que temos e, dois segundos depois, nos esfor\u00e7amos inutilmente por tentar lembrar delas. Somem-se sem deixar rasto. Fica apenas uma sensa\u00e7\u00e3o esquisita de que se perdeu algo. Deixar fugir um pensamento ou ficar com um espirro pendurado s\u00e3o duas coisinhas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[271],"tags":[460,36,459],"class_list":["post-3140","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","tag-caligrafia","tag-divagacoes","tag-pensamentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3140","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3140"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3140\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3140"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3140"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/afonsoloureiro.net\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3140"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}